Louçã aponta incómodo e promete não se calar
As declarações de Francisco Louçã foram alvo de um ataque na imprensa escrita de Angola depois de o líder bloquista ter apontado a existência do que considerou ser um favorecimento do Governo português às movimentações e interesses do capital angolano em Portugal. Ontem à noite, Louçã prometeu não se deixar silenciar e continuar a falar “em nome da democracia e da economia”.
“O que é que há-de levar o jornal mais importante de Angola, país tão rico e tão pobre, com tanta corrupção, com tanta desgraça, com tanta gente generosa e com tanta falta de democracia, o que é que há-de levar o Presidente de Angola a mandar o jornal do seu partido e do seu Governo insultar o BE”, questionava na Madeira o líder do Bloco.
A polémica está relacionada com as declarações de Francisco Louçã durante o debate televisivo com José Sócrates. Com as Legislativas ainda em pré-campanha, o coordenador do BE questionou o candidato socialista e primeiro-ministro português a propósito da privatização da Galp, manifestando a sua oposição a um negócio que considerou servir os interesses do Presidente angolano José Eduardo dos Santos e do empresário Américo Amorim.
A reacção de Luanda partiu do Jornal de Angola, detido pelo Governo. Num editorial do director José Ribeiro, o único diário do país lamentava este domingo que houvesse em Portugal quem estivesse interessado em envolver Angola na campanha das Legislativas com “declarações a roçar o insulto”.
Sem referência a nomes ou partidos, o director do jornal refere que “em Portugal há políticos que não conseguem dormir descansados enquanto existirem empresas e empresários angolanos a fazerem o seu trabalho” e “recusam ou ficam preocupados com a entrada de capitais angolanos em empresas ou grupos económicos portugueses”.
Na opinião de José Ribeiro, “os que tentam arrastar Angola para a campanha eleitoral em Portugal mereciam uma resposta à letra, quanto mais não seja pela falta de pudor. Mas até ao contar dos votos, vamos ficar em silêncio. Até porque temos esperanças de que os eleitores portugueses lhes dêem, por nós, a resposta merecida”.
“Não haverá negócio escandaloso que não suscite a voz do BE”
Na resposta a este texto, o dirigente do Bloco fez questão de sublinhar que “o BE incomoda até em Angola”, com o único diário do país a “dedicar um editorial inteiro contra a campanha do BE”.
“Soube esta noite que a força desta campanha é tão grande que ela chega a qualquer lugar do país, já sabia, mas deixem dizer-vos que até noutros países se sente a força da campanha do BE”, declarou Francisco Louçã no jantar-comício que ontem teve lugar no Funchal, reforçando a acusação deixada durante a fase de pré-campanha.
“Eu sei o que ele tem a temer, José Eduardo dos Santos tem medo, é verdade, José Eduardo dos Santos ocupa a presidência de sem ter sido eleito há 17 anos, mas o que mais o incomoda é que o BE se opôs a privatização das gasolinas em Portugal porque José Sócrates quis dar a Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal, associado a José Eduardo dos Santos, um terço de uma empresa que é nossa, que é de todos os portugueses, vendeu-lha por tuta-e-meia”, apontou o bloquista.
Sublinhando que “todos os dias quando se põe gasolina na Galp, lá estamos a perder uma parte do dinheiro para a especulação, uma parte do dinheiro para o abuso dos preços, uma parte do dinheiro para os lucros destes empresários, quando esse dinheiro devia servir para todos”, Louçã deixou um último recado: “Nós vamos sem medo, com coragem, não haverá nenhum negócio escandaloso que não suscite a voz do BE em nome do nosso povo e da nossa responsabilidade, em nome da democracia e da economia”.
