UNITA não aprova
UNITA votou contra durante a aprovação, na generalidade, do Orçamento Geral do Estado e o respectivo Plano Nacional, por alegadamente a proposta conter muitas “zonas cinzentas e buracos escuros” em relação à gestão das reservas cambiais arrecadadas durante o período bonançoso do preço do petróleo no mercado internacional.
Segundo o porta-voz do maior partido na oposição, Alcides Sakala, em declarações a O PAÍS, “é preciso saber o que é feito do fundo soberano que acumulou importantes reservas, quando o petróleo estava em alta, há que ter conhecimento da sua gestão”.
A UNITA exige esta explicações da parte do Governo, que, diz, nunca se predispôs a discutir também a questão dos dinheiros da China na casa das leis para que a sociedade tenha uma ideia clara dos processos de gestão seguidos pelo executivo.
“O Governo deve vir a público explicar aos deputados a gestão dos recursos do petróleo, pois entendemos ser altura de colocar as cartas na mesa e esperamos que da próxima vez os deputados tenham estes esclarecimentos todos”, reafirmou. Já o partido que sustenta o actual Governo, o MPLA, considera que a crise financeira internacional em curso vai reduzir a captação de divisas para o país, mas regozija, segundo o líder da sua bancada, Bornito de Sousa, o facto de o executivo continuar a prestar atenção aos sectores sociais como o da água, energia, habitação social e infra-estruturas fundamentais ao desenvolvimento.
No seu entender, a aprovação do OGE e do Plano Nacional “tem um sentido de prudência da gestão macro-económica, nomeadamente em relação ao preço médio do preço do petróleo”, sublinhou. Além disso, o MPLA sustenta que as propostas de revisão visam também garantir a realização das metas mínimas de estabilidade da economia nacional, de crescimento do produto nacional, fundamentalmente do sector não petrolífero e das metas mínimas de melhoria das condições sociais dos cidadãos. Juntamente com a UNITA, o Partido de Renovação Social também se manifestou contra a aprovação dos dois documentos nos formatos actuais, tendo o partido no poder, MPLA, a FNLA e a Nova Democracia-União eleitoral dado o seu acordo.
Deputados devem cessar conflitos de interesse
A problemática das incompatibilidades entre as funções de deputado e privadas que manifestem claramente a existência de conflitos de interesse levou a que a Associação Justiça, Paz e Democracia enviasse aos parlamentares angolanos uma carta aberta a pedir o respeito da lei por parte dos representantes dos eleitores angolanos.
A associação de defesa dos direitos humanos parte do princípio de que tomou conhecimento de que muitos deputados têm desenvolvido actividades ou realizado actos que colidem com a ética a que devem estar sujeitos todos os parlamentares, “que manifestam conflito de interesses entre o interesse público e o interesse privado e excessiva concentração de poderes, susceptíveis de afectar o real cumprimento dos seus deveres”, lê-se no documento a que O PAÍS teve acesso. Depois de pedir exemplos práticos no cumprimento das leis, muitas delas aprovadas pelo próprios parlamentares, a AJPD solicita mesmo uma clarificação em termos de escolha de uma das duas funções que entrem em conflito, por instância da própria Assembleia Nacional.
“Que todos os deputados que sejam sócios de firmas ou empresas contratadoras de empreitadas de obras públicas e beneficiadoras de outras operações financeiras com o Estado, na sequência de contratos administrativos, sócios de associações, sejam elas de utilidade pública ou não, beneficiárias de fundos públicos, sejam obrigados, por imperativo ético, a procederem a uma declaração prévia da existência do seu interesse particular, em razão da matéria, no momento da discussão de uma lei ou programa sujeito a aprovação da Assembleia Nacional”, sublinha o documento.
A actual Lei Constitucional consagra já estas incompatibilidades que são melhor tratadas nas Leis Orgânicas do Estatuto do Deputado e da Assembleia Nacional. Esta posição da AJPD vem associarse à celeuma sentida pela deputada Tchizé dos Santos na sequência do reparo feito pela secretária-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, Luisa Rogério, segundo o qual a parlamentar angolana estaria numa situação de incompatibilidade ao ser nomeada pelo ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais, como consultora da Televsão Pública de Angola. Desde então a polémica foi levantada, tendo mesmo a deputada recorrido, segundo a imprensa, à apresentação de uma queixa na polícia de Investigação Criminal para dirimir o que considera acto calunioso de Luisa Rogério.
Eugénio Mateus
O Pais

