Wednesday, April 29, 2009

100 dias de Obama em 20 momentos

Cem dias provam pouco sobre a capacidade de um Presidente mas dão um sinal do que está para vir. Depois da ordem para fechar a prisão de Guantánamo, da promessa de retirar os soldados do Iraque, passando pelos planos milionários para salvar o país da pior crise desde os anos 1930, uma coisa, porém, parece certa: Obama está a mudar a América.

Cem dias na Casa Branca é um marco e um pretexto habitual para fazer um balanço. Barack Obama foi eleito com a missão de acabar com as guerras no Iraque e no Afeganistão e resolver uma crise económica como já não se via desde a Grande Depressão dos anos 1930.

1. À segunda é que ele tomou posse

20 Janeiro de 2009

“Juro solenemente desempenhar com fidelidade o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América. “Às 12.00, Barack Obama tomou posse. O 44.º Presidente dos EUA, o primeiro afro-americano, prestou juramento no Capitólio perante dois milhões de pessoas. Porém, trocou uma palavra e um dia depois repetiu o juramento na Casa Branca.

2. Fotógrafo português regressa à Casa Branca

21 Janeiro de 2007

Ainda Obama não conhecia os cantos à sua nova casa e já Pete Souza andava a “retratar a história”. O lusodescendente a viver nos EUA foi escolhido para ser o fotógrafo oficial do Presidente. Descendente de açorianos, Souza já tinha fotografado Ronald Reagan e seguia Obama desde que chegou ao Senado, em 2004.

3. Primeira decisão: acabar com a “Guerra ao Terror”

22 Janeiro de 2009

George W. Bush afastou os EUA do resto do mundo com a sua Guerra ao Terror. Logo que chegou à Casa Branca, Obama fez por se livrar desse legado. Ao segundo dia no poder, o Presidente assinava uma ordem para encerrar a prisão de Guantánamo dentro de um ano, e proibir os métodos de tortura usados pela CIA.

4. O Congresso, a oposição e os planos contra a crise

24 Janeiro de 2009

Quatro dias na Casa Branca e Obama subia a Pennsylvania Avenue até ao Capitólio para revelar ao Congresso os seus planos para tirar a América da crise. O Presidente abriu caminho às propostas da sua Administração mas não convenceu a oposição. Dias depois, os republicanos criticavam o défice milionário previsto para o orçamento. A guerra prosseguiu com o pacote de estímulo de 787 mil milhões de dólares, que seria aprovado à tangente com os votos de alguns republicanos moderados.

5. O conselheiro filho de portugueses

30 Janeiro de 2009

Além do fotografo, há um outro português a cruzar-se com Obama nos corredores da Casa Branca. Chama-se David Simas e foi contratado - com o acordo do Presidente - para assessorar David Axelrod, o conselheiro que inventou o slogan de campanha Yes we can (sim, podemos) e que tem sempre garantida a atenção de Obama.

6. Quando o Presidente admitiu a ‘asneira’

3 de Fevereiro de 2009

Quinze dias no poder e Obama fazia “asneira”. O próprio Presidente admitiu-o aos americanos, após a notícia de que o nomeado para secretário da Saúde, Tom Daschle, fugira ao fisco. Os problemas com a formação da equipa estavam longe do fim. Uma semana depois, o nomeado para o Departamento do Comércio, o republicano Judd Gregg, demitiu-se por “diferenças ideológicas”.

7. A gafe na primeira visita ao estrangeiro

19 Fevereiro de 2009

Cumprindo a tradição, Obama foi ao vizinho Canadá na sua primeira saída ao estrangeiro. A visita de sete horas e o encontro com o primeiro-ministro canadiano, Stephen Harper, teriam passado sem história, não fosse o Presidente ter dito que estava feliz por visitar o Iowa (estado americano) quando estava em Otava, a capital do Canadá. Uma pequena gafe, para variar.

8. Retirada do Iraque e reforço no Afeganistão

27 Fevereiro 2009

Obama não pôde escolher as suas guerras mas, desde cedo, deixou claro quais são os seus “verdadeiros” inimigos. O Presidente anunciou que vai retirar as forças de combate do Iraque até 2010. Em contrapartida, os Estados Unidos enviarão mais quatro mil soldados para travar o avanço dos talibãs no Afeganistão e prometem dar mais atenção ao Paquistão.

9. Preocupações fazem cabelos brancos

6 Março de 2009

Quarenta e cinco dias na Casa Branca deixaram Obama com cabelos brancos. Por todo o mundo, os jornais publicaram fotografias a provar o envelhecimento do Presidente. E todos concordaram na explicação: duas guerras, no Iraque e no Afeganistão, e um país mergulhado na pior crise económica desde os anos 1930 deixam marca em qualquer um.

10. Para que a política deixe a ciência em paz

9 Março de 2009

No que foi um dos mais emblemáticos cortes com o conservadorismo de W. Bush, Obama revogou a proibição de financiamento federal à investigação com células estaminais. O Presidente defendeu que a política não deve intervir na ciência. Prometeu também reduzir a poluição para travar o aquecimento global.

11. Obama irritado com bónus da AIG

16 Março de 2009

Houve poucos momentos em que Obama cedeu às emoções. Um deles foi quando soube que a empresa AIG estava a pagar indemnizações milionárias aos seus gestores com fundos do plano de resgate, dinheiro dos impostos dos americanos. Foi tal a ira que os gestores apressaram-se a devolver os dólares. O caso acabou bem mas não para o secretário do Tesouro. Os jornais descobriram que Timothy Geithner sabia dos bónus mas não fez nada para os travar.

12. Presidente no ‘talk show’ de Jay Leno

19 Março de 2009

Obama rompeu mais um vez com a tradição ao tornar-se no primeiro Presidente em exercício a participar num dos populares talk shows da televisão americana. O Presidente enfrentou o humor de Jay Leno no sofá do Tonight Show quase sem mácula - ridicularizou os atletas paralímpicos e veio pedir desculpa por isso. Mas houve quem o acusasse de mediatismo em excesso.

13. Com Barroso na cimeira do G20

2 Abril de 2009

Na reunião dos 20 países mais ricos do mundo, Obama encontrou-se com Durão Barroso. O Presidente dos EUA e o português que preside à Comissão Europeia estiveram juntos na cimeira do G20 em Londres onde se decidiu o reforço da regulação do sistema financeiro.

14. Encontro com Sócrates em Praga

5 Abril de 2009

Dois meses e meio na Casa Branca, e Obama veio à Europa apresentar-se, pedir favores e ouvir conselhos. O primeiro-ministro José Sócrates cumprimentou-o durante a Cimeira UE-EUA, em Praga, e elogiou a sua vontade para combater o aquecimento global. Horas antes, Obama prometeu a milhares de europeus, numa praça da capital checa, lutar por um mundo sem armas nucleares.

15. Piscar o olho ao Islão

6 Abril de 2009

O seu nome do meio é Hussein. A infância foi passada na Indonésia. Mas ao contrário do que possa parecer - e do que foi dito na campanha - Obama não é muçulmano. Mas tem um jeito raro nos Presidentes dos EUA para lidar com o Islão. Quando visitou a Turquia disse: “Os EUA não estão nem estarão em guerra com o Islão”. Semanas antes enviou uma mensagem ao povo iraniano e deu uma entrevista à televisão Al-Arabiya.

16. Atirar a matar sobre piratas

12 Abril de 2009

Quando o capitão de um navio americano foi feito refém por um grupo de piratas ao largo da Somália, o Presidente não hesitou em recorrer à força. Para salvar Richard Philips, os SEALS receberam autorização para atirar a matar. Uma semana depois o capitão do Maersk Alabama estava de volta a casa. Três piratas morreram e um foi capturado.

17. O cão-d’água português

14 Abril de 2007

Chama-se Bo, tem algo de português e fez as capas dos jornais americanos. O cão que Obama prometeu às suas filhas chegou após meses de especulação. O cachorro é um cão-d’água português oferecido pelo senador Ted Kennedy. Mesmo assim só foi aceite na Casa Branca depois de passar nos testes de bom comportamento.

18. Guerra por causa dos relatórios da CIA

17 Abril de 2009

A ideia era demarcar-se da Administração Bush e seguir em frente. Mas as contas saíram furadas. Quando divulgou os relatórios sobre a tortura da CIA contra terroristas, Obama comprou uma guerra com os republicanos. O Presidente desiludiu também as organizações de direitos humanos por recusar levar à justiça os torturadores. A hipótese de acusar aqueles que deram as ordens permanece em aberto
.
19. Estender a mão aos vizinhos

18 Abril de 2009

Uma nova relação com o mundo, a começar pela vizinhança parece ser o lema de Obama. O Presidente foi a estrela da Cimeira das Américas e surpreendeu todos ao apertar a mão ao Presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Dias antes Obama estendera a mão a Cuba quando decidiu levantar algumas restrições às viagens e remessas para a ilha.

20. Epidemia de gripe ensombra o dia 100
   
27 Abril de 2009

Sem dramatismos, como é seu estilo, Obama falou à América sobre epidemia de gripe suína que ameaça o mundo. Os EUA são o segundo país mais afectado e temem mortes. O Presidente declarou o estado de emergência sanitário e deu conselhos à população, mas disse não haver razões para alarme.

DN

Posted by Julinho in 18:32:54 | Permalink | No Comments »

Estados Unidos - Senador republicano passa para a bancada democrata

O Partido Democrata está mais próximo de garantir o controlo total do Senado norte-americano, com a troca de camisola do senador republicano Arlen Specter. O histórico ‘vermelho’ da Pensilvânia acusa o antigo partido de estar cada vez mais à Direita.

A notícia caiu como uma bomba, esta terça-feira, em Washington. Arlen Specter, senador republicano da Pensilvânia desde 1980, decidiu abandonar o partido e juntar-se aos democratas.

«Considero que a minha filosofia política está agora mais próxima dos democratas que dos republicanos», declarou Specter, que acusou o antigo partido de proceder a uma deriva direitista e recordou que mais de 200 mil republicanos da Pensilvânia mudaram para os ‘azuis’ em 2008.

Specter, que nos anos 60 era do Partido Democrata, tinha aderido ao Partido Republicano na era de Ronald Reagen.

O anúncio foi recebido com grande entusiasmo por parte de Barack Obama, que diz estar «muito entusiasmado por poder trabalhar» com Specter, e com um indesmentível choque por parte dos republicanos.

A troca de camisolas é um verdadeiro terramoto político no Senado norte-americano. Se até aqui os republicanos podiam vetar legislação proposta pelos democratas, o partido de Obama está agora muito próximo de controlar a câmara.

É que, como previsto, se o Supremo Tribunal do Minnesota der razão ao democrata Al Franken na recontagem dos votos das eleições naquele estado, o Partido Democrata alcança o número mágico de 60 senadores e garante a aprovação imediata de qualquer legislação proposta.

Sol

Posted by Julinho in 18:23:22 | Permalink | No Comments »

Angola em recessão?

Tecnicamente um país entra em recessão quando regista uma diminuição do produto interno bruto (PIB) em dois trimestres consecutivos. Angola não tem contas naconais trimestrais pelo que não é possível avaliar se o país vai ter ou não recessão segundo este critério. Por isso, em vez dos dois trimestres consecutivos de crescimento negativo vou usar simplesmente a variação real anual do PIB: se for negativa o país está em recessão se for positiva não está. Voltando à pergunta se “Angola vai ter recessão este ano ou não?”, de acordo com o critério da variação real anual do PIB, o Governo responde que não, mas as instituições independentes que divulgaram recentemente previsões sobre a economia angolana dizem que sim.

Começando pelo Governo angolano, os ministros da Economia e das Finanças, Manuel Nunes Júnior e Severim de Morais, respectivamente, não perdem uma oportunidade para reafirmar que o país não vai entrar em recessão. “A economia angolana sofrerá simplesmente uma desaceleração no seu crescimento e não uma recessão,” afirmou o titular das Finanças à Televisão Pública de Angola. “Nós temos estado a ouvir em alguns órgãos de informação que a economia angolana sofrerá uma recessão. Portanto são informações que precisam de ser combatidas”, queixou-se Severim. “Um país entra em recssão quando por três trimestres tem um crescimento negativo. Isso é que é uma recessão”, explicou o ministro. O superministro da economia Manuel Nunes Júnior tem afinado pelo mesmo discurso pedagógico: “O país não viverá uma situação de recessão nem uma situação de crescimento abaixo da taxa de crescimento da população que ronda os 3,0 por cento.

Isto quer dizer que em termos per capita nunca teremos um crescimento negativo.” Não é isso que dizem os independentes. O Banco Mundial não avança números mas sempre vai dizendo que o PIB nominal, a preços deste ano, vai cair e que é “provável” que o mesmo aconteça com o PIB real. Mais concretos são a revista britânica The Economist, que aponta para um recuo do PIB angolano de 2,3 por cento, o BPI que prevê uma quebra de 3,0 por cento e o Fundo Monetário Internacional que nas previsões de Primavera aponta para queda de 3,6 por cento. Ou seja, no campeonato das previsões, a recessão está a ganhar por 3 a 1. O tempo dirá quem tem razão. Para já interessa destacar a tendência e aí todos estão de acordo que este ano vai haver uma interrupção nas fortes taxas de crescimento que a economia angolana vinha registando nos últimos anos. E depois de 2009? Quer a The Economist quer o FMI apontam para uma recuperação já a partir de 2010 embora a ritmos diferentes. A revista prevê um crescimento de 6,3 por cento no próximo ano e o fundo ainda é mais optmista com expressivos 9,3 por cento. Resumindo para concluir, mesmo que Angola tenha uma recessão este ano deverá ser um ocaso de pouca dura.
____

DE - Carlos Rosado de Carvalho

Posted by Julinho in 18:15:53 | Permalink | No Comments »