Saturday, March 28, 2009

Presidente do ANC critica Ocidente por não ajudar Harare

O presidente do Congresso Nacional Africano, Jacob Zuma, criticou hoje os países ocidentais por se recusarem a levantar as sanções contra o Zimbabué enquanto Robert Mugabe estiver no poder.

“Isto é muito injusto para o povo do Zimbabué porque Mugabe existe. Ele é um factor. Ele está lá. Ele lidera um partido que está no poder há mais de 20 anos”, disse Zuma, numa entrevista à Reuters, argumentando que Mugabe e o seu partido obtiveram uma votação substancial nas eleições.

Para o presidente do ANC e provável vencedor das eleições Presidenciais do próximo dia 22 de Abril, a criação do governo de unidade nacional no Zimbabué foi um passo no sentido da estabilização política.

“Não se pode dizer que (a situação) esteja estabilizada, mas já entrou numa fase de estabilização política”, afirmou.

Na entrevista concedida em Joanesburgo, Zuma defendeu que o governo de unidade — no qual a mediação sul-africana insistiu durante vários meses de negociações — foi a única solução prática para o impasse originado pela recusa do presidente Mugabe em abdicar do poder, apesar de ter sido derrotado na primeira volta das eleições presidenciais e de o seu partido ter perdido a maioria no parlamento.

Apesar de a África do Sul e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) estarem actualmente a tentar injectar na economia zimbabueana dois mil milhões de dólares para que ela saia da paralisia em que mergulhou e pedirem à UE, EUA e outros países que levantem as sanções, o Ocidente mantém-se relutante face à história de violações dos direitos humanos, corrupção e gestão ruinosa do presidente Mugabe.

O governo de unidade nacional, empossado há pouco mais de um mês, está a ter extremas dificuldades em iniciar a recuperação económica face ao estado lastimável das finanças públicas.

O primeiro-ministro Morgan Tsvangirai admitiu que o Estado não tem dinheiro para pagar aos funcionários públicos zimbabueanos.

Estes, seja em que sector estiverem e independentemente da sua posição hierárquica, recebem 100 dólares americanos por mês e uma verba restante em dólares zimbabueanos, que não tem qualquer valor perante uma inflação superior a 230 milhões por cento ao ano registada no país.

O colapso das infraestruturas do Estado e dos serviços públicos resultaram na paralisia dos serviços básicos, como a geração e distribuição de electricidade, água potável e outros, resultando numa epidemia de cólera que infectou mais de 80 mil pessoas e matou mais de 3.800, segundo números da Organização Mundial de Saúde.

Esta semana, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch apelou aos líderes da África Austral para que na cimeira da SADC agendada para o dia 30 na Suazilândia façam depender a ajuda ao governo do Zimbabué de uma melhoria significativa no campo do respeito pelos direitos humanos.

“Como prova da cultura de impunidade que ainda reina no Zimbabué, o Human Rights Watch salienta que ainda ninguém foi detido e acusado de responsabilidade na campanha de violência levada a cabo o ano passado contra os apoiantes do rival do presidente Robert Mugabe, o actual primeiro-ministro Morgan Tsvangirai”, referiu em Joanesburgo a directora para África da organização, Georgette Gagnon.

DN

Posted by Julinho in 01:27:24
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