Saturday, March 28, 2009

Presidente do ANC critica Ocidente por não ajudar Harare

O presidente do Congresso Nacional Africano, Jacob Zuma, criticou hoje os países ocidentais por se recusarem a levantar as sanções contra o Zimbabué enquanto Robert Mugabe estiver no poder.

“Isto é muito injusto para o povo do Zimbabué porque Mugabe existe. Ele é um factor. Ele está lá. Ele lidera um partido que está no poder há mais de 20 anos”, disse Zuma, numa entrevista à Reuters, argumentando que Mugabe e o seu partido obtiveram uma votação substancial nas eleições.

Para o presidente do ANC e provável vencedor das eleições Presidenciais do próximo dia 22 de Abril, a criação do governo de unidade nacional no Zimbabué foi um passo no sentido da estabilização política.

“Não se pode dizer que (a situação) esteja estabilizada, mas já entrou numa fase de estabilização política”, afirmou.

Na entrevista concedida em Joanesburgo, Zuma defendeu que o governo de unidade — no qual a mediação sul-africana insistiu durante vários meses de negociações — foi a única solução prática para o impasse originado pela recusa do presidente Mugabe em abdicar do poder, apesar de ter sido derrotado na primeira volta das eleições presidenciais e de o seu partido ter perdido a maioria no parlamento.

Apesar de a África do Sul e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) estarem actualmente a tentar injectar na economia zimbabueana dois mil milhões de dólares para que ela saia da paralisia em que mergulhou e pedirem à UE, EUA e outros países que levantem as sanções, o Ocidente mantém-se relutante face à história de violações dos direitos humanos, corrupção e gestão ruinosa do presidente Mugabe.

O governo de unidade nacional, empossado há pouco mais de um mês, está a ter extremas dificuldades em iniciar a recuperação económica face ao estado lastimável das finanças públicas.

O primeiro-ministro Morgan Tsvangirai admitiu que o Estado não tem dinheiro para pagar aos funcionários públicos zimbabueanos.

Estes, seja em que sector estiverem e independentemente da sua posição hierárquica, recebem 100 dólares americanos por mês e uma verba restante em dólares zimbabueanos, que não tem qualquer valor perante uma inflação superior a 230 milhões por cento ao ano registada no país.

O colapso das infraestruturas do Estado e dos serviços públicos resultaram na paralisia dos serviços básicos, como a geração e distribuição de electricidade, água potável e outros, resultando numa epidemia de cólera que infectou mais de 80 mil pessoas e matou mais de 3.800, segundo números da Organização Mundial de Saúde.

Esta semana, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch apelou aos líderes da África Austral para que na cimeira da SADC agendada para o dia 30 na Suazilândia façam depender a ajuda ao governo do Zimbabué de uma melhoria significativa no campo do respeito pelos direitos humanos.

“Como prova da cultura de impunidade que ainda reina no Zimbabué, o Human Rights Watch salienta que ainda ninguém foi detido e acusado de responsabilidade na campanha de violência levada a cabo o ano passado contra os apoiantes do rival do presidente Robert Mugabe, o actual primeiro-ministro Morgan Tsvangirai”, referiu em Joanesburgo a directora para África da organização, Georgette Gagnon.

DN

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Saturday, March 21, 2009

Discurso do Chefe de Estado durante a visita do Papa Bento XVI

INTEGRA DO DISCURSO PRONUNCIADO POR SUA EXCELÊNCIA JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS, PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA, POR OCASIÃO DA VISITA A ANGOLA DE SUA SANTIDADE O PAPA BENTO XVI

SUA SANTIDADE PAPA BENTO XVI, ILUSTRES DIGNITÁRIOS DA IGREJA CATÓLICA, ESTIMADOS CONVIDADOS, MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,

Com bastante satisfação reitero os votos de boas-vindas a Angola, onde o nosso Povo aguarda com um sentimento de fé verdadeira e de expectativa a mensagem espiritual que certamente lhe irá transmitir.

O nosso território foi dos primeiros a ser evangelizado no continente africano, isso há mais de quinhentos anos, e foram sempre de respeito e cordialidade as relações com o Vaticano.

Já em finais do século XV, na embaixada que enviou ao Rei de Portugal, o Mani Congo, máximo governante do reino cuja capital se encontrava no actual território de Angola, solicitara que os jovens congueses que a integravam fossem instruídos nos manda­mentos da fé cristã.

Essas relações foram aprofundadas durante o reinado de D. Afonso VI, responsável durante a primeira metade do século XVI pelo estabelecimento das bases do Cristianismo no Congo.

O seu filho Henrique chegou mesmo a ser consagrado bispo pelo Papa.

Foi também em Angola que se edificou a primeira Catedral a Sul do Equador, na cidade de Mbanza Congo, e foi daqui que saiu o primeiro embaixador do nosso povo junto do Vaticano, António Manuel Vunda, o ‘Negrita’, que infelizmente faleceu antes de poder exercer as suas funções.

As vicissitudes da história fizeram que o nosso povo ficasse durante séculos sob domínio estrangeiro, mas isso não o impediu de manter viva a sua fé e a sua profunda relação com a Igreja Católica.

Sua Santidade,

Angola vive hoje tempos novos, tempos de esperança. Terminaram o sofrimento e a incerteza causados por dezenas de anos de desunião e violência, que atingiram o corpo e a alma das pessoas, separaram famílias e provocaram enormes danos ao tecido social e produtivo do país.

Felizmente imperou o bom senso. O diálogo e a compreensão mútua geraram o perdão e o entendimento como vias da reconciliação e do restabelecimento da paz. Foram assim bem interpretadas e acolhidas também as várias mensagens do Vaticano, as homílias dos bispos e as exortações dos sacerdotes sobre a necessidade e a importância da paz e da tranquilidade para a vida humana.

Estamos agora na encruzilhada da Paz e do Desenvolvimento. A paz social consolida-se com a satisfação das necessidades materiais e espirituais dos homens, que o desenvolvimento propicia. O desenvolvimento económico e social é um processo complexo que produz resultados a médio e longo prazo. O hiato entre um momento e outro tem potencial para gerar a incompreensão, o conflito e a instabilidade.

Manter a estabilidade social nestas circunstâncias requer não apenas sagacidade política, mas também programas e acções baseados no diálogo social, na democracia, no respeito pelos direitos fundamentais do homem, na redistribuição equilibrada do rendimento nacional, na justiça social e na gestão da esperança numa vida melhor no futuro, para a juventude, para as mulheres e as crianças, para as famílias e para o povo em geral.

É neste ambiente que os angolanos estão muito ansiosos para escutar a mensagem de Vossa Santidade e para dela extraírem os ensinamentos pertinentes para orientar a sua vida espiritual e material.

Nestes tempos sempre se procuram os melhores caminhos para a reconstrução do que foi destruído no passado recente e para a construção de uma sociedade moderna, que integre toda a gente sem qualquer exclusão ou descriminação, que integre também todos os valores positivos das culturas locais e regionais, absorvendo os aspectos compatíveis e úteis do direito costumeiro.

Temos, entretanto, tremendos desafios a superar, tais como a pobreza e o desemprego, que atingem respectivamente cerca de 40 e 28 porcento da população; cerca de 60 e 50 porcento de pessoas, respectivamente, não têm acesso à água tratada e à energia e mais de 50 porcento não têm habitação condigna.

Quando o sistema político e económico não permitia a acumulação individual de riqueza a sua regulação era naturalmente mais fácil e as desigualdades sociais não tinham grande expressão.

Por essa razão, a configuração de um sistema redistributivo através de uma política fiscal mais justa é outro grande desafio que temos de enfrentar.

O que há a fazer nestas circunstâncias é aproveitar as virtudes do sistema económico actual, que permite que os empresários ou accionistas detentores de riqueza possam aplicar os seus recursos e obter mais-valia, convencendo-os a reinvestir pelo menos 70 porcento dos seus lucros em projectos de interesse nacional que visam combater o desemprego, a pobreza, a falta de habitação e a aumentar a oferta de bens e serviços.

Ao mesmo tempo, separar claramente os negócios privados dos negócios do Estado e combater com firmeza a apropriação indevida de bens públicos por funcionários do Estado.

Por outro lado, há que tomar medidas mais activas para melhorar e aumentar a arrecadação fiscal, por forma a dotar o Estado de maior capacidade para cuidar dos assuntos da educação, da saúde e da assistência e solidariedade social.
l

As acções descritas concorrem para a criação do bem-estar geral e, neste contexto, a solidariedade e o espírito altruísta da partilha do que temos com o próximo, apoiando os mais necessitados, reforçam a coesão social.

Uma sociedade fundada nestes princípios e valores precisa de pessoas com uma nova mentalidade, que é indispensável formar através de um processo de consciencialização e educação que crie o homem de que se necessita para a transformação social.

Neste processo não existe outro caminho senão inspirar-nos nos valores cristãos e noutros como a honestidade, a dignidade, o respeito pelo próximo e a liberdade, para formular os nossos documentos reitores e é o que temos feito.

Somos um Estado laico animado por pessoas que professam o Cristianismo. Mais de 70 porcento da população angolana é constituída por cristãos católicos.

A Igreja Católica Apostólica Romana, que Vossa Santidade superiormente dirige, é a instituição melhor posicionada para nos ajudar nesta tarefa da formação do homem novo, que a nova Angola precisa.

Um homem com sólida formação moral e cívica, respeitador da lei e responsável pelos seus actos, trabalhando de forma consciente para o bem comum, solidário com os mais carentes e participante activo na construção de uma sociedade mais justa, equilibrada e digna.

Estou certo de que deste modo o nosso país pode encontrar facilmente o espaço que lhe cabe por direito no concerto das nações e estabelecer laços de cooperação plena, assente em acordos e na lei internacional, com todos os outros Estados e muito particularmente com o Vaticano.

A formação qualificada de mais prelados angolanos e a sua promoção contínua para os altos cargos da Igreja Católica em Angola e para a alta hierarquia do Vaticano é um desejo que deixo aqui expresso convencido de que estes quadros podem dar uma contribuição ainda maior ao fortalecimento do papel e da acção nacional e universal da Igreja.

Sua Santidade,

O mundo está em crise. Uma crise financeira e económica global e uma crise de valores morais e princípios éticos em certas regiões do planeta.

Os países mais pobres e os africanos em particular são os que mais sofrem os efeitos negativos destas crises e aqueles que são, infelizmente, excluídos das instâncias em que o assunto é tratado.

A Igreja não pode fazer muito para mudar as regras estabelecidas, mas tem força moral suficiente para influenciar os corações e as mentalidades dos que decidem e apoiar a reclamação legítima de África de ter uma presença efectiva com os mesmos direitos que os outros continentes no Conselho de Segurança da ONU, no FMI e no Banco Mundial.

Queremos cooperar com a Igreja na construção de um mundo melhor, mais seguro e pacífico, ancorado na justiça e no entendimento, e tendo como premissas o diálogo político, o diálogo de civilizações, de culturas e de religiões e o isolamento e combate de todas as formas de extremismo e de terrorismo.

Neste mundo a África deve estar plenamente integrada, deve ocupar o lugar que ela merece e os africanos devem ser avaliados e aceites pelo seu mérito sem qualquer conotação com a cor da pele.

A África conta com o apoio contínuo da Igreja para se libertar das interferências externas negativas, dos conflitos armados locais, das pandemias e da pobreza e para se transformar em terra de paz, fraternidade e progresso.

Desejo a Sua Santidade a continuação de uma boa estadia no nosso país, que o recebe de braços abertos, com todo o calor da sua amizade e respeito pelos elevados valores de que é portador.

O povo angolano dá-lhe as boas-vindas e espera que abençoe esta terra sacrificada que agora, finalmente, começou já a materializar o seu sonho de paz e de um futuro melhor.

Fonte: Angop

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Friday, March 20, 2009

Blog GeoPolitica, Ganha o prêmio Dardos

No dia 18/03/2009, foi atribuido o Prêmio Dardos ao bog GeoPolitica, recebido pelo blog HUKALILIE, este por sua vez recebeu do blog Diadema de Angola. Junto a este blog, aproveito para transcrever o comentario che me foi dirigido: Atribuo a este blog o prêmio Dardos em reconhecimento pelo empenho em transmitir valores culturais, éticos, literários e pessoais” e aproveito para agradecer a todos os leitores e ao elenco diritivo do Diadema de Angola, responsAvel pela distribuiçao do PREMIO supra citado.


«Com o Prémio Dardos reconhecem-se os valores que cada blogger, emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os bloggers, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Este prémio obedece a algumas regras:

1) Exibir a imagem do selo;

2) Linkar o blog pelo qual se recebeu a indicação;

3) Escolher outros blogs a quem entregar o Prémio Dardos.»

Assim sendo, retribuo o prémio a quem me honrou com ele e indico ainda os seguintes blogs:

http://www.angodebates.blogspot.com/

http://lestedeangola.weblog.com.pt/

http://anteropaiva.blog.simplesnet.pt/

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Discurso do Papa às Autoridades e ao Corpo Diplomàatico em Angola

Senhor Presidente da República,
Distintas Autoridades,
Ilustres Embaixadores,
Venerados Irmãos no Episcopado,
Senhoras e Senhores!

Num amável gesto de hospitalidade, quis o Senhor Presidente nos acolher em sua residência, dando-me a alegria de poder vos encontrar, saudar e vos desejar os melhores êxitos na condução das importantes responsabilidades que cada um de vós assume no âmbito governamental, seja civil ou diplomático, onde cada um serve a própria nação em vista do bem de toda família humana.
Senhor Presidente, obrigado por esta acolhida e pelas palavras que acabais de me dirigir, cheias de consideração pela pessoa do Sucessor de Pedro e de confiança na ação da Igreja Católica em favor desta nação muito amada.

Meus amigos, vós sois artesãos e testemunhas de uma Angola que se levanta. Após vinte e sete anos de guerra civil que devastou o país, a paz começou a se enraizar, trazendo consigo os frutos da estabilidade e da liberdade. Os esforços palpáveis do Governo para estabelecer as infra-estruturas e recriar as instituições indispensáveis ao desenvolvimento e bem-estar da sociedade fizeram voltar a esperança entre os cidadãos. Para sustentar esta esperança, têm concorrido várias iniciativas de agências internacionais, decididas a transcender interesses particulares para trabalhar na perspectiva do bem comum. Nas diversas regiões do país, não faltam os exemplos de professores, agentes da saúde e funcionários públicos que, em troca de um magro salário, servem com integridade e dedicação as respectivas comunidades humanas às quais pertencem. Aumenta o número de pessoas engajadas em atividades voluntárias para prestar os serviços mais necessários Queira Deus abençoar e multiplicar todas estas boas vontades e iniciativas ao serviço do bem!

Angola sabe que chegou para a África o tempo da esperança. Cada comportamento humano reto é esperança em ação. Nossas ações jamais são indiferentes a Deus; e também não o são para o progresso da história. Meus amigos, com um coração íntegro, magnânimo e cheio de compaixão, podereis transformar este continente, libertando o vosso povo do flagelo da avidez, da violência e da desordem e guiando-o pelo caminho indicado por princípios indispensáveis a qualquer democracia civil moderna: o respeito e a promoção dos direitos humanos, um governo transparente, uma magistratura independente, uma comunicação social livre, uma administração pública honesta, uma rede de escolas e de hospitais que funcionem de modo adequado, e a firme determinação, radicada na conversão dos corações, de acabar de uma vez por todas com a corrupção. Na Mensagem deste ano para o Dia Mundial da Paz, quis chamar a atenção de todos para a necessidade de uma atitude ética do desenvolvimento.

De fato, mais do que simples programas e protocolos, os habitantes deste continente pedem com razão, uma conversão autêntica, profunda e duradoura dos corações à fraternidade (cf. n. 13).Sua exigência aos que trabalham na política, na administração pública, nas agências internacionais e nas companhias multinacionais é sobretudo esta: permanecei ao nosso lado de modo verdadeiramente humano, acompanhai-nos as nós, às nossas famílias e comunidades.

O desenvolvimento econômico e social da África requer a coordenação das ações governamentais nacionais com as iniciativas regionais e com as decisões internacionais. Uma tal coordenação supõe que as nações africanas não sejam apenas consideradas como destinatárias dos planos e soluções elaborados por outros. Os próprios africanos, trabalhando juntos para o bem das suas comunidades, devem ser os agentes primários do seu desenvolvimento. A tal propósito, existe um número crescente de eficazes iniciativas que merecem ser sustentadas. Contam-se entre elas a New Partnership for Africa’s Development (NEPAD) e o Pacto para a segurança, a estabilidade e o desenvolvimento na Região dos Grandes Lagos, juntamente com o Kimberley Process, a Publish What You Pay Coalition e a Extractive Industries Transparency Iniziative, que promovem a transparência, o exercício comercial honesto e o bom governo. Quanto à comunidade internacional no seu todo, é de urgente importância a coordenação dos esforços para enfrentar a questão das alterações climáticas, a realização plena e honesta dos compromissos em prol do desenvolvimento indicados pelo Doha round e, de igual forma, a realização desta promessa muitas vezes repetida pelos países desenvolvidos: destinarem 0,7% do seu PIB (produto interno bruto) para ajudas oficiais ao desenvolvimento. Esta assistência é ainda mais necessária hoje com a tempestade financeira mundial em curso; que ela não seja mais uma das suas vítimas.

Amigos, concluo minha reflexão confidenciando que esta minha visita a Camarões e a Angola suscita em mim aquela alegria humana profunda que se sente ao voltar a casa, ao seio da família. Creio que a mesma experiência é o dom comum que a África faz a quantos vêm de outros continentes aqui, onde «a família representa a base sobre a qual está construído o edifício da sociedade» (Ecclesia in Africa, 80).

Entretanto, como todos sabem, também aqui se abatem numerosas pressões sobre as famílias: angústia e humilhação causadas pela pobreza, desemprego, doença, exílio para mencionar apenas algumas. Particularmente inquietante é o jugo opressivo da discriminação que pesa sobre mulheres e moças, para não falar daquela prática inqualificável que é a violência e exploração sexual que lhes causa tantas humilhações e traumas. Devo ainda referir uma nova área de grave preocupação: as políticas daqueles que, com a ilusão de fazer crescer o «edifício social», estão ameaçando os seus próprios alicerces. Que amarga é a ironia daqueles que promovem o aborto como um dos cuidados de saúde «materna»! Como é desconcertante a tese de quantos defendem a supressão da vida como uma questão de saúde reprodutiva (cf. Protocolo de Maputo, art. 14)!

Senhoras e Senhores, encontrareis sempre a Igreja – por vontade do seu divino Fundador – ao lado dos mais pobres deste continente. Posso assegurar-vos que ela, através de iniciativas diocesanas e inumeráveis obras educativas, de saúde e sociais das diversas ordens religiosas, continuará a fazer tudo o possível para apoiar as famílias, nomeadamente feridas pelos trágicos efeitos da AIDS, e promover a igual dignidade de homens e mulheres com base em uma harmoniosa complementaridade. O caminho espiritual do cristão é o da conversão diária. A Igreja convida todos os líderes da humanidade a tomar esse caminho, para que esta última possa trilhar as sendas da verdade, da integridade, do respeito e da solidariedade.

Senhor Presidente, desejo reiterar-lhe a minha viva gratidão pelo acolhimento que nos ofereceu em sua casa. Agradeço a todos e cada um de vós pela amável presença e escuta atenta. Contai com as minhas orações por vós e vossas famílias e por todos os habitantes desta África maravilhosa. O Deus do Céu vos seja propício e a todos abençoe!

RV

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DISCURSO DE BOAS-VINDAS A ANGOLA

Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Ilustríssimas Autoridades civis e militares,
Venerados Irmãos no Episcopado,
Queridos amigos angolanos!

Com um profundo sentimento de respeito e simpatia, piso o solo desta nobre e jovem Nação no âmbito duma visita pastoral, que, no meu espírito, tem por horizonte o continente africano, mas os passos tive de os limitar a Yaoundé e Luanda. Saibam porém que, no meu coração e oração, tenho presentes a África em geral e o povo de Angola em particular, a quem desejo oferecer o meu cordial encorajamento a prosseguir no caminho da pacificação e da reconstrução do país e das instituições.

Senhor Presidente, começo por lhe agradecer o amável convite que me fez para visitar Angola e as cordiais expressões de boas-vindas que acaba de me dirigir. Aceite a minha deferente saudação e venturosos votos, que estendo às demais autoridades que gentilmente vieram receber-me. Saúdo toda a Igreja Católica em Angola na pessoa dos seus Bispos aqui presentes e agradeço a todos os amigos angolanos o caloroso acolhimento que me reservaram. A quantos me acompanham pela rádio e televisão chegue a expressão da minha amizade, com a certeza da benevolência do Céu sobre a missão comum que nos está confiada: construirmos juntos uma sociedade mais livre, mais pacífica e mais solidária.

Como não recordar aquele ilustre visitante que abençoou Angola no mês de Junho de 1992: o meu amado antecessor João Paulo II?! Incansável missionário de Jesus Cristo até aos confins da terra, mostrou o caminho para Deus, convidando todos os homens de boa vontade a escutarem a própria consciência rectamente formada e a edificarem uma sociedade de justiça, paz e solidariedade, na caridade e no perdão recíproco. Quanto a mim, venho de um país onde a paz e a fraternidade são caras aos corações de todos os habitantes, em particular de quantos – como eu – conheceram a guerra e a separação entre irmãos pertencentes à mesma nação, por causa de ideologias devastadoras e desumanas que, sob a falsa aparência de sonhos e ilusões, faziam pesar sobre os homens o jugo da opressão.

Compreendeis por isso como sou sensível ao diálogo entre os homens para superar qualquer forma de conflito e de tensão e fazer de cada nação – e, por conseguinte, também da vossa Pátria – uma casa de paz e fraternidade. Com tal finalidade, deveis tirar do vosso património espiritual e cultural os valores melhores de que Angola é portadora, para irdes ao encontro uns dos outros sem medo, aceitando partilhar as próprias riquezas espirituais e materiais em benefício de todos.

 Como não pensar aqui nas populações da província do Kunene flageladas por chuvas intensas e aluviões que provocaram numerosos mortos e deixaram tantas famílias desalojadas pela destruição das suas casas? Àquelas provadas populações desejo neste momento fazer chegar a certeza da minha solidariedade juntamente com um particular encorajamento à confiança para recomeçarem com a ajuda de todos.  Queridos amigos angolanos, o vosso território é rico; a vossa nação é forte. Usai, porém, estes vossos créditos para favorecer a paz e o entendimento entre os povos, numa base de lealdade e igualdade que promova na África aquele futuro pacífico e solidário a que todos aspiram e têm direito. Para isso, vos peço: Não vos rendais à lei do mais forte! Porque Deus concedeu aos seres humanos voar, sobre as suas tendências naturais, com as asas da razão e da fé. Se vos deixardes levar por elas, não será difícil reconhecer no outro um irmão que nasceu com os mesmos direitos humanos fundamentais. Infelizmente, dentro das vossas fronteiras angolanas, há ainda tantos pobres que reclamam o respeito dos seus direitos. Não se pode esquecer a multidão de angolanos que vive abaixo da linha de pobreza absoluta. Não desiludam as suas expectativas!

Trata-se de uma obra imensa, que requer uma maior participação cívica de todos. É necessário envolver nela a sociedade civil angolana inteira, mas esta precisa de apresentar-se mais forte e articulada tanto entre as forças que a compõem como também no diálogo com o Governo. Para dar vida a uma sociedade verdadeiramente atenta ao bem comum, são necessários valores compartilhados por todos. Estou convencido de que Angola poderá encontrá-los também hoje no Evangelho de Jesus Cristo, como sucedeu tempos atrás com um vosso ilustre antepassado, Dom Afonso I Mbemba-a-Nzinga; há quinhentos anos, deu ele início em Mbanza Congo a um reino cristão que sobreviveu até ao século XVIII. Das suas cinzas pôde depois surgir, já na passagem do século XIX para o XX, uma Igreja renovada que não pára de crescer até aos dias de hoje, graças a Deus! Eis o motivo imediato que me trouxe a Angola: encontrar-me com uma das mais antigas comunidades católicas da África sub-equatorial, para a confirmar na sua fé em Jesus ressuscitado e unir-me às preces de seus filhos e filhas para que o tempo da paz, na justiça e na fraternidade, não conheça ocaso em Angola, permitindo-lhe cumprir a missão que Deus lhe confiou em favor do seu povo e no concerto das nações. Deus abençoe Angola!

RV

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Bento XVI: ‘Angola é um país forte e rico’

O Papa Bento XVI desafiou  Angola a tornar-se uma sociedade “mais livre e mais justa”. Em declarações, ainda no Aeroporto 4 de Fevereiro, Bento XVI lembrou também que Angola é um país rico, devendo utilizar esses recursos a favor de todos, em especial dos mais pobres e pediu a paz definitiva porque Angola também “é um país forte”.

O Papa foi recebido pelo Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, e mulher, Ana Paula dos Santos e pelo Primeiro-Ministro, Paulo Kassoma. Bento XVI dirigiu-se depois para o local da fotografia oficial, onde escutou os hinos de Angola e do Vaticano, e deslocou-se a seguir para um estrado coberto, onde vai proferir as primeiras palavras em solo angolano.

É com grande alegria ”que Angola recebe o Papa em Angola”, garantiu o chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, que salientou ter os mesmo objectivos que Sua Santidade: “Construir uma nação com valores, uma nação de paz, reconciliada com a sua história recente”. “Hoje já são visíveis os sinais da reconstrução de Angola e pomos dizer que os benefícios da paz já se fazem sentir em menos ou maior grau na vida de cada cidadão. Mas isso é apenas o começo”, reforçou o Presidente Angolano.

As ruas da cidade de Luanda têm milhares de pessoas que anseiam por ver o Papa e dar as boas-vindas. Estão mobilizados dez mil agentes da polícia para garantir a segurança.
 
Fonte:Lusa

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Presidente angolano agradeceu a intervenção da Igreja na conquista pela paz

O Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, expressou hoje “boas-vindas” ao Papa, na sua chegada a Luanda, onde inicia uma visita de três dias, e agradeceu a intervenção da Igreja na conquista da paz.

José Eduardo Santos disse no seu discurso que, depois da conquista da paz, a reconstrução de Angola passa “necessariamente pela revitalização do homem angolano na sua plenitude”, tornando-o “o ponto de partida e de chegada de toda a actividade social” que tenha por objectivo a satisfação “justa e legítima” das suas necessidades materiais e espirituais.

“Hoje já são visíveis os sinais da reconstrução de Angola e podemos dizer que os benefícios da paz já se fazem sentir em maior ou menor grau na vida de cada cidadão, mas isso é apenas o começo, porque sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer para construirmos o bem-estar para todos”, disse José Eduardo dos Santos.

O Chefe de Estado angolano sublinhou que o sentimento de esperança esteve “sempre presente” entre o povo angolano, acrescentando que esta sensação “não é alheia” à direcção da Igreja católica, seus pastores e a compreensão do Estado do Vaticano, com quem Angola mantém “as melhores relações”.

Na manifestação da grande alegria no acolhimento do Papa, José Eduardo dos Santos lembrou que a Igreja católica, por ser aquela que congrega o maior número de fiéis, “tem um papel relevante a desempenhar na consolidação de uma nação espiritualmente harmónica, capaz de assumir as suas responsabilidades em defesa da honra e da dignidade humana, da justiça, da solidariedade, da liberdade e da paz universal”.

“Esse papel já vinha sendo assumido nos constantes apelos à paz e à reconciliação e também na recuperação do tecido social profundamente atingido pelo conflito armado, através da difusão de princípios morais e cívicos”, referiu o Presidente angolano.

No final, José Eduardo dos Santos reiterou os votos de boas-vindas a Angola, esperando que se cumpram todas as expectativas de Bento XVI, sobre a religiosidade e fé do povo angolano, bem como a sua disponibilidade para defender a paz e a harmonia entre todas as nações do mundo.

O programa de visita de Bento XVI reserva para a parte da tarde um encontro com o Presidente angolano na sua residência oficial.

  
Fonte:Jornal de Angola

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Que o tempo da paz, na justiça e na fraternidade, não conheça ocaso em Angola, permitindo-lhe cumprir a missão que Deus lhe confiou em favor do seu povo e no concerto das nações: Bento XVI á sua chegada a Luanda

Na saudação pronunciada no aeroporto de Luanda logo à chegada a Angola no inicio da tarde desta sexta feira, Bento XVI declarou o desejo de oferecer ao povo angolano um “cordial encorajamento a prosseguir no caminho da pacificação e da reconstrução do país e das suas instituições”. Agradecendo ao presidente de Angola o convite a visitar o país, e as saudações que acabara de lhe dirigir, o Papa quis evocar João Paulo II, que ali se deslocou em Junho de 1992:

“Incansável missionário de Jesus Cristo até aos confins da terra, mostrou o caminho para Deus, convidando todos os homens de boa vontade a escutarem a própria consciência rectamente formada e a edificarem uma sociedade de justiça, paz e solidariedade, na caridade e no perdão recíproco.”

Pela sua parte, disse, vindo de um país que conheceu a guerra e a separação entre irmãos “por causa de ideologias devastadoras e desumanas que, sob a falsa aparência de sonhos e ilusões, faziam pesar sobre os homens o jugo da opressão”, Bento XVI declarou-se “sensível ao diálogo entre os homens para superar qualquer forma de conflito e de tensão e fazer de cada nação uma casa de paz e fraternidade”. Para tal, “há que ir ao encontro uns dos outros sem medo, aceitando partilhar as próprias riquezas espirituais e materiais em benefício de todos”.

“Queridos amigos angolanos, o vosso território é rico; a vossa nação é forte. Usai, porém, estes vossos créditos para favorecer a paz e o entendimento entre os povos, numa base de lealdade e igualdade que promova na África aquele futuro pacífico e solidário a que todos aspiram e têm direito. Para isso, vos peço: Não vos rendais à lei do mais forte!”

Recordando que “Deus concedeu aos seres humanos voar… com as asas da razão e da fé”, o Papa convidou todos os angolanos a “reconhecer no outro um irmão que nasceu com os mesmos direitos humanos fundamentais”. Isso, porque – lembrou – infelizmente existem ainda em Angola “muitos pobres, que reclamam o respeito dos seus direitos”.

“Não se pode esquecer a multidão de angolanos que vive abaixo da linha de pobreza absoluta. Não desiludam as suas expectativas!
Trata-se de uma obra imensa, que requer uma maior participação cívica de todos. É necessário envolver nela a sociedade civil angolana inteira, mas esta precisa de apresentar-se mais forte e articulada tanto entre as forças que a compõem como também no diálogo com o Governo. Para dar vida a uma sociedade verdadeiramente atenta ao bem comum, são necessários valores compartilhados por todos”.

Bento XVI exprimiu a sua convicção de que Angola poderá encontrar esses valores comuns no Evangelho de Jesus Cristo, seguindo as pegadas dos angolanos que já há quinhentos anos a ele aderiram:

Eis o motivo imediato que me trouxe a Angola: encontrar-me com uma das mais antigas comunidades católicas da África sub-equatorial, para a confirmar na sua fé em Jesus ressuscitado e unir-me às preces de seus filhos e filhas para que o tempo da paz, na justiça e na fraternidade, não conheça ocaso em Angola, permitindo-lhe cumprir a missão que Deus lhe confiou em favor do seu povo e no concerto das nações. Deus abençoe Angola!

Eduardo dos Santos, por seu lado, confessou que a visita papal tem sido aguardada com “grande expectativa”, revelando que milhares de voluntários ajudaram as autoridades políticas e religiosas na prepração da recepção ao Papa.
Os angolanos, assinalou, “farão tudo o que estiver ao seu alcance” para dar a esta visita “a dimensão, a projecção e a elevação que ela merece”.

“É com grande alegria que acolhemos Sua Santidade. No fundo, concorremos todos para a realização do mesmo ideal, consolidar uma nação espiritualmente harmónica e tolerante, capaz de assumir as suas responsabilidades em defesa da honra e da dignidade humanas”, apontou.
O Chefe de Estado angolano falou no “papel relevante” da Igreja na construção da paz e reconciliação em Angola, bem como na manutenção entre os angolanos de “um sentimento de esperança”.
Bento XVI, que recebeu honras protocolares reservadas a um Chefe de Estado, seguiu depois, a bordo do seu “Papamóvel”, num cortejo que percorreu várias artérias da cidade de Luanda, antes de chegar à sua residência oficial, na Nunciatura Apostólica.

O lema da visita papal é “Bento XVI abençoa a Nossa Terra”.
Ainda hoje, Bento XVI encontra-se com o presidente José Eduardo dos Santos, com autoridades civis e políticas, com o corpo diplomático e com os Bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé.
No Sábado, 21, o programa do Papa inclui uma Missa na Igreja de São Paulo e um encontro com os jovens, mais tare, no Estádio dos Coqueiros.

No Domingo tem lugar uma Missa na esplanada de Cimangola e à tarde um encontro com os movimentos católicos responsáveis pela promoção da mulher.
A viagem, que em Angola assinala os 500 anos de evangelização deste país lusófono, conclui-se Segunda-feira, 23 de Março, com uma cerimónia de despedida no aeroporto de Luanda. A última visita de um Papa aconteceu em Junho de 1992, por João Paulo II, celebrando os começos da evangelização do país, há cinco séculos atrás.

RV

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Visita do Papa a Angola poderá ter aproveitamento eleitoral

Opadre Tony Neves, que viveu em Angola entre 1989 a 1994, diz ser “inevitável que isso aconteça e não é uma culpa que se possa imputar à Igreja Católica”. 

A visita do Papa a Luanda pode ser utilizada para fins eleitorais, considera um padre católico português da congregação Missionários do Espírito Santo e investigador de Ciência Política, que viveu vários anos em Angola.

“Essa ambiguidade da ligação temporal entre a visita do Papa e as presidencias pode ser aproveitada pelos políticos (angolanos) com fins eleitoralistas”, diz à Lusa o padre Tony Neves, que está a terminar um doutoramento sobre “O papel da Igreja Católica na Reconciliação em Angola”, na Universidade Lusófona. Segundo o padre Neves, “é inevitável que isso aconteça e não é uma culpa que se possa imputar à Igreja Católica”.

Angola aguarda a data da marcação das eleições presidenciais, que depende ainda, segundo o chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, de uma revisão constitucional.

“O Papa tem visitado muitos países e por mais que escolha as alturas nem sempre consegue ir em momentos mais ou menos isentos, até porque a história dos povos nunca tem momentos brancos, há sempre qualquer coisa que dá para aproveitar”, refere o religioso, que viveu em Angola entre 1989 a 1994, num dos períodos mais intensos do conflito armado no país.

O padre Tony Neves sustenta que ao convidar o Papa para visitar Angola a Igreja angolana tinha como objectivo que Bento XVI confirmasse a missão e o trabalho realizados pelos religiosos naquele país africano.

A visita de Bento XVI a Angola, declara, tem uma dimensão simbólica, uma vez que se trata da sua primeira viagem ao continente africano. “Foi um opção deliberada, para confirmar o trabalho que a Igreja realizou para a paz de Angola e, agora, pelo seu esforço na reconstrução do país”, afirma o religioso, que também é director do jornal “Acção Missionária” e coordenador do movimento “Jovens Sem Fronteiras”.

Segundo o padre, “o próprio Governo angolano reconhece que a Igreja é um parceiro fundamental neste trabalho de reconstrução do país”, adianta, acrescentando que “é necessário reconstruir a parte material e também o tecido social da nação, que foram atingidos violentamente pela guerra”.

O religioso estima que 90% da população angolana é baptizada em religiões cristãs e 50 por cento do país é católica. “Acredito que a Igreja, percentualmente, vai crescer muito ainda em Angola, já que durante a guerra muitas pessoas não tinham assistência religiosa, ao contrário de agora, que todas as regiões do país têm serviços religiosos estruturados”, argumenta o padre, que passou temporadas em vários outros países africanos.

Posteriormente, pode estabilizar ou diminuir, segundo Tony Neves, tendo em conta o que acontece hoje, por exemplo, na Europa onde as pessoas acham que “Deus deixou de ser útil”.

O religioso não discorda da desaprovação do Papa em relação à distribuição de preservativos para combater a propagação da sida, pois acredita que a mentalidade do “pode-se fazer sexo à toa, mas protege-te” não resolve o problema, na medida em que a distribuição em África deste tipo de protecção é irregular, como acontece com os alimentos.

“As pessoas acostumam-se com a ideia de que podem fazer sexo à toa e, mesmo quando não têm o preservativo, continuam a praticá-lo. Além disso, quando há dinheiro, as pessoas não gastam em preservativos e sim em comida, pois não têm condições mínimas de saúde, educação e alimentação”, declara o padre Tony Neves, que também é autor de livros sobre suas experiências em África. “É mais eficiente ter um parceiro único”, refere, defendendo que é necessário a gestão responsável da r elação sexual e dos afectos, além de uma efectiva educação nas escolas.

 

Fonte: Lusa

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Sector dos diamantes é o mais afectado devido à crise

O sector dos diamantes é o que mais se ressente em Angola dos efeitos da crise financeira e económica internacional, cujo preço de comercialização caiu mais de 40%, revelou hoje o primeiro-ministro, António Kassoma.

O governante falava aos deputados durante o plenário que serviu para interpelar o executivo sobre a crise financeira e económica internacional e os seus efeitos na economia angolana.Segundo o primeiro-ministro, os projectos diamantíferos de pequena dimensão correm o risco de se tornarem “inviáveis” do ponto de vista económico e financeiro, e “insustentáveis” para a manutenção da actividade de mineração.

Em alternativa, anunciou que, o Estado está a intervir na compra das produções de diamantes enquanto os preços estiverem em baixa para permitir a continuidade das empresas produtoras. “Para o efeito, foi celebrado um memorando de entendimento entre o ministérios da Geologia e Minas, das Finanças e o Banco Nacional de Angola para cuidar dos aspectos operacionais relativos à aquisição e alienação dos diamantes adquiridos pelo Estado”, salientou o primeiro-ministro.

Na interpelação, de iniciativa do grupo parlamentar do partido no poder, MPLA, António Kassoma informou os deputados que a queda dos preços dos principais produtos de exportação, resultará numa redução das receitas fiscais. “Assumindo-se que o preço médio de exportação do petróleo bruto se situe em cerca de 35 dólares o barril, avalia-se que a receita petrolífera se reduza, em relação ao Orçamento Geral do Estado aprovado de 2009, pelo que a equipa económica do Governo continua a avaliar o impacto da sua redução”, salientou o primeiro-ministro.

Nessa perspectiva, António Kassoma considera “essencial” a observância do princípio de diversificação da economia através da introdução da vertente agro-industrial para que esta continue a crescer e permita criar mais empregos, garantindo a implementação dos projectos do sector social, nomeadamente da saúde, educação, abastecimento de água potável, energia eléctrica e saneamento básico. “Vamos continuar a assegurar a manutenção da estabilidade macroeconómica, com a meta da inflação prevista, para este ano, de 10%, o controlo do défice público e a preservação do valor da moeda nacional, o kwanza”, frisou.

O primeiro-ministro anunciou ainda que, no quadro da implementação dos grandes programas de investimentos, o Governo está a renegociar os contratos de empreitada já celebrados para adequá-los à capacidade financeira do Estado. “A despesa orçamentada de bens e serviços será também reduzida em 35%”, disse. Anunciou ainda que o executivo deverá concluir até ao final do ano o diagnóstico das empresas públicas estratégicas, tendo em vista a melhoria do seu desempenho.
 

  
Fonte:AngoNoticias

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