Friday, September 26, 2008

Vou-me embora. A UNITA Tem de aprender com o MPLA!» Dinho Chingunji

Último dirigente a desvincular-se da UNITA – fê-lo exactamente na véspera das eleições Eduardo «Dinho» Chingunji não poderá evitar que amplas franjas da sociedade levem algum tempo a digerir essa decisão.

Era ministro da Hotelaria e Turismo ao cair do pano sobre o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN) e quando anunciou a sua saída da UNITA disse que votaria pelo MPLA. Por isso recai sobre ele alguma suspeição de oportunismo.

O Semanário Angolense deu a palavra a Dinho Chingunji para que ele mesmo explique as suas razões. Na entrevista ele aponta um ror de problemas que determinaram o fim da sua relação com o «Galo Negro» e chega mesmo a fazer uma profusão de elogios ao MPLA, mas em nenhum momento assume qualquer vínculo com o partido no poder.

Semanário Angolense (SA) – Vamos começar pelo fim da sua relação com a UNITA. Resolveu abandonar o partido mesmo no dia anterior ao descalabro eleitoral para as legislativas de 2008. Soou estranha esta decisão.

Dinho Chingungi (DC) – A minha decisão decorre da forma como foi excluída a minha candidatura à presidência do partido no último congresso, o décimo. Em 2003, concorri e fui derrotado. Aceitei a derrota com espírito democrático, a democracia que está na base da minha forma de estar, da minha educação. Em 2007, para o X congresso, fui ter com o presidente Samakuva e anunciei-lhe a minha vontade de voltar a disputar o lugar de presidente do partido.

Achava que tinha ideias válidas para a vida do partido e para os angolanos que deveria submeter ao crivo dos delegados. Samakuva disse-me que entendia e não pôs qualquer objecção. No final do IX congresso havia prometido voltar a candidatar-me, queria também contribuir para o debate interno no partido.

SA – Então, o que foi que correu mal?
DC – Alguns dias depois da conversa partido, recebi um convite, para uma conversa, da parte do secretário geral Mário Vatuva em que, na presença de outros elementos da direcção, me pediu que retirasse a minha candidatura. Estavam lá os mais velhos Chiwale, Chassanha e o próprio Samakuva.

Os argumentos eram os de que seria humilhado publicamente; que era jovem e que teria tempo de progressão; que a UNITA precisava de candidatos consequentes e que eu era jovem e era militante da TRD (Tendência de Reflexão Democrática).

Argumentei que tinha sido fundador do Fórum Democrático Angolano (FDA) e que, com outros camaradas, tínhamos fundado o Fórum para reclamar contra a violação dos direitos humanos na UNITA. Eu nem tinha levantado este assunto, mataram a minha família, mas eu tinha ultrapassado isso. Foram eles que levantaram o assunto. Por ter sido vítima estava a s e r excluído terem utilizado esse episódio.

Antes tinham sido as manobras: ora não tinha pago as quotas, o que fiz de seguida, e paguei até Dezembro, ora não tinha cartão do partido, coisa de que estava à espera havia anos, ora Não tinha prova de militância activa.

Para fazer chegar o processo de candidatura, por exemplo, f oi uma correria tão grande que, quando chegamos ao Dr. Justino Pinto de Andrade, descobrimos Que nos tinham retirado a fotocópia do BI. Resolvemo-lo na hora. Até que, dias depois, começa a Correr a idéia de que no Tribunal Supremo eu estava inscrito como membro de um outro partido.

Isto numa altura em que o Fórum já nem existia. Mesmo assim garantiram-me por várias vezes que a minha candidatura não seria retirada, mas acabaram por retirá-la numa altura em que eu nem estava em Angola. Naquele dia, antes de partir, telefonei à sede e disseram-me que estava tudo bem. Uma das pessoas com quem falei foi o próprio Alcides Sakala. Quando cheguei à África do Sul recebi a notícia da não-aceitação.

Fez me lembrar o tempo da Jamba: quando te dissessem que estava tudo bem era sinal de que a noite teiriam buscar. Veja que em 2003 fui candidato à presidência do partido sem problemas, em 2007 deixei de estar conforme por causa de um assunto do passado a que tinha sido forçado quando estavam a matar toda a minha família e outras pessoas.

Para eles, o bom candidato era alguém que tivesse sido fiel à UNITA durante todo o Tempo, com as coisas boas e as coisas más que aconteceram e que tivesse concordado sempre com a direcção. Eu nunca poderia concordar com as coisas más.

Naquela altura tomei a decisão de me retirar da UNITA, o partido que não me queria. Quando voltei Só o não fiz porque se dizia que estragaria o congresso e porque membros do Governo aconselharam- me a não dar a idéia de instabilidade no Governo. Aconselharam-me a manter-me até ao fim do GURN (Governo de Unidade e Reconciliação nacional) para dar continuidade ao Trabalho que estava a fazer.

SA – Está a romper com a UNITA ou com a direcção de Isaías Samakuva?

DC – Foram eles que me bloquearam em nome do partido. Foram pessoas que tomam decisões diárias da vida do partido. Ou sou bem vindo no partido, ou não sou. Em 2003, depois do congresso, apesar das promessas de reunificação e acomodação das alas, fiquei largo tempo sem qualquer cargo no partido. Sei que renunciei, mais à frente, à função ligada aos arquivos e história do partido.

Eu sou um jovem dinâmico, queria contribuir de outra forma. Fiquei largo tempo sem nada para fazer em termos partidários. Quando voltei à UNITA foi a convite de Manuvakola, pelo meu passado e pelo peso da Minha família. Quando acabou a guerra falei com o general Gato, também ele me acolheu e disse Que o meu contributo era necessário, que teríamos de nos unir todos, com os passados e importância de cada um.

SA – Mas a UNITA de Samakuva acomodou-o no Governo, deu-lhe uma função, acção…
DC – Foi por minha iniciativa. Fui ter com o presidente e, sabendo que se estava a preparar propostas para o GURN, pedi-lhe que apontasse o meu nome. Ele pediu-me os documentos necessários e recomendou que lhos entregasse em mãos. Suponho que algumas pessoas na direcção não o souberam, ou teriam feito tudo para chumbar o meu nome.

SA – Neste caso Samakuva não foi mau para si. Foi seu adversário no congresso, mas Mesmo assim pô-lo num bom cargo, no Governo, em nome da UNITA.

DC – Foi por proposta minha. Se não tivesse falado com ele eu não teria sido nomeado. Obviamente que agradeço-lhe a coragem de ter aceite a minha iniciativa. Foi quase um pacto secreto.

SA – Então o problema não é com Samakuva, é com a UNITA.
DC – O problema é com o aparelho do partido

A autofagia é uma prática que penaliza a UNITA

Dinho Chingunji viveu na carne os efeitos de um processo de «canibalização» que vitimou os membros da sua família, entre os quais Tito Chingunji, seu tio e antigo representante Da UNITA nos Estados Unidos, um prometedor dirigente que despontava na organização. Por isso, ele não tem dúvidas: a autofagia é uma prática que penaliza tremendamente a UNITA. Apesar das dores, nesta entrevista, Dinho Chingunji assegura que esse não foi o factor determinante na sua decisão de bater com a porta. Sai para fazer muitas outras coisas, sem descurar a possibilidade de criar uma terceira via.

SA – Uma questão se torna obrigatória nesse momento. O senhor, depois de tudo isso, depois de ter conhecido e sofrido a história da UNITA, depois de ter sido ministro pela UNITA No GURN, só agora se lembra destas dores?

DC – Ninguém me pode acusar de ter levantado essas dores. Em 2003 concorri sem problemas. Agora questionaram a minha pertença à UNITA. Eu concorri justamente para mostrar que na UNITA há gente boa e competente.

Mas, para eles, eu não sou um «bom UNITA» porque não pactuo com certas práticas. Quando comecei a saber das coisas não conheci nada que não fosse a UNITA. Lembro-me de certo dia em que o primo do meu pai, o tio Sabino Sandele, levava-me numa motorizada e um polícia colonial interpelou-nos.

O polícia fez perguntas a meu respeito, já que o meu tio era mestiço. Perguntou sobre o meu pai e eu respondi que ele estava nas matas a matar tugas. Criei um grande problema ao meu tio. Eu cresci na UNITA, assisti a reuniões dos mais velhos e ajudei a passar documentos. Em 1979, o meu pai foi morto a paulada e aí começo use a estragar tudo.

Eu quis recuperar a inocência inicial da UNITA, quando era um partido de gente boa, comprometida apenas com Angola. Chegou-se a uma altura em que ser um general brilhante Ou ser um intelectual brilhante era crime na UNITA. Eu queria recuperar as coisas boas da UNITA, mas fui ostracizado. Como se admite que um partido que tinha bilhões de dólares seja derrotado?

SA – Se ao encontrar resistências às suas idéias o senhor sai, se toda a gente agir assim não Se irá fragmentar o partido, ou mesmo extingui-lo?
DC – Há que discutir as coisas. Há que criar o ambiente necessário. Eu decidi sair quando me travaram no congresso, injustamente.

SA – Há quem ache estranho o timing que escolheu para anunciar a sua adesão ao MPLA…
DC – O timing faço-o eu. Geri a data para acautelar conotações e especulações. Seja como for, estou habituado. Quando em Londres me levantei contra a direcção da UNITA, fui ameaçado e acusado de estar a ser manipulado pelo MPLA. Vou fazer outras coisas.
SA – Está mais próximo do MPLA ou de uma UNITA transfi - gurada?
DC – Quero bater-me pelas minhas ideias. Quero ter uma maior intervenção social. Quero pisar os
Caminhos do meu avô que dizia que a melhor arma é o livro. Há que criar sindicatos, fundações, etc., mas sempre com visão nacional e não partidária.

SA – Para isso pode precisar de um partido.
DC – Tenho quatro anos para pensar nisso.

SA – Vai criar uma terceira via?
DC – É por aí.

Estavam convencidos que as eleições só seriam em 2010

UNITA foi apanhada em contra-pé «A UNITA não se preparou convenientemente para as eleições, até porque havia gente que acreditava piamente que as eleições seriam realizadas apenas em 2010, para que o governo capitalizasse com a realização do CAN» garante Dinho Chingunji

SA – O que provocou a derrota da UNITA foi a sua postura mais arcaica?
DC – Eu escrevi, nos Estados Unidos, que se depois da derrota militar a UNITA não discutisse profundamente os seus problemas internos iria perder as eleições. Foi a UNITA quem projectou o MPLA. Ao longo da sua história, a UNITA fez-se sempre passar por vítima, ou dos americanos, ou dos
Soviéticos, ou das Nações Unidas, etc. Falou tanto das maldades do MPLA que este aproveitou a projecção que a UNITA lhe dava e seduziu as pessoas.

Esta coisa de remexer o passado para travar as pessoas é que derrotou a UNITA, um partido que não está a conquistar a sociedade. A UNITA fechou-se nas suas próprias intrigas. Não seduziu a sociedade urbana. Para as gentes da UNITA, ser visto a conversar com alguém que não seja do partido é traição. A prática interna da UNITA não está a dar. São sempre os mais velhos a ter a última palavra. Como pode ganhar um partido que sofre tal sangria de quadros?

Saiu o Nzau Puna, o Tony Feranandes, saiu tanta gente e não se aprende. A UNITA, que não é um partido qualquer, perdeu agora as eleições porque muita gente que lhe é afecta nem votou nela. Desperdiçou quadros e ficou com gwente que em condições normais não teria a máquina do partido em mãos. Gente que se guia pela cartilha e não entende o mundo. Como perder eleições face a um partido que governa há 33 anos e que deveria estar mais que desgastado? O povo queria mudar, mas a UNITA não foi a alternativa.

No Zimbabwe, com toda a violência de Robert Mugabe e todas as manobras, o MDC (Movimento de Mudança Democracia) ganhou, porque o povo entendeu que aí estava a mudança efectiva, uma alternativa. Na UNITA julgou-se que ouvindo as conversas nos candongueiros, em que se mostrava a insatisfação com o Governo, estava tudo ganho. A UNITA não se preparou convenientemente para as eleições, até porque havia seriam realizadas apenas em 2010, para que o governo capitalizasse com a realização do CAN.

Mesmo depois do registo eleitoral e da convocação do Conselho da República, houve gente que insistia que o MPLA não queria ir a votos. A UNITA queria eleições mas não se preparou para elas. A UNITA é um partido histórico que deveria arrastar a sociedade civil e não estar a reboque desta.

Para ser alternativa a UNITA tem de aprender com o MPLA, o único partido comunista que se agüentou numa atmosfera democrática depois da queda do bloco soviético.

O MPLA está a muda com o tempo. Tem estado sempre à frente. A UNITA tem de estudar bem o MPLA, tem de se perguntar como consegue? A UNITA fala em democracia mas na realidade quem se tem renovado é o MPLA, com um gestor que garante os equilíbrios.

Quando a UNITA tiver entendido o MPLA aí encontrará o seu próprio equilíbrio e a sua força. Dou um exemplo: enquanto a UNITA sonhava com o voto garantido no Huambo e no Bié, o MPLA foi lá, falou com os sobas, com a população e construiu alguma coisa que lhe permitiu a vitória. Esta derrota mostrou a carência de quadros da UNITA, faltam quadros com dom de liderança. Hoje a UNITA compete com o PRS.

Não se conseguiu trazer de volta nomes como Nzau Puna, Tony Fernandes e ainda afastou-se figuras como Jorge Valentim. Estas figuras de grande intervenção e capacidade políticas passaram de bons a diabos em 24 horas. Quando o MPLA, o principal adversário, vai buscar quadros de valor acrescentado às universidades e à UNITA, a UNITA vai buscar gente frustrada de outros partidos.

A receita de Dinho Chingunji para uma «Nova UNITA»

Para Dinho Chingunji, antes de se preocupar com um programa político de governação, a prioridade da UNITA deveria ser a resolução dos problemas sociais das próprias pessoas que a organização controlava e que estão hoje na rua da amargura. O entrevistado do Semanário Angolense diz mesmo haver entre elas gente com graves perturbações sociais e de saúde. É por aí que a UNITA deveria atacar. Como fazer isso? Dinho Chingunji dá a receita.

SA - E como faria isso?
DC – Eu tinha um programa que implicaria um apertar de cintos mas que traria frutos. Seria necessário apostar na criação de cooperativas, agrícolas para apoiar os milhares de membros do partido no campo. Seria necessário incentivar a criação de empresas para apoiar membros do partido e para financiar as suas estruturas, capacitando as para estar junto da sociedade. Os projectos sociais poderiam contar com apoios do Estado e da comunidade internacional. Quando expus estas ideias, disseram que eu era populista.

Mas há que lembrar que nesta sociedade há sítios em que não se abrem as portas a pessoas da UNITA. Ainda existe um certo estigma. Eu mesmo, depois de estar no Governo, ainda há gente, mesmo no governo, que é capaz de passar sem me cumprimentar só por ser da UNITA. Há que apoiar as gentes da UNITA a afirmarem se socialmente. O abandono está a levar gente a morrer de problemas do coração.

Estas são as minhas preocupações. Apesar de tudo, acho que a UNITA ainda t e m algum patrimônio que deveria ser bem utilizado.

Mas para fazer isso é necessário que a UNITA ultrapasse certas coisas para criar melhor ambiente na organização e abertura de espírito. Eu, por exemplo, ultrapassei o facto de a minha família ter sido morta. Não precisei de psicoterapia. Há gente nos Estados Unidos que ainda pergunta como sou capaz. Os meus sentidos são abertos.

SA – Com estas idéias a favor de uma nova UNITA, como reagiria se os militantes o quisessem de volta? Se criar uma vaga de fundo?
DC – O meu coração não está aí. Olhe que fiz um jogo perigoso: abracei a UNITA e afinal eles não me queriam lá.

SA – E como vê o futuro imediato da UNITA?
DC – Deixe que diga que, por mim, com esta derrota eleitoral, se deveria criar, de imediato, uma comissão de gestão do partido até ao próximo congresso extraordinário. É necessário repensar a vida interna e não fazer caça às bruxas. UNITA só há uma. Não se pode fazer como se fez comigo, em que tive problemas por não participar nas actividades comemorativas do aniversário de Jonas Savimbi.

Eu nunca poderia fazêlo. Fui às actividades para as quais o partido me convidou. Não sou futurologista, mas esta foi a melhor oportunidade, na sua história, que a UNITA teve para governar o país. Estamos numa altura em que o povo está mais maduro, há um ambiente democrático favorável e um Governo bastante desgastado. Porém, a UNITA não conseguiu gerir esta oportunidade.

Não sei como será o futuro, mas que tem de entender melhor o povo e melhorar a comunicação com ele isso é crucial, para a UNITA ressurgir desta derrota.

SA – E da sua participação no GURN, acha que a UNITA tirou proveito algum?
DC – Não. O GURN foi sempre visto pela UNITA como algo do MPLA e por isso deveria haver cuidado com os seus membros. Apenas a Dra. Clarisse e o general Chilingutila tinham boa aceitação na estrutura do partido. A determinada altura surgiu a idéia de se criar, no partido, uma comissão dos
Membros do GURN. Só que a coordenação estaria a cargo do general Chilingutila.

Eu discordei porque não concordava que um vice-ministro fosse coordenar uma comissão que integrava ministros. Por outro lado, a UNITA não reclamou os direitos de autoria das realizações dos seus membros no GURN.

Como desperdiçar as realizações no campo da saúde? O MPLA reivindicou-as sozinho quando o ministro era da UNITA. O MPLA foi mais inteligente.

SA – O seu relacionamento com a direcção do seu partido não foi o melhor. E com a direcção do Governo como foi?
DC – O Presidente da República teve sempre uma grande postura de Estado. Julgo que cumpri o meu papel no ministério e sempre que foi necessário uma consulta ao Chefe de Estado submeti os meus assuntos e aguardei pela resposta. Admiro-o pelo que tem feito por Angola e pela forma como domina os dossiers. Não é nada da imagem que a UNITA tem de José Eduardo dos Santos. Veja-se o abraço à oposição militar depois da guerra. Foi um grande exemplo ao mundo. A nossa educação cristã ensinou-nos a amar toda a gente.

Sei que há no Governo quem me olhe com complexos, que nem me cumprimentam. Compreendo, pelo nosso passado de guerra. Mas o Presidente tem sabido ultrapassar tudo isso e unir as pessoas, tendo em vista o interesse nacional. Olhe que nem nos Estados Unidos e nem na Inglaterra vi alguma vez uma campanha como a nossa. Os postes tinham duas ou três bandeiras, os
Cartazes intercalavam-se.

O povo entendeu a mensagem do Presidente. É o presidente que tem permitido a força e o equilíbrio do MPLA. Sem ele o MPLA já teria descambado há muito tempo, como todos os partidos comunistas do mundo que optaram pela democracia.

Semanário Angolense

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Sunday, September 14, 2008

«Mesmo com as fragilidades que a UNITA tivesse, não estaríamos abaixo dos 40%» - Kamalata Numa

O secretário-geral da UNITA, Abílio Kamalata Numa, disse em entrevista a este jornal que com os resultados eleitorais que se atribuíram ao seu partido, pretendeu-se «passar para os angolanos e para fora do país a mensagem de que a UNITA representa apenas 11% da sociedade, com 500 mil cidadãos que votaram nela, o que para ele faz parte de um desejo antigo do MPLA de reduzir o «galo negro» a algo fácil de manipular.

Segundo ele, que também foi coordenador da campanha eleitoral desta força política, tudo tem acontecido com o beneplácito da comunidade internacional que «tem estado a assinar permanente por baixo, a destruição da UNITA», uma alusão ao comportamento dos observadores ao processo

A Capital – General Abílio Kamalata Numa, secretário-geral da UNITA. O partido acaba de sofrer, se nos permite dizer, um revés político. Como é que a situação está a ser tratada ao nível interno?
Abílio Kamalata Numa (AKN) – A UNITA tem estado a gerir com responsabilidade este momento. Consideramos, em primeiro lugar, que tivemos duas grandes vitórias, muito embora sejam vitórias morais. A primeira é a forma cívica como os angolanos acorreram às assembleias de voto, apesar de, muitos deles não terem votado, infelizmente.A segunda é o facto de termos atravessado o rubicão da psicose da guerra com a vitória deste ou a derrota daquele. Felizmente nada disso se verificou. Há seis dias depois do dia 5, o país marcha normalmente, sem grandes problemas. A UNITA reconheceu e aceitou os resultados eleitorais e a actividade continua.

Mas depois disso tudo temos outra realidade que será o grande quebra-cabeças das estratégias que o MPLA terá que desenvolver nos próximos tempos. E esta realidade fundamenta-se nos seguintes pressupostos: primeiro, está-se a passar para fora da UNITA para todos os angolanos e para fora do país, que a UNITA representa 11% da sociedade, com 500 mil cidadãos que votaram no partido.

Esta UNITA não existe. Esta UNITA que se alude é virtual. Está apenas nas cabeças de algumas pessoas. A UNITA real prevalece. Em termos objectivos, o MPLA irá desenvolver lutas contra a UNITA virtual ou contra a UNITA real?
Se for a desenvolver a sua estratégia na base de uma UNITA virtual, esta UNITA dos 11%, então vamos assistir nos próximos tempos a uma completa abertura da sociedade angolana, onde teremos órgãos de comunicação social mais moderados, mais abertos para comunicarem a todo o país o que se passa. Porque o MPLA são 80 e tal por cento. O MPLA é o povo, o povo é o MPLA. O MPLA é Angola. Portanto, não tem mais nada que temer. Abra tudo. A TPA publique tudo o que as pessoas disserem, nós da oposição, eles próprios…abram tudo, a Rádio Nacional, o Jornal de Angola, que se democratizem, porque nessa altura já não há mais nada a temer.

Agora, se o MPLA fizer a sua estratégia com base na UNITA real, nós vamos ter uma sociedade cada vez mais repressiva. Vamos ter um país cada vez mais repressivo do que aquele dos anos 70/80. Portanto, será pior. Teremos um partido único mais irracional.

A Capital – E como será possível nesse caso, exercer-se a democracia?
AKN – A cultura no mundo sobre a democracia em África é má. Para eles, em África, a democracia não existe. Estabilidade, sim. Por isso mesmo não se preocupam em dizer as verdades que acontecem. A fraude e essas coisas todas. O importante é que quem ganhou, ganhou. Pronto, aqui foi tudo transparente, tudo correu bem. Mas para os verdadeiros africanos que olham para o continente com paixão e amor, isto é mau. É neocolonização, é subalternização, porque não nos querem ver a avançar. Querem que fiquemos sempre com a nossa podridão da corrupção, da fraude, das matanças, da ausência da liberdade de expressão e outras. Isto é neocolonização.

Agora, fica bem claro que a comunidade internacional tem estado a assinar permanente por baixo a destruição da UNITA. A propalada vitória militar que o MPLA teve em 2002 com a morte do doutor Jonas Savimbi, assinada por toda a comunidade internacional, nas hostes do MPLA tinha trazido a certeza de que, a partir daquela altura, a UNITA iria desaparecer, iria soçobrar. Mas não foi isso que aconteceu. Tinham cozinhado uma UNITA virtual com a morte do doutor Savimbi.
A UNITA verdadeira ressuscitou das cinzas e está a dar lições de democracia. O nosso objectivo, custe o que custar, leve o tempo que levar, há de se implantar neste país. Essa UNITA que não conseguiram destruir militarmente, é a mesma que querem destruir politicamente. O programa é o mesmo. Neste momento, os nossos militantes estão a ser perseguidos, as suas casas estão a ser queimadas. A coberto de que as pessoas têm armas nas casas, os cidadãos estão a receber polícia à noite nas suas residências. As pessoas estão com medo. Portanto isto é o que nos preocupa depois das eleições.

A Capital – O que é que a UNITA pretende fazer contra esses últimos aspectos que acaba de evocar?
AKN – Nós estaremos aqui. Não temos outro país. Temos aqui raízes bem fundas. Se as autoridades não existem, são elas que nos perseguem, não temos outra alternativa que não seja acreditar na força do povo. Vamos sobreviver com a força do povo. O MPLA pode fazer o que quiser contra nós. Nós vamos sobreviver com a força do povo.

A Capital – Mas para além das irregularidades que diz terem marcado o processo eleitoral, não acha que pode haver outros internos que tenham a ver com a falha de estratégias?
AKN - Não. Não. O que me satisfaz é que tudo isso que aconteceu, mesmo com as fragilidades que a UNITA tivesse, não estaríamos abaixo dos 40%. Mesmo com as fragilidades internas que tivéssemos. Olhem para o país como está! Mesmo depois das eleições isto parece que está em luto. Aqueles que ganharam nem estão a acreditar nesta vitória.
E a maioria que perdeu, sabe quanto perdeu. Sei que vão armar aqui uma fanfarra no fim-de-semana, obrigando as pessoas a beber cerveja. Mas depois disso a realidade volta outra vez a bater, porque é implacável. Os factos são teimosos.

O que aconteceu no dia 5 é que nós fomos enganados por uma instituição que se chama CNE, que ditou as regras do jogo e não as cumpriu. Porque a CNE não supervisionou o acto eleitoral. Foi substituída por uma outra máquina. Os dados que está a apresentar provêem de uma outra máquina. Não controlou nada. Não sabe. Tudo isso que a CNE está a fazer é caricato.
Mesmo assim nós já aceitamos. Estamos mesmo à vontade. Portanto, esta derrota da UNITA é uma derrota virtual. Não tem nada a ver connosco. É verdade que há pessoas que se ressentiram, outras ainda ressentem. Mas os dirigentes que sabem como é que tudo isso foi montado, a partir mesmo de agora estão a trabalhar para as próximas eleições.

A Capital – Até que ponto tudo isso não afectará a postura da UNITA nas próximas eleições, presidências já no próximo ano e autárquicas de já se vai falando?
AKN – Primeiro, uma das coisas que sei que o MPLA vai fazer nos próximos tempos é acelerar a revisão da Constituição. Vai impor uma Constituição ao país à medida do Presidente da República. Os que candidatarem vão apenas ajudar a fazer o jogo, porque o senhor do MPLA que for a se apresentar como candidato, creio eu que será mesmo o próprio presidente, se não aparecer com 80%, vai aparecer com 90%. Vamos fazer o jogo democrático mas, certos de que esta situação tem o seu ponto de viragem.

A Capital – O vosso partido ficou reduzido ao mínimo de deputados no parlamento. Como acha possível fazer-se um debate aflorado das grandes questões da nação?
AKN – Os analistas mais sérios deste país disseram que nós votamos para o monopartidarismo. E eu concordo plenamente com eles. O mandato que a UNITA tem não é para fazer oposição. É para mantermos acesa a chama da democracia para que não morra. Estaremos aqui para manter essa chama. E neste sentido mesmo, queremos já lançar um repto ao MPLA dos 80%. Que os debates da próxima legislatura sejam comunicados ao país pela televisão, pela rádio. Não haja mais receios. Então, 200 deputados contra 10 de uns, três de outros, têm mais receios de quê?

A Capital – General Numa, quer assegurar-nos que as clivagens no seio da UNITA foram completamente ultrapassadas?
AKN – O MPLA é o patrocinador dessas clivagens. Até andam aí analistas «bem pagos» a fazer o jogo, dizendo que o presidente Samakuva de se retirar, que o fulano é que é melhor. Está bem cozinhado, para que depois disso venha a UNITA dócil com argolas no pescoço como um cachorrinho para se levar para onde se quiser. Portanto, essa UNITA já está a ser preparada. Mas a UNITA real não vai aceitar. E eu garanto com muita firmeza, que se fossemos agora para um congresso, essa UNITA dócil seria outra vez derrotada.

A Capital – Já que falou em congresso a UNITA já pensou num extraordinário como solução para sair da crise?
AKN – Só não actuámos nessa direcção porque a UNITA fez muito esforço financeiro com este pleito eleitoral. Foi um esforço para além das nossas possibilidades. Saímos disso muito desgastados. Não há receios de estarmos a dizer isto.

Por isso temos que estar bem comedidos e definir os meios financeiros para o prioritário que, neste preciso momento é irmos às bases, estarmos junto do nosso povo, sossegarmos o nosso povo, refazermos o partido. Mas teremos reuniões alargadas da direcção para avaliar a actual situação e tenham a certeza de que esses assuntos serão abordados. E se tivermos dirigentes que ainda pautam pela verdadeira UNITA, sairemos daí com ideias bem definidas. Mas se tivermos dirigentes daquela UNITA dócil que estão a preparar por aí, com certeza que vão tentar fazer os seus jogos. Tenho a certeza que não passarão.
 
Lutock Matokisa
A Capital

Posted by Julinho at 19:13:51 | Permalink | No Comments »

Nova constituição prevê um vice-presidente

Tão logo aprove o Orçamento Geral do Estado e o Programa do Governo para 2008, o que deverá acontecer logo após a tomada de posse do novo parlamento, a 15 de Outubro, a nova bancada parlamentar do MPLA deverá submeter à plenária da Assembleia Nacional uma proposta de revisão constitucional que contempla uma inovação chamada vice-presidente da República.

Informação a que o Semanário Angolense teve acesso diz que o MPLA persegue a adopção de um sistema de governo presidencialista, que pressupõe a eliminação do posto de primeiro-ministro e a indicação de um vice-presidente, a ser nomeado pelo Presidente da República.Aflorada pelo Presidente José Eduardo dos Santos durante a campanha eleitoral, a revisão constitucional gizada pelo MPLA prevê a eleição do Presidente da República por sufrágio universal e directo.Fonte do MPLA disse ao Semanário Angolense que o partido deverá apoiarse no mesmo texto que, no passado, sustentou as posições que defendeu no Parlamento.

«O trabalho de casa está feito.Faltam eventualmente alguns detalhes».Embora tenha assegurado, há uma semana, uma maioria qualifi ca, a qual dispensa negociação, o «MPLA dispõe-se a manter concertação com a oposição, bem como com académicos, estudantes e sectores da sociedade civil», acrescentou a fonte.

A abrangência dos poderes do Presidente da República e, por arrastamento, a escolha do sistema de governo a adoptar encravaram as discussões sob a revisão constitucional. Na altura, a oposição alegava que não se opunha à adopção de um sistema presidencialista, desde que este não reservasse o que na altura interpretava como excessivos poderes ao Presidente da República.

O desfecho das eleições de 5 de Setembro retirou à oposição qualquer instrumento capaz de deter o MPLA naquilo que os seus estrategas dizem ser uma opção que «não só acaba com as confusões prevalecentes no nosso sistema, como coloca todas as instituições em melhor posição de servirem o país».

Fonte do MPLA recorda também que por altura da interrupção das negociações para a revisão constitucional ficou acordado que cada partido «apresentaria durante a campanha eleitoral o seu projecto de constituição. O que nós, MPLA, vamos fazer agora é apresentar um projecto sobre o qual havia acordo e para o qual acabamos de receber a aprovação do eleitorado». O projecto de constituição do MPLA prevê a existência de um Conselho de Ministros dirigido pelo Presidente da República.

Das negociações de então sobre a revisão constitucional resultou também um consenso, eventualmente ditado pelo seu arrastamento e consequente impacto na convocação de eleições, em como o hino nacional e a insígnia da República não seriam alterados, ficando apenas em aberto a questão da bandeira.

Semanário Angolense

Posted by Julinho at 19:09:14 | Permalink | No Comments »

UNITA: Quadros de base acham que fraca prestação contribuiu para fracasso

A derrota eleitoral que a UNITA arrebatou nas eleições legislativas de 5 de Setembro está a merecer diversas interpretações entre os vários sectores desta força política, até há pouco vista como efectiva alternativa ao MPLA. Enquanto uns se apegam à suposta fraude, outros dizem que a direcção actual aplicou-se pouco

Alguns membros do partido dos «maninhos» disseram ao A Capital, em distintas ocasiões, que o magro resultado obtido é o corolário de uma série de factores internos, perante os quais, a direcção da UNITA se manteve indiferente.
De acordo com as nossas fontes, a liderança do partido se distanciou demais da sua massa militante, que é, no fundo, o centro nevrálgico desta formação política desde a sua génese em 1966, e ficou mais presa ao que nossas fontes chamaram de «sentimento elitista».

A actual direcção da UNITA, sustentam as fontes, aplicou-se muito em dar visibilidade ao partido apenas nos areópagos nacionais e internacionais, através de conferencias, fóruns e actividades diplomáticas em detrimento da fortificação das bases do partido, cujas estruturas se mantiveram, de um tempo a parte, sob «comprometedor relaxamento político».

«Os altos dirigentes do partido só começaram a viajar para o interior, com alguma frequência na fase da pré-campanha, e depois durante a própria campanha eleitoral. Antes apareciam, mas só em campanhas eleitorais internas, nas vésperas dos congressos, mas cada um ao serviço do seu candidato à liderança do partido», desabafou um militante da UNITA. 

Quem saiu a ganhar, acrescenta, foi, sem dúvidas, o partido no poder, MPLA, que soube tirar o máximo proveito da situação. Das fileiras da UNITA, como se constatou um pouco pelo país adentro, começaram a vazar com intensidade, muitos militantes para o lado contrário. «Com ou sem aliciamentos, se a UNITA tivesse solidificada a sua acção política no país, os seus quadros não se vergavam tão facilmente», atestou outro militante.

Embora reconheçam a existência de alguns constrangimentos no exercício da própria actividade política à nível nacional, «algumas vezes por falta de meios financeiros», alguns quadros do «galo negro» salientam que as constantes exonerações de dirigentes locais sempre que ocorresse um congresso, podem ter acelerado o que consideram de «descontinuidade da acção do partido», pois, um dirigente provincial, por exemplo, colocado na sua zona de jurisdição há mais de dois anos, é suposto que já tenha criado condições suficientes para influenciar algumas situações».

«Só porque não apoiaram a candidatura de um determinado dirigente, muitos foram pura e simplesmente exonerados e deixados à margem, estancando o curso dos programas que vinha implementando. O que lhe substitui, vai ter que começar tudo do zero e quem perdeu foi o próprio partido», apontou outro quadro da UNITA em conversa com o A Capital, no Huambo, acrescentando que situações desta natureza aconteceram desde o IX até ao X Congresso.
«Não há dúvidas de que isso frustrou muita gente com potencial político que, desde logo, preferiu manter-se distanciada, ou em negócios ou em formação académica. São quadros com quem se podia contar nas lutas políticas», enfatizou.
 

Agitação no «galinheiro»

Uma das portas de saída para as direcções de partidos que não tenham sido capazes de triunfar numa jornada política, nas grandes democracias, é a apresentação de demissão ou convocar um Congresso extraordinário para que seus correligionários se pronunciem.

Parece não ser isso que vai ocorrer na UNITA, o segundo maior partido do país com 70 deputados na Assembleia Nacional cessante, com probabilidades de na próxima legislatura ter um número igual ou inferior a 20 deputados.
Entretanto, enquanto analistas políticos já vão dizendo que Isaías Samakuva tem neste momento a sua posição à frente dos destinos dos «maninhos» fragilizada, e, acto contínuo, de acordo com os estatutos deste partido, como candidato às presidenciais de 2009, na mesma senda, algumas correntes sectárias internas procuram formar, ainda que em surdina, o que chamam de «Movimento de Salvação».

Para os que se perfilam no aludido «Movimento de Salvação», tudo passaria pela convocação imediata de um congresso extraordinário ou convenção nacional, nos quais se corrigiriam os danos causados nestas eleições, de formas a que o partido se possa refazer do «desastre» ao longo dos próximos quatro anos e se apresentar em pé de força nas eleições seguintes.

As mesmas fontes apontam nomes para prováveis «salvadores do barco» Abel Chivukuvuku, Lukamba Paulo Gato, Sakala Simões ou Jardo Muekália para quem muitos militantes olham com algum protagonismo e conhecimento profundo dos meandros da UNITA.Outros porém entendem que a actual direcção, em parte, responsabilizada pelos seus seguidores pelo sucedido nas urnas, não obstante as irregularidades verificadas na votação, deve prosseguir o seu consulado já que vai no primeiro dos quatro anos que o último congresso lhe conferiu à frente do partido.Mais do que evocar factores externos para justificar a derrota, advogam, os dirigentes da UNITA devem admitir falhas na liderança e empenhar-se no salvamento da imagem, sob pena de o partido ser suplantado pelos seus concorrentes mais pequenos.    
 
As organizações de massas dos «maninhos», LIMA e JURA, sobretudo esta última, são citadas pelos quadros da UNITA ouvidos por este jornal como tendo sido menos prestativas naquilo que seria o seu verdadeiro papel mobilizador. Nestes dois sectores e outros é que muitos dos nossos interlocutores acham que futuramente a direcção se deverá aplicar mais, assegurando deste modo a continuidade do projecto.

*Lutock Matokisa

A Capital

 

 

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Angola: Estimativas de efeito em África da fraude eleitoral

Uma acentuação do recurso à fraude eleitoral, paralela a uma desfaçatez maior das modalidades e métodos para a aplicar, tenderá a marcar a política africana nos próximos tempos. O cenário, objecto de conjecturas de competentes analistas será consequência natural de 3 factores conjugados:

- O carácter notoriamente fraudulento das recentes eleições em Angola, mas que apesar disso se impuseram como válidas; há avaliações segundo os quais a extensão da fraude não tem precedentes conhecidos.
- A atitude complacente da comunidade internacional, em geral, na certificação da inexistente autenticidade do processo.
- A ideia, em expansão em África, de que os seus recursos e a “ameaça da China” se converteram em instrumentos eficazes para determinar condutas benevolentes dos países ditos ocidentais (Europa e EUA, em especial).

 “Acções encobertas” que influenciou os resultados do MPLA

O argumento segundo o qual a contemporização internacional com a fraude eleitoral em Angola se deveu a factores únicos, como a importância económica e a rede de influências/apoios externos de que o país dispõe, ao contrário de outros, que por isso têm de ser mais transparentes, é relativizada pelo “precedente moral” que o caso angolano representou, numa conjuntura nova, em que isso é mais decisivo.

2 . Se as previsões de um recrudescimento próximo da fraude eleitoral em África se confirmarem, como se julga que acontecerá, será a segunda vez que um acto eleitoral em Angola contagiará a realidade atinente em todo o continente. A saber:
- Até Set.1992, data das primeiras eleições multipartidárias em Angola, o então chamado processo de democratização de África vinha sendo marcado por eleições em geral incontroversas, que salvo raras excepções levaram à derrota dos partidos no poder, muitos dos quais do tipo “único”, e à vitória das oposições; 2 dos partidos derrotados foram o PAICV, em Cabo Verde, e o MLSTP, em S. Tomé e Príncipe.
- No seguimento das eleições de então em Angola (as primeiras a serem abaladas pela controvérsia da fraude, embora reconhecidas como livres e justas pelacomunidade internacional), a realidade anterior inverteu-se e os partidos no poder passaram por via de regra a ganhar as eleições, passando a legitimidade destas a ser objecto de polémica.

O ciclo da fraude eleitoral iniciado em 1992 estava ultimamente a dar mostras de refluxo – conclusão baseada nas eleições na Eritreia, Quénia e Zimbabué, em cuja organização foram observadas normas e procedimentos susceptíveis de garantir a sua transparência (em especial o controlo/fiscalização dos escrutínios).

3 . O conhecimento de que a vitória do MPLA foi alcançada com o emprego de métodos fraudulentos ou irregulares, muitos dos quais considerados rudimentares, como a troca de urnas, está a alastrar em África e tende a influenciar outros regimes que não hesitarão em recorrer aos mesmos expedientes para se conservar no poder.
Prevê-se, mesmo, que o novo ciclo fraudulento suplantará o anterior, em atrevimento e intensidade devido ao chamado “factor chinês.” À China, por razões óbvias, não causa incómodo a ideia de um ambiente autocrático em África; a Europa e os EUA têm feito concessões na matéria para não prejudicar os seus interesses comerciais.

Em habilitados meios políticos de Luanda comenta-se que o regime do MPLA só ousou organizar as últimas eleições de forma tão fraudulenta, devido ao à-vontade que os seus dirigentes denotam, oriundo de factores como a importância económica do país e o efeito redutor das sua parceria com a China na atitude dos países ocidentais.
Na mente da elite política angolana afecta ao regime, está, p ex, entranhada a convicção de que a economia portuguesa depende vitalmente de Angola; as empresas portuguesas implantadas no mercado angolano passariam por grandes dificuldades se perdessem o mesmo; o Governo e as autoridades portuguesas têm de “agir em conformidade”.

4 . O resultado eleitoral carecia, para valer, de uma certificação internacional dando as eleições como livres e justas; a dificuldade em certificar um resultado obtido através de uma operação de fraude multiforme e que pecou por excesso, foi minorada graças à relativa harmonia estabelecida entre a tónica do acompanhamento mediático das eleições e a atitude dos observadores.

A uma escala avaliada como nunca antes verificada, o regime angolano conseguiu, através de acções subliminares, directas e indirectas, influenciar a escolha de alguns dos jornalistas estrangeiros despachados para Angola com o fim de acompanhar as eleições; conseguiu, igualmente, sujeitar a observação internacional do acto a critérios da sua estrita conveniência.

O acompanhamento jornalístico das eleições, no essencial transmitindo uma visão séria do acto e analisando os resultados à luz de racionais considerações político-eleitorais, e o célere reconhecimento da justeza do processo por parte de “organizações moles” envolvidas na observação, condicionou outros juízos.

5. Estão a acumular-se dados consistentes acerca de uma participação activa de indivíduos articulados com o Gen M H Vieira Dias “Kopelipa” na concepção e concretização de “acções encobertas” ocorridas em todo o país e destinadas a
influenciar os resultados a favor do MPLA; em geral eram indivíduos do Sinfo.Outras figuras do círculo presidencial, entre as quais o Gen José Maria e o Brig Gilberto Veríssimo, este DGAdj do SIE, o serviço de informações descrito como privativo do PR (AM 308), foram também referenciados em acções relacionadas com o processo (por vezes denotando claro ascendente sobre orgãos como a CNE).Este facto está a alimentar conjecturas segundo as quais José Eduardo dos Santos (JES) não só não era estranho ao que se estava a passar, como o que se passou, inclusivé o resultado, considerado “astronómico”, mereceram o seu beneplácito. M H Vieira Dias “Kopelipa” age sempre com o assentimento de JES.

A atitude complacente de JES com um resultado tão volumoso é considerada própria de uma cultura democrática vista como frouxa e de um conceito de poder (organização e funcionamento) inspirado no modelo concentrador do passado, em que era reitor da universidade, comandante da Polícia, presidente do partido, etc.
Ante a evidência de que foi possível realizar eleições tão irregulares, mas que apesar disso não foi registado nenhum caso violência e não ocorreu nenhum percalço na atitude da comunidade internacional, prevê-se que JES se aplique a partir de agora na organização de eleições presidenciais.

Em meios da oposição, incluindo a UNITA, estão a levantar-se vozes que põem a causa a apresentação de candidatos à mesmas. O argumento invocado é o de que JES tem em mente alcançar um resultado superior ao do MPLA – até para “corrigir” o imprevisto de 1992, em que o seu score de 49,57 foi suplantado pelo do partido, 53,74.

 África Monitor

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Cálculos para as eleições presidências - José Gama

A estratégia da campanha eleitoral  do MPLA “contra” a UNITA  indicou cálculos  a longo prazo com vista a desenhar  o ambiente  para  as eleições presidências de 2009 em Angola.

De acordo com uma leitura pertinente, a estratégia incluiu a simulação de um cenário  de  rupturas/deserções internas na UNITA propagadas nos últimos dias da campanha eleitoral. O propósito, segundo as interpretações, foi apresentar ao eleitor a imagem de uma UNITA “instável” que por seguinte, inabilitada para substituir o Governo gerido pelo MPLA. Um Dirigente do “Galo Negro” em Ambriz, Avelino de Cristina denunciou a Voz da América que parte dos  administradores municipais/comunais pela UNITA estavam, nos dias da campanha, a ser obrigados a renunciar a sua militância em troca da permanência nas funções das estruturas do Estado. Uma corrente de desertores e ex membros da UNITA liderados por Jorge Valentim,  foram constantemente apresentados pelos órgãos de comunicação do Estado com a categoria de “figuras partidária” apelando ao voto ao MPLA. Foi disponibilizado uma equipa para tratar da divulgação do trabalho de Jorge Valentim contra o seu antigo partido. Uma antiga dirigente, Fatima Roque que na década 90, foi expulsa por Jonas Savimbi por alegado contacto com as autoridades angolanas, a margem da direção do partido, apareceu como convidada de honra,  num comício do MPLA.

O quadro exposto na campanha terá sido traçado para ser  explorado na altura da divulgação dos resultados eleitorais para justificar a “derrota escandalosa” dos escrutínios. O objectivo segundo os sinais é promover dois cenários inversos a si cujo os resultados serão propícios para o MPLA na campanha das eleições presidências. 1- Influenciar de forma indirecta, o abandono natural/espontâneo de militantes desiludidos com os resultados eleitorais (da legislativas) rumo ao partido governante. 2 – Intensificar por meios paralelos a recomendação de um analista  próximo ao governo, João Pinto, segundo a qual a UNITA  deveria rever a sua liderança.

O aparente quadro de crise da UNITA será  reforçado com o efeito, que a mesma terá, com a saída dos seus membros no GURN (Administradores, Ministros). Os serviços noticiosos da Radio Eclésia disseram esta semana que Administradores da UNITA em Benguela estavam a ser aliciados para abandonar o seu partido. Dinho Chingunji, Ministro da Hotelaria   renunciou de forma discreta a sua militância para por “em primeiro lugar Angola e não a política”. Alguns subsídios  atestam, ser alto o nível da hipótese de o Ministro Chingunji vir a permanecer no posto. A necessidade de o manterem no Governo é aventada como um indicador a ser mostrado sempre que sectores externos hostis ao Governo acusarem o MPLA de ser um partido que pratica a exclusão de figuras não afectas a si. A Jaka Jamba, figura histórica da UNITA, prevê-se que dentro da mesma estratégia surja o possível cenário: Não exonera-lo “esquecidamente” das funções de Embaixador angolano junto a UNESCO. A permanência nestas funções, criaria - lhe embaraços dentro do seu partido para dar azos a uma alegada colagem ao MPLA.

A UNITA com o quadro acima exposto e acrescido ao  aventado pelos analistas do Governo (revisão da sua liderança) permitiria o eleitorado menos esclarecido a vê-la na condição de uma força  política fragilizada/reduzida propocionando vantagem ao MPLA de ver o seu candidato a concorrer as presidências sem um adversário oportunamente qualificado para corrida eleitoral. Em meio dos comentaristas do Governo, são identificadas sugestões que apontam o nome do general Lukamba “Gato” e de Abel Chivukuvuku para gestão da UNITA. Na fase da campanha eleitoral, o Jornal do Estado angolano teceu linhas aparecidas a intrigas sobre a apagada exploração da figura de Lukamba “Gato” na Campanha do seu partido.

 Alfredo Neto, um “expert” em política africana, olhou para um outro que partilha  a mesma derrota que a UNITA, neste caso o PRD e escreveu que Luis dos Passos seria vitima da sua própria ingenuidade caso  colocasse o seu cargo a disposição. O mesmo olhou para UNITA e concluiu que “por melhor que fosse o programa de Abel Chivukuvuku (Presidenciável partidário)  não mudaria ao que Alfredo chamou de “cabala do regime”. 

Há tendências que evidenciam que a UNITA não levantaria  hipótese de mexer na sua liderança pelas seguintes razões. Quadros mais instruídos asseguram que o partido não vai sofrer alterações na sua liderança e que tudo deveu-se “a manipulações dos serviços de informação do governo angolano”. Existe a consciência de que mudança de liderança equivaleria fragilizar a corrente de adversários que próximo ano enfrenta o líder do MPLA, José  Eduardo dos Santos.

Em fase de campanha em 92, Jonas Savimbi foi confrontado com paginas negras do seu cadastro, com destaque ao dossier Tito Chingunji e casos de violações dos direitos humanos. Dentre os favoritos presidenciáveis da UNITA,  Samakuva é o mais habilitado para  concorrer com José  Eduardo dos Santos sem que a imprensa estatal faça recurso a coisas negativas. (Com Gato poriam em faze de campanha imagens do Lukusse e outros documentos/ informações da guerrilha recolhida antes da morte de Savimbi, com Abel Chivukuvuku refrescariam a mente do povo com os seus  discursos feitos em 1992).

 Em fóruns  internacionais, com realce a círculos de funcionários da União Européia estão surgir subscrições  pela forma que Isaias Samakuva aceitou os resultados eleitorais para preservação da estabilidade em Angola. Ouvintes da BBC apresentaram a figura de  Isaias Samakuva como exemplo para África (ocontinente é negativamente referenciado pela conducta de lideres da oposição que rejeitam resultados que não lhes são favoráveis. Internamente ganhou confiança dos eleitores descartando as atribuições vindas de membros do Governo segundo a qual a UNITA pegaria em armas/paióis para retomar a guerra em caso de derrota.

Fonte: Club-k.net/Angolense

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Monday, September 8, 2008

Resultanos Nacionais

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Sunday, September 7, 2008

Acabados de anunciar

Última actualização com 49% dos votos já contados.

Bengo

MPLA…….. 73%

Unita……… 4%

Benguela

MPLA…….. 82%

UNITA…… 12%

Bié

MPLA…….. 75%

UNITA…… 17%

Cabinda

MPLA…….. 57%

UNITA…… 36%

Cuando Cubango

MPLA…….. 80%

UNITA…… 14%

Cuanza Norte

MPLA…….. 94%

UNITA…… 1%

Cuanza Sul

MPLA…….. 89%

UNITA…… 5%

Cunene

MPLA…….. 94%

UNITA…… 2%

Huambo

UNITA…… 81%

MPLA……..14%

Huíla

MPLA…….. 90%

UNITA…… 3%

Luanda

MPLA…….. 77%

UNITA…… 14%

Lunda Norte

MPLA…….. 67%

PRS………. 21%

UNITA…… 6%

Lunda Sul

MPLA…….. 46%

PRS………. 46%

UNITA…… 3%

Malange

MPLA…….. 92%

UNITA…… 2%

Moxico

MPLA…….. 86%

PRS………. 5%

UNITA…… 4%

Namibe

MPLA…….. 95%

UNITA…… 1%

Uíge

MPLA…….. 88%

UNITA…… 4%

Zaire

MPLA…….. 68%

FNLA………16%

UNITA…… 9%

Nacionais:

MPLA …… 81,65%

UNITA…… 10,59%

PRS………. 3.03%

FNLA…….. 1,15%

ND………… 1,13%

por : Luís Castro
Tags : Eleições

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MPLA continua a liderar com 2.532.282 (81,65 %)

O MPLA continua a liderar o escrutinio nacional, que regista o surgimento da coligação Nova Democracia(ND) como nova força politica.

A Nova Democracia, uma coligação criada a 18 de Novembro de 2006, participa pela primeira vez no processo eleitoral em Angola e congrega os partidos União Nacional para a Democracia (UND), União Angolana pela Paz, Democracia e Desenvolvimento (UADPDD) e a Aliança Nacional Independente de Angola (ANIA).

Também fazem parte desta coligação, que na disposição do boletim de voto se encontra na nona posição, o Movimento para a Democracia de Angola (MPDA), Partido Social Independente de Angola (PSIA) e Partido Socialista Liberal (PSL).

Eis os actuais resultados a nível nacional:

MPLA - 2.532.282 (81,65 porcento)

UNITA - 328.505 (10,59%)

PRS - 93.894 (3,3%)

ND - 35.150 (1,13%)

PLD - 10.004 (0,32%)

FNLA - 35.676 (1,15%)

PAJOCA - 7.259 (0,23%)

PDP-ANA - 15.774 (0,51%)

AD Coligação - 8.570 (0,28%)

PADEPA - 8.207 (0,26%)

FpD - 7.720 (0,25%)

PRD - 6.529 (0,21%)

PPE - 5.571 (0,18%)

FOFAC - 6.072 (0,20%)

Outros Dados:

O MPLA vai à frente na contagem das eleições legislativas angolanas, com 81,73% dos votos apurados, revelou Adão Almeida, porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Segundo o responsável, até às 23h15 foram apurados os resultados de 35,57% das assembleias de voto, com o MPLA a liderar a contagem com 1.738,208 votos, que representam 81,73% do total.

O maior partido da oposição, a UNITA, conta com 223,939 votos, que representam 10,53% do total.

No terceiro lugar aparece o Partido da Renovação Social com 66 147 votos, correspondendo a 3,11% e em quarto a FNLA que alcançou 1,15%.

Em termos provinciais, o MPLA vai à frente em todas as províncias, incluindo as praças tradicionalmente da UNITA, como Huambo, Benguela e Cuando Cubango. Só na Lunda Sul, o Partido da Renovação Social (PRS) se aproximou do partido no poder, tendo conseguido 45,51% dos votos, muito perto dos 46,96 conseguidos pelo MPLA.

Cada uma das 18 províncias angolanas elege cinco deputados para um parlamento de 220 representantes.

Na Lunda Norte o MPLA lidera a contagem com 67,82% , seguido do PRS com 21,33 por cento. No Bengo o MPLA conseguiu 90,3% dos votos e a UNITA 4,4%.

Na província de Benguela o MPLA obteve 83,46% dos votos enquanto que a UNITA 12%. No Bié, o MPLA lidera a contagem com 73,5% dos votos seguido da UNITA com 19,80%. Em Cabinda, o MPLA obteve até agora 58,38% e a UNITA 35,84.

No Cuando Cubango, o MPLA tem até agora 81,5% dos votos contados e a UNITA 14,29%.

No Cuanza Norte o MPLA chegou aos 94,5%, enquanto que a UNITA obteve 1,34%. Já no Cuanza Sul o MPLA tem 84,79% dos votos contados e a UNITA 5,43%.

No Cunene o MPLA obteve, até a este ponto da contagem, 94,20%, muito longe do segundo colocado, a UNITA, com 2,57% dos votos.

No Huambo o partido no poder tem 81,53% e a UNITA 14,7%.

Na província de Huíla, a liderança do MPLA é marcada pelos 90,67 e a UNITA assume a segunda posição com 4,26%.

Em Luanda, onde estão escrutinados cerca de 20% das mesas o MPLA lidera com 77,3. A UNITA só alcançou até agora 15,56, o FNLA 1,93 o PRS 1,17, a Nova Democracia 0,59 e o FPD 0,50% dos votos.

Em Malanje o MPLA tem 91,86 e a UNITA 2,59% dos votos.

No Muxico, o MPLA conseguiu 87,17, o PRS assume o lugar na contagem com 5,6%.

No Namibe, o MPLA conseguiu até agora o seu melhor resultado com 94,90 por cento, enquanto que a UNITA se quedou nos 2,4%.

Na Província do Zaire o MPLA obteve 69,59%e o FNLA com 15,27%.

No Uíge o MPLA teve 88,86% e a UNITA 4,49%.

Os dados fornecidos pela Comissão Nacional Eleitoral são provisórios, que informou ainda já ter escrutinado 35,57% dos votos nacionais. A CNE prometeu fazer uma segunda divulgação de resultados provisórios às oito horas de hoje (horário local).

 

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Observadores portugueses divididos em relação a processo eleitoral

Ana Gomes questionou o processo eleitoral em curso em Angola, ao assinalar algumas falhas em termos de cadernos eleitorais e na não credenciação de algumas organizações. Por seu lado, José Nóbrega Ascenso admitiu falhas, mas diz que não são suficientes para colocar o processo eleitoral em causa.
A eurodeputada Ana Gomes questionou, este domingo, o processo eleitoral em Angola, ao assinalar a falta de cadernos eleitorais que observou em muitas mesas de voto em Luanda.

Esta observadora portuguesa ficou ainda apreensiva com o facto de algumas organizações não-governamentais treinadas para observar este acto eleitoral não terem sido credenciadas.

«Em contrapartida, sabemos que foram credenciados pessoas e organizações criadas à última da hora e obviamente ligadas ao partido do poder. Tudo isto não é de modo a inspirar confiança», concluiu.

Por seu lado, outro dos observadores portugueses no terreno, que presenciou a «credenciação de centenas de observadores», considerou apenas existirem problemas logísticos nestas eleições em Luanda, as primeiras em 16 anos no país.

«Tendo em conta aquilo que vi, parece-me que neste aspecto não é digno de reparo. Obviamente não nego que se verificaram dificuldades de natureza logística designadamente na abertura das mesas e relativamente aos cadernos eleitorais», explicou José Nóbrega Ascenso.

Este observador notou ainda que foram tomadas inclusivamente providências para os casos de eleitores que votaram na mesa próxima eleitoral mais próxima, ao lembrar que estes votos foram controlados por um sistema informático.

Apesar das falhas que notou, Nóbrega Ascenso entende que estas não são suficientes para pôr em causa o processo eleitoral em curso, considerando mesmo que estas questões poderão ser melhoradas nas presidenciais de 2009.

 

 

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