MPLA acusado de campanha desleal
Luanda - A campanha eleitoral para as eleições legislativas angolanas de 5 de Setembro arrancou ontem com fortes críticas de todas as forças políticas da oposição contra o executivo e o MPLA, partido no poder há 33 anos, por não lhes ter sido entregue ainda o subsídio a que têm direito e também pela desigualdade de tratamento nos órgãos de comunicação social estatais.
“MPLA um Estado dentro de outro Estado”
A oposição acusa o executivo do presidente Eduardo dos Santos de não ter distribuído ainda as verbas para a campanha conforme estipula a Lei Eleitoral, enquanto o seu partido, o MPLA, “dispõe de todos os meios técnicos, materiais e de deslocação para a sua propaganda”. De acordo com a legislação, a verba para a campanha eleitoral deve ser entregue aos partidos até 90 dias antes do acto eleitoral.
Por outro lado, a Rádio Nacional e a Televisão Pública de Angola não disponibilizam os seus meios técnicos para a realização dos tempos de antena, o que obriga os partidos a recorrerem a empresas privadas. Ora, sem os subsídios, os pequenos partidos vêem-se impossibilitados de realizar os tempos de antena.
“Essas empresas pedem entre dez mil a 13 mil dólares, por dia, para realizar cinco minutos de programa na TV e entre três a seis mil dólares, por dia, para dez minutos de programa na rádio. Outras empresas chegam a pedir mais de 200 mil dólares para realizar todo o tempo de antena, com 30 a 50% da verba pagos antecipadamente”, afirma ao CM a presidente do Partido Liberal Democrático, Anália Victória Pereira, que conquistou três deputados nas anteriores eleições. Segundo aquela dirigente, “o MPLA está a ser desleal pois utiliza todos os seus meios e os do governo, incluindo a logística militar, com aviões, helicópteros, barcos, camiões, unimog, para a sua propaganda, e ainda ocupa a maior fatia de tempo nos noticiários normais da rádio e da televisão públicas. O MPLA é na verdade um Estado dentro de outro Estado”.
Recorde-se que as primeiras legislativas em Angola se realizaram em 1992 mas as presidenciais foram interrompidas com o reacender da guerra civil, que apenas terminou em 2002 com a morte em combate de Jonas Savimbi, fundador da UNITA. José Eduardo dos Santos prometeu que a partir de agora haverá eleições legislativas de quatro em quatro anos.
Correio da Manha
O MPLA COMO MARCA
O MPLA como Marca representa um poder permanente em função de mais do que a sua história e multiplicidade de histórias e perpetuações das suas tradições.
Um dos factores qualitativos de recriação da sua força consiste na lealdade da corrente regeneradora dos seus aliados.
Os seus atributos, qualidade e expectativas criadas e uma amálgama de resultados e sua funcionalidade reforçam uma narrativa que impulsiona a sua existência.
Não há dúvida de que as crenças sagradas, criações, metas e seu prestígio, sua visão e missão, capacidade de inovação reforçam o seu posicionamento.
A sua suposta notoriedade e fidelização em constante construção criando boas ligações emocionais melhorarão consideravelmente essa marca.
Sendo assim será que a marca MPLA é um sistema propulsor e fonte de criação de valor?
Será que a notoriedade do MPLA continua a ser evocada de forma espontânea?
Para que a marca MPLA se perpetue será necessário que as atitudes das pessoas correspondam a avaliações globais favoráveis.
Não há dúvida que a força da marca MPLA quase se confundirá a um culto descentralizado e de interacções e laços fortes e experiências partilhadas que criam várias identidades verbais e simbólicas.
Para falar da antiguidade da Marca MPLA teremos que falar forçosamente do seu núcleo fundador de Conacry dos anos 60.
A marca MPLA se perpetua pelo seu prestígio devido as associações intangíveis, pelo seu simbolismo popularizado incontornável e grandes compromissos com o passado.
O MPLA como marca, alem de possuir narrativas de sobrevivência, inclui testemunhos que dão a história, significados mais profundos e grande carácter de emocionalidade.
A história do nacionalismo e luta de libertação pelos actores de renome a partir da fundação do MPLA em Conacry pelos seis fundadores bem personalizados, como Viriato da Cruz, Mário Pinto de Andrade, Hugo José Azancot de Menezes, Lúcio Lara, Eduardo Macedo dos Santos e Matias Migueis perpetuarão essa marca de forma reflectida.
Poderemos então afirmar que os fundadores de Conacry foram os agentes prioritários e fundamentais da verdadeira autenticidade da marca MPLA.
A dinâmica da história e a construção de identidades pressupõem estados liminares, pelo afastamento constante de identidades anteriores.
Desenvolver a cultura da marca MPLA exigirá um constante planeamento e estratégias que permitirão reunir e sentir esta marca global.
Para terminar apelaria que nas verdadeiras reflexões que a lenda da marca não obscurecesse a lenda dos fundadores verdadeiros artífices.
Escrito Por:
AYRES GUERRA AZANCOT DE MENEZES