Wednesday, July 16, 2008

A Rádio Despertar

PALAVRAS À SOLTA


“Para mim, é evidente que a UNITA está a jogar, sobretudo, para as eleições de 2012. Nas eleições deste ano, a sua aposta é desacreditar ao máximo o processo”.

Alguns jornais do último fim de semana deram destaque à notificação do Instituto Nacional de Comunicações (INACOM) à Rádio Despertar, da UNITA, para que a mesma reduza, até amanhã (terça-feira, 15), o alcance dos seus emissores, conformando-se, assim, com a lei em vigor no país, sob pena de ser suspensa por um prazo de 180 dias. A notícia também foi destaque, nos últimos dias da semana passada, em alguns jornais portugueses, para os quais Angola é uma obsessão, assim como em diversos sites e blogues noticiosos.De um modo geral, o tom do referido noticiário pretende insinuar uma tentativa do governo de, supostamente, silenciar a Rádio Despertar.

Os artigos que li sobre o assunto são claramente incompletos e parciais, pois todos eles baseiam-se apenas em fontes da UNITA.

Nem o INACOM nem o ministério da Comunicação Social foram ouvidos para dar quaisquer explicações sobre aquela notificação. Atendo-me à perspectiva jornalística, os mesmos têm de ser considerados medíocres.

A verdade é que o assunto não é de agora. Como se sabe, a legislação existente determina que as emissoras privadas só podem transmitir em frequência modulada, dentro de um raio de 50 quilómetros. Ora, a Rádio Despertar está a emitir num raio de 200 quilómetros.

Há pelo menos quatro meses que a emissora tem vindo a ser notificada para deixar de fazê-lo, mas, até à última notificação, não se dignava sequer a responder. Segundo um jornal local, estava à espera dos técnicos italianos que montaram os emissores, os quais estavam muito ocupados, algures num país qualquer.

Para mim, é evidente que a UNITA está a jogar, sobretudo, para as eleições de 2012. Nas eleições deste ano, a sua aposta é desacreditar ao máximo o processo, a fim de criar dificuldades ao próximo governo. Daí a sua insistência na “fraude-que-antes-de-ser-já-era”.

A utilização da Rádio Despertar para mera propaganda partidária e, em especial, a extensão do seu sinal além do raio legalmente definido para todas as FM’s insere-se igualmente nessa estratégia. Trata-se claramente de uma provocação.

Recordo que se se inscreviam nessa estratégia as alegações de que havia cidadãos que não tinham sido registados, assim como as insinuações de que as armas em posse ilegal dos cidadãos seriam uma “manobra do MPLA”.

Ambos os discursos faliram rapidamente, por duas razões: primeiro, ficou provado que não houve cidadãos por registar; e, segundo, a descoberta de uma enorme quantidade de paióis enterrados pelas antigas forças militares da UNITA demonstrou que o desarmamento é uma questão de toda a sociedade e não apenas deste ou daquele.

A questão é: como lidar com esse tipo de provocações?

O governo tem de saber agir em condições políticas e sociais adversas, não entrando em pânico nem reagindo de maneira emotiva e musculada. Apesar dos argumentos técnico-legais existentes serem irrefutáveis, a natureza política deste assunto é incontornável. A tomada de medidas extremas, sobretudo em contextos eleitorais, implica, no mínimo, uma clara compreensão por parte da opinião pública local, mas não só.

Na minha opinião, a melhor maneira de lidar com as provocações que visam desacreditar o processo eleitoral é denunciá-las, usando adequadamente a comunicação, em todas as suas formas (incluindo a diplomática). Até agora, porém, a maneira como este caso está a ser tratado demonstra mais uma vez o défice comunicacional do governo, entre o qual avulta a inexistência de uma assessoria de imprensa competente.

De toda a forma, quaisquer medidas para obrigar a Rádio Despertar a actuar dentro dos marcos legais devem ser tomadas de molde a tornar claro aos olhos da opinião pública que o governo e o partido no poder estão empenhados no reforço constante do sistema democrático. Isso – é preciso dizer – implica o respeito pela lei e pelas instituições.

A sociedade, de um modo geral, espera que o MPLA continue a ser o caminho seguro para a gradual e efectiva democratização, desenvolvimento e modernização de Angola.

Uma questão de nível

As relações entre comunicação, manipulação e poder suscitam um debate teórico-científico e político-ideológico permanente. No campo particular da comunicação política, esse debate agudiza-se de maneira especial em períodos eleitorais ou pré-eleitorais, como aquele que estamos a viver presentemente.

Em tais períodos, é habitual a oposição acusar quem estiver no poder de manipular a comunicação, como se ela não fizesse o mesmo. Em sociedades onde exista um sistema público de comunicação, a acusação pode assumir duas vertentes: a primeira é acusar o governo de usar os meios públicos para a sua própria campanha; a segunda é acusá-lo de tentar silenciar a oposição.

Nesses casos, a imprensa pública deve esforçar-se seriamente para não dar argumentos aos seus adversários. A aposta na credibilidade é crucial. Para isso, uma das exigências é o tom. Os meios de comunicação do Estado não devem, sob nenhum pretexto ou motivo, por mais justo que seja, abrigar textos escritos com “linguagem de carroceiro”.

João Melo, jornalista e escritor, diretor-geral da revista África 21, assina coluna no Jornal de Angola

 Correio Digital

Posted by Julinho in 19:59:08 | Permalink | No Comments »

Volkswagem pretende abrir linha de montagem de automóveis em Angola


Deputados do Parlamento Federal Alemão manifestaram hoje (quarta-feira), em Luanda, ao ministro-adjunto do primeiro-ministro, Aguinaldo Jaime, a intenção de construir uma fábrica de montagem de automóveis da marca Volkswagem e uma representação comercial em Angola.

Durante a audiência concedida por Aguinaldo Jaime, os parlamentares europeus demonstraram igualmente interesse em investir nos sectores da agricultura, construção de infra-estruturas e prestação de serviço.

Segundo o deputado do Partido Cristão Social, Kurt Rossmanith, em declarações à imprensa, o encontro serviu para incrementar as relações económicas entre os dois países e discutir a possibilidade de constituir parcerias empresariais nos sectores referidos.

Aguinaldo Jaime, que recebeu dos legisladores uma carta do Parlamento Federal Alemão, disse que “encara a cooperação entre os dois países com muita satisfação” e garantiu haver espaço para a participação alemã na reconstrução do país, tendo em conta as oportunidades de negócios existentes.

Como resultado das boas relações económicas, segundo o ministro, Angola regularizou já a sua dívida com a Alemanha e actualmente está a negociar uma linha de crédito de “montantes significativos”, escusando-se, no entanto, a precisar o valor do empréstimo.

“A Alemanha quer estar cada vez mais presente no nosso mercado e pensa abrir uma representação comercial, o que permitirá uma maior aproximação entre as duas comunidades empresariais”, notou.

“A Feira Internacional de Luanda (FIL) tem uma presença significativa de empresas alemãs que querem participar na reconstrução nacional”, notou Aguinaldo Jaime. A Alemanha assinala hoje o seu dia na exposição com 80 empresas.

O ministro Aguinaldo Jaime disse que a intenção do empresariado alemão em investir no sector não mineiro vai de encontro à estratégia do Governo de diversificar a economia, de modo a fazer reflectir o crescimento económico no nível de vida dos cidadãos.

O encontro entre Aguinaldo Jaime e os deputados alemãs teve como objectivo fortalecer as relações económicas entre os dois países e discutir as oportunidades de negócios existentes no mercado angolano.

Fonte:Angop

Posted by Julinho in 19:30:53 | Permalink | No Comments »

Governo portugues aprova acordo com Angola para protecção recíproca de investimentos


O Governo portugues aprovou hoje um decreto relativo a um acordo de Fevereiro deste ano, celebrado entre Portugal e Angola, para a protecção recíproca de investimentos, tendo em vista aumentar a cooperação económica entre os dois países.

Segundo o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, o acordo para a protecção de investimentos entre Portugal e Angola “já existe com outros países em que da parte portuguesa há relações de investimento”.

“Todos os acordos que temos deste tipo com outros países visam regular a relação de investimentos mútuos. A situação com Angola em nada é diferente daquela que se verifica com outros países”, referiu.

Luís Amado referiu depois que “Portugal tem investimentos em Angola e que Angola também tem investimentos em Portugal”.

“Este acordo de protecção de investimentos é um acordo padrão, semelhante a outros que temos com outros países em que há relações de troca de investimento”, insistiu.

No comunicado do Conselho de Ministros refere-se que o acordo “pretende facilitar a cooperação económica” entre Portugal e Angola, “criando condições favoráveis ao investimento de capitais, à intensificação da cooperação entre nacionais e sociedades, privadas ou de direito público, nomeadamente nos domínios da tecnologia, da industrialização e da produtividade”.

“Este acordo permite o estabelecimento de um fluxo internacional de capitais adequado, respeitando a soberania e as leis do Estado e protegendo a transparência de capitais com vista à promoção da prosperidade económica dos dois países”, acrescenta o Governo.

Fonte:Lusa

Posted by Julinho in 19:25:05 | Permalink | No Comments »

Angola salva exportações lusas


O mercado angolano afirma-se cada vez mais como a tábua de salvação para as exportações portuguesas. Com a economia europeia em nítido abrandamento, em particular Espanha, Angola é já o principal importador extra comunitário de produtos ‘Made in Portugal’ e dez mil empresas portuguesas já vendem produtos para este país de expressão portuguesa. José Sócrates visita amanhã a feira de negócios de Luanda, para incentivar as relações económicas entre os dois países.

Os números mostram que, desde que o primeiro-ministro visitouAngola,em 2006, os negócios entre os dois países aumentaram: as exportações portuguesas subiram 50,7% em 2006, 38,8% em 2007 e quase 26% de Janeiro a Maio de 2008. Só neste ano as vendas totalizaram 800 milhões de euros, metade do total em 2007. Neste ano foram emitidos 39 mil vistos e aprovados 400 projectos de investimento de empresários portugueses.

Por isso, Portugal estará presente na Feira Internacional de Luanda (Filda) com 102 empresas expositoras, “a maior participação portuguesa de sempre em certames internacionais”, frisa José Sócrates no catálogo da AICEP.

Para o primeiro-ministro, a sua visita à Filda “simboliza a importância” dada às relações entre Portugal e Angola e é “um estímulo ao seu aprofundamento”. Mais: “Posso assegurar que os investimentos angolanos são bem-vindos em Portugal, como sentimos que o investimento português é bem recebido em Angola”.

NOVA LINHA DE CRÉDITO EM ESTUDO

O Governo está a estudar a hipótese de criar uma nova linha de crédito para financiar as exportações e o investimento português em Angola. Pretende-se, diz fonte governamental, “potenciar as relações económicas entre os dois países”.

Em breve entrará em vigor a concessão a Angola, através da CGD, de uma linha de crédito de 100 milhões de euros, para financiar projectos públicos angolanos atribuídos a empresas portuguesas.

Correio da Manha “António Sérgio Azenha”


Posted by Julinho in 12:18:46 | Permalink | No Comments »