Obama deixa Hillary encostada à parede
Democratas pedem união e sonham com ‘ticket’
À primeira vista, pode parecer uma vitória partilhada, mas os resultados das primárias no Indiana e na Carolina do Norte arriscam-se a dar o golpe fatal na corrida de Hillary Clinton à nomeação democrata para as presidenciais de Novembro nos EUA. Vencedora no Indiana por 2% dos votos, a senadora prometeu ontem manter-se na corrida “até haver um candidato”. Mas após ter sido derrotada por 12 pontos na Carolina do Norte, dificilmente conseguirá recuperar o atraso em relação a Barack Obama nas seis primárias que faltam até à convenção de Agosto em Denver, no Colorado.
Para o Chicago Tribune, Hillary é “como um gato que recusa morrer mesmo depois de ter sido atropelado”. E de facto, a ex-primeira dama garantiu aos apoiantes reunidos em Indianapolis que irá “em frente até à Casa Branca”. Um optimismo que contrasta com a opinião dos analistas. Para estes, “a corrida acabou”, como escreveu na BBC John Zogby, o presidente do instituto de sondagens com o mesmo nome. Zogby sublinhou que Obama precisa de menos de 200 delegados para atingir a nomeação. O diário New York Post foi mais longe e garantiu que Hillary está “Frita!”
Este raciocínio matemático foi igualmente apresentado pelo director de campanha de Obama. Num relatório enviado aos superdelegados, David Plouffe explica que Hillary tem de ganhar “68% dos delegados” ainda em jogo. Uma tarefa praticamente impossível tendo em conta o sistema de distribuição proporcional dos democratas. Com a decisão entregue aos superdelegados, responsáveis do partido livres de escolherem em quem votam, a vitória na Carolina do Norte deu vantagem a Obama. Com a maioria do voto popular, mais estados ganhos e mais delegados, só precisa de um quarto dos 794 superdelegados.
Hillary perdeu no Indiana a oportunidade de provar de vez que é a candidata com mais hipóteses de derrotar McCain a 4 de Novembro. Além disso, a sua campanha atravessa problemas financeiros. Os media garantiram que a senadora teve de usar 6,4 milhões de dólares do seu dinheiro pessoal para continuar na corrida.
Depois de a ex-primeira dama ter prometido continuar na corrida, os responsáveis democratas voltaram a mostrar-se preocupados com os danos que esta luta pode causar às ambições presidenciais do partido. Vários superdelegados apelaram à união dos democratas. “Espero que o meu amigo Obama seja humilde e estenda a mão à equipa Clinton”, disse Harold Ford. O congressista deu voz a uma solução que começa a ganhar força no partido: um ticket Obama-Hillary. “Acabaria com os diferendos e com a dificuldade de Obama em conquistar o voto branco”, disse o congressista.
Mas se alguns apelam ao senador para convidar a ex-primeira dama a ser sua vice, outros pedem a desistência desta. É o caso de George McGovern, o candidato derrotado por Richard Nixon nas presidenciais de 1972, que disse na FOX News: “Não vejo quais as hipóteses que ainda restam a Hillary e é essencial os democratas unirem-se para vencerem”.
Num discurso que mais soou ao de um candidato que acabara de receber a nomeação, Obama apelou, ele próprio, à união do partido: “Precisamos de mudança na América. E por isso estaremos unidos em Novembro”, disse na Carolina do Norte, durante uma intervenção a lembrar a que o lançou para a fama na convenção de 2004.
HELENA TECEDEIRO
A entrada em Portugal do terceiro maior banco angolano é o corolário natural do crescente interesse daquele país africano nos negócios e empresas nacionais. O Banco Internacional de Crédito (BIC) assume-se como a porta de entrada do capital angolano no mercado nacional, que até ao momento tem estado concentrado em duas grandes áreas: a Energia (através da participação na Galp) e o sector financeiro.