Friday, May 9, 2008

Obama deixa Hillary encostada à parede



Democratas pedem união e sonham com ‘ticket’
À primeira vista, pode parecer uma vitória partilhada, mas os resultados das primárias no Indiana e na Carolina do Norte arriscam-se a dar o golpe fatal na corrida de Hillary Clinton à nomeação democrata para as presidenciais de Novembro nos EUA. Vencedora no Indiana por 2% dos votos, a senadora prometeu ontem manter-se na corrida “até haver um candidato”. Mas após ter sido derrotada por 12 pontos na Carolina do Norte, dificilmente conseguirá recuperar o atraso em relação a Barack Obama nas seis primárias que faltam até à convenção de Agosto em Denver, no Colorado.

Para o Chicago Tribune, Hillary é “como um gato que recusa morrer mesmo depois de ter sido atropelado”. E de facto, a ex-primeira dama garantiu aos apoiantes reunidos em Indianapolis que irá “em frente até à Casa Branca”. Um optimismo que contrasta com a opinião dos analistas. Para estes, “a corrida acabou”, como escreveu na BBC John Zogby, o presidente do instituto de sondagens com o mesmo nome. Zogby sublinhou que Obama precisa de menos de 200 delegados para atingir a nomeação. O diário New York Post foi mais longe e garantiu que Hillary está “Frita!”

Este raciocínio matemático foi igualmente apresentado pelo director de campanha de Obama. Num relatório enviado aos superdelegados, David Plouffe explica que Hillary tem de ganhar “68% dos delegados” ainda em jogo. Uma tarefa praticamente impossível tendo em conta o sistema de distribuição proporcional dos democratas. Com a decisão entregue aos superdelegados, responsáveis do partido livres de escolherem em quem votam, a vitória na Carolina do Norte deu vantagem a Obama. Com a maioria do voto popular, mais estados ganhos e mais delegados, só precisa de um quarto dos 794 superdelegados.

Hillary perdeu no Indiana a oportunidade de provar de vez que é a candidata com mais hipóteses de derrotar McCain a 4 de Novembro. Além disso, a sua campanha atravessa problemas financeiros. Os media garantiram que a senadora teve de usar 6,4 milhões de dólares do seu dinheiro pessoal para continuar na corrida.

Depois de a ex-primeira dama ter prometido continuar na corrida, os responsáveis democratas voltaram a mostrar-se preocupados com os danos que esta luta pode causar às ambições presidenciais do partido. Vários superdelegados apelaram à união dos democratas. “Espero que o meu amigo Obama seja humilde e estenda a mão à equipa Clinton”, disse Harold Ford. O congressista deu voz a uma solução que começa a ganhar força no partido: um ticket Obama-Hillary. “Acabaria com os diferendos e com a dificuldade de Obama em conquistar o voto branco”, disse o congressista.

Mas se alguns apelam ao senador para convidar a ex-primeira dama a ser sua vice, outros pedem a desistência desta. É o caso de George McGovern, o candidato derrotado por Richard Nixon nas presidenciais de 1972, que disse na FOX News: “Não vejo quais as hipóteses que ainda restam a Hillary e é essencial os democratas unirem-se para vencerem”.

Num discurso que mais soou ao de um candidato que acabara de receber a nomeação, Obama apelou, ele próprio, à união do partido: “Precisamos de mudança na América. E por isso estaremos unidos em Novembro”, disse na Carolina do Norte, durante uma intervenção a lembrar a que o lançou para a fama na convenção de 2004.

 

 

HELENA TECEDEIRO

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Investimento angolano aposta no sector bancário e Energia


A entrada em Portugal do terceiro maior banco angolano é o corolário natural do crescente interesse daquele país africano nos negócios e empresas nacionais. O Banco Internacional de Crédito (BIC) assume-se como a porta de entrada do capital angolano no mercado nacional, que até ao momento tem estado concentrado em duas grandes áreas: a Energia (através da participação na Galp) e o sector financeiro.

Para fazer a ponte entre estes investimentos está o empresário Américo Amorim. Aliado de longa data da família Eduardo dos Santos, o ‘rei da cortiça’ vai utilizar a sua participação no Banco Popular (onde é o maior accionista individual) para ajudar o novo banco angolano a conquistar mercado, tal como fez com a Sonangol ao abrir as portas do capital da Galp.

O BIC Português vai centrar atenções no negócio entre os dois países em três vertentes: banco correspondente dos bancos angolanos, nomeadamente do Banco BIC Angola; banca de empresas, apoiando os empresários portugueses que tenham investimentos em Angola e os empresários angolanosque queiram internacionalizar os seus negócios em Portugal ou no resto da Europa; e gestão de activos financeiros de investidores angolanos.

                                                                                                                                                    Fernando Teles,

                                                                                                                                             do BIC Angola, e Mira Amaral,

                                                                                                                                             que será o presidente

                                                                                                                                            executivo do BIC Português

O novo banco, que abriu ontem a sua primeira agência em Portugal, conta com a mesma estrutura accionista do seu homólogo angolano, ou seja, 25 por cento do capital é detido por Américo Amorim, 25 por cento é pertença da Sociedade de Participações Financeiras (SPF), empresa da filha do presidente de Angola, Isabel dos Santos, e 20 por cento encontra-se na posse do presidente executivo do banco em Angola, Fernando Teles. Em Portugal, o ex-ministro da Indústria Mira Amaral foi o nome escolhido para presidir ao conselho de administração da nova instituição financeira.

Segundo Mira Amaral, o BIC deve abrir uma outra agência no Porto ‘até ao final do ano’. O mercado de capitais e a banca de investimento serão a segunda etapa para o BIC Português.

Mas o BIC Português não ‘desbravou terreno’. A Sonangol, maior empresa angolana, tem vindo a investir milhões em Portugal. Possui cerca de 7 por cento do Millennium BCP e é o terceiro maior investidor da Galp. A empresa, através do seu presidente, Manuel Vicente, já afirmou publicamente o seu interesse em deter uma participação importante no capital da eléctrica portuguesa – EDP.

O ALIADO CHAMADO AMÉRICO AMORIM

Um dos mais antigos aliados dos interesses angolanos em Portugal é o empresário Américo Amorim, que escolheu a Sonangol como parceiro estratégico para conquistar o controlo da Galp Energia. A Sonangol detém 45% da Amorim Energia que controla 33% da Galp.

GOVERNO SATISFEITO COM INTERESSE AFRICANO

O Governo português já manifestou a sua ’satisfação’ pelo interesse que Angola tem no mercado português. Numa visita oficial a Luanda, o ministro português dos Negócios Estrangeiros afirmou que ‘um País que tem necessidade de captar investimento, tendo a possibilidade de ter empresas que têm confiança nas oportunidades que as empresas portuguesas e a economia portuguesa oferecem, como é o caso da Sonangol, só deve encarar essa realidade com satisfação’.

Luís Amado acrescentou que ‘as regras são as regras do mercado, as relações são as relações entre empresas’. A mesma posição tem o ministro das Finanças. Teixeira dos Santos considerou ‘infundados’ os receios manifestados por alguns responsáveis sobre a entrada da Sonangol no capital do maior banco privado português (Millennium BCP) e da petrolífera nacional.

A GESTORA LIGADA AO SECTOR FINANCEIRO

A filha primogénita do presidente Eduardo dos Santos tem 25 por cento na nova instituição bancária, através da sua empresa Sociedade de Participações Financeiras (SPF). Isabel dos Santos licenciou-se em Engenharia em Londres e cedo mostrou as suas competências como gestora, em particular no sector financeiro. Em 2001, com o apoio do Grupo Espírito Santo, fez parte do núcleo fundado do BESA – Banco Espírito Santo Angola. Tem como próximo projecto criar uma biorrefinaria em Sines.

ESTRATEGA DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS

O presidente executivo da Sonangol é o principal estratega do investimento angolano em Portugal. Manuel Domingos Vicente ocupa o lugar de vogal no Conselho de Administração da Galp Energia e tem assento no Conselho Superior do Millennium BCP, lugar que acumula com a de vogal no Conselho Geral e de Supervisão. Manuel Vicente foi protagonista de um episódio que criou embaraço ao Governo português ao afirmar que a Galp ‘tem de obedecer às nossas instruções’, referindo-se à operação em Cabo Verde.

MIRA AMARAL CONTRA GELDOF

‘Há dois tipos de pessoas: os gestores que sabem do que falam e os artistas de rock e pop que serão competentes na sua área, mas se calhar noutras áreas não têm competência nem o conhecimento para falar’

‘Não mostram a mínima sensibilidade para o esforço enorme que um país que viveu em guerra tantos anos está a fazer para se reconstruir’

‘São afirmações que, além de serem totalmente irresponsáveis, são profundamente desconhecedoras da realidade angolana’

‘Qualquer pessoa que seja gestor executivo sabe o que custa fazer as coisas na prática e o tempo que levam a fazer. Quem canta músicas e depois tenta falar sobre coisas sérias, se calhar esta não é a sua área específica de competência’

Pedro H. Gonçalves / Miguel A. Ganhão
Posted by Julinho in 13:11:06 | Permalink | No Comments »