Friday, May 2, 2008

Fundo Empresarial vai contribuir para criação de novas indústrias

Instrumento financeiro, a ser tutelado pelo Ministério das Finanças


O Fundo de Fomento Empresarial instituído pelo Governo, vai servir de mecanismo para potenciar a classe empresarial angolana, que se queixa de falta de incentivos.

Essa apreciação foi feita por empresários e economistas contactados ontem pelo “Economia & Finanças”, a propósito da criação do referido instrumento, que visa garantir o crescimento sustentado das capacidades empresariais e financeiras dos investidores privados nacionais.

A empresária Henriqueta de Carvalho aplaude a iniciativa do Executivo angolano, mas alerta para os cuidados na altura da avaliação dos projectos a serem financiados, através do fundo, essencialmente àqueles ligados às mulheres empreendedoras. A também Secretária-geral da Associação das Mulheres Empreendedoras de Angola (AMEA) diz que as mulheres do interior possuem empreendimentos inoperantes e que necessitam de apoio financeiro para reerguer às suas fábricas.

“Estivemos há tempos na Gabela e constatámos que as mulheres empresárias clamam por ajuda, visto possuírem projectos, mas que, no entanto, não sabem como implementá-los”, explica. Para ela, as empresárias não conseguem créditos através dos bancos comerciais, devido à exigência imposta aos clientes. Geralmente, os bancos exigem um fiador ou avalista, o que se torna difícil para as empresárias conseguirem.

Daí que Henriqueta de Carvalho, louva a iniciativa, que na sua óptica, chegou numa fase de reconstrução nacional. Apesar de ainda não saber os critérios de financiamento, a empresária acredita no sucesso. O Fundo de Fomento Empresarial é igualmente visto como um instrumento de execução da política económica e social do Governo, no contexto do processo de reconstrução nacional.

O empresário de Benguela, Emanuel Bucassa, não tem dúvidas de que o Governo tomou uma medida certa. Também chama igualmente atenção dos critérios a adoptar para a concessão do financiamento. “É necessário a existência de um fundo de apoio ao empresário, mas estamos numa economia de mercado e os critérios devem ser bem avaliados para que outros homens de negócios que apostam noutros sectores também se beneficiem”, disse.

Para a economista Marinela Amaral, o fundo é uma forma de estimular a classe empresarial sobretudo do segmento das pequenas e médias empresas que perseguem lucros imediatos. Ela disse que o instrumento é instituído, à semelhança, de outros países do mundo e teve sempre resultados satisfatórios.

A economista, que é considerada decana da banca por trabalhar há vários anos no Banco Nacional de Angola (BNA), afirmou que é altura da criação de riquezas no país, pois muitos empresários reclamam por falta de maiores incentivos para desenvolver às actividades. Marinela Amaral foi uma das integrantes que participou no estudo de viabilidade económica do Fundo de Fomento Empresarial. Para ela, o Fundo ora criado, não tem nada a ver com o do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA). Apesar dos dois serem públicos, do BDA visa apoiar as cadeias produtivas e incentivar à criação animal.

O Fundo de Fomento Empresarial, que será tutelado pelo Ministério das Finanças e dirigido, preferencialmente, para as empresas do sector industrial, procurará obter um bom nível de rentabilidade a prazo. O novo instrumento financeiro vai ajudar a reestruturar e englobar diversos investimentos já iniciados, com objectivo de re-industrializar o país e desenvolver o sector privado nacional.

Dados tornados públicos indicam que o sector industrial angolano registou em 2006 um crescimento na ordem dos 44,7 por cento contra 22 % alcançados no ano anterior.

O sector industrial do país tem vindo a registar uma elevada taxa de crescimento, comparativamente aos anos anteriores, tendo ganho mais produção, regista mais novos projectos de investimento directo ao mesmo tempo que se verificam muitas outras novas iniciativas.

Apesar de os resultados não serem ainda visíveis, nos próximos tempos (a médio e longo prazos) serão notáveis, uma vez que muitos investimentos estão a ser realizados neste momento. Angola vai continuar a proteger a sua indústria, apoiar o sector privado e modernizar as infra-estruturas no sentido de acelerar o crescimento económico.

Economia & Finanças

Posted by Julinho in 13:24:56 | Permalink | No Comments »

Zimbabué verifica resultados eleitorais

Tsvangirai não ultrapassou a fasquia dos 50 %


A comissão eleitoral do Zimbabué já começou a verificar os resultados das eleições presidenciais. Representantes tanto do partido do governo, a Zanu-PF, como do partido da oposição, o MDC, estão a acompanhar o processo.

Não se sabe quanto tempo é que pode durar esta fase, e quando é que, finalmente, os resultados das eleições realizadas em Março passado, vêm a público.

Fontes governamentais deram a entender que Morgan Tsvangirai tinha efectivamente ficado em primeiro lugar na votação mas que não tinha ultrapassado a fasquia dos 50 %. Neste caso, seria necessário uma segunda volta.

Numa entrevista à televisão, Tsvangirai já se opôs à sugestão de disputar novamente as presidenciais, dizendo que os números apontados são especulativos e que está certo de que não precisa de uma segunda volta. Tsvangirai garante que os dados do MDC dão uma vitória clara à oposição.

Denúncias de violência

Tanto a oposição zimbabueana como grupos de direitos humanos e a comunidade internacional em geral, questionaram se é possível disputar uma segunda volta de forma livre e justa.

Tiseke Kasambala, Human Rights Watch

Na primeira reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a situação no Zimbabué, uma porta-voz da ONU disse que o Zimbabué atravessa neste a momento a pior crise humanitária desde a independência do país, e denunciou a intimidação e violência política por parte do partido governante.

Tendai Biti comentou a situação: “Trata-se de violência sistemática sobre o povo zimbabueano por parte do estado”, disse o secretário-geral da oposição.

“A sociedade está a militarizar-se e o país está a ser governado por uma junta meia civil, meia militar, liderada pelo próprio Mugabe.”

O grupo Human Right Watch acusou o exército de organizar ataques a activistas do MDC, providenciando armas e transporte.

“Vimos casos em que as pessoas foram obrigadas a deitar-se de barriga para baixo e foram brutalmente espancadas nas costas e nádegas com barras de ferro, troncos e pedras”, denunciou Tiseke Kasambala.

A porta-voz do grupo de direitos humanos acusou o partido de Robert Mugabe, mas alertou para dois ataques de vingança por parte do MDC, avisando que podia levar a uma situação de “anarquia”.

Polícia acusa oposição

Um influente chefe de polícia do Zimbabwe disse que estavam a ser investigados aproximadamente 100 casos de fraude.Augustine Chihuri acusou ainda a oposição pela violência no país.

O jornal do estado, Herald, revelou que a polícia zimbabueana quer interrogar Tendai Biti, acusando-o de quebrar a lei eleitoral ao declarar Morgan Tsvangirai vencedor.

Tendai Biti, em Nova Iorque para o encontro da ONU, voltou a apelar à comunidade internacional.

Descrevendo o facto de Mugabe continuar à frente do Governo, cinco semanas depois das eleições, como um golpe de estado, Biti disse que era “urgente e crítico que se peça a Mugabe para abandonar o poder, para que a vontade do povo seja respeitada.”

Tanto Biti como Morgan Tsvangirai continuam fora do país e não se sabe quando voltarão para o Zimbabué.

BBC

Posted by Julinho in 13:12:51 | Permalink | No Comments »