Visita de Jacob Zuma a Angola contestada na África do Sul
Não obstante ser o líder do partido no poder, analistas na África do Sul advertiram esta semana que Jacob Zuma não goza de mandato popular que lhe autorize a discutir parte do conteúdo dos assuntos que abordou com autoridades angolanas, uma vez que o Estado sul africano dispõem de um Ministério dos Negócios Estrangeiros para o efeito.
As reações surgiram segunda feira a noite quando um avião da presidência angolana deixou o Presidente do ANC no aeroporto de Joanesburgo. Confrontado pela “media” Jacob Zuma falou do que conversou com as autoridades angolanas com realce a analise da cooperação que visa a capitalização de investimento sul africano em Angola. De acordo com Zuma “este é o interesse que o ANC tem para as questões socioeconômico e político para o desenvolvimento de Angola”.
Na percepção dos analistas, o líder do ANC passou mais uma vez “por cima” do Presidente da Republica Thabo Mbeki no que diz respeito aos assuntos da competência do Estado. Zuma é exortado a ter calma devendo primeiro concorrer as eleições, vence-las para que no exercício do seu mandato poder actuar legitimamente na política externa. Enquanto isso não ocorre, Zuma é aconselhado deixar as tarefas de estado sob responsabilidade do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
No ver do analista político Steven Friedman, do “think tank Idasa” o nível das discussões tidas em Luanda não se enquadram num fórum partidário e acusa Jacob Zuma, de andar a “brincar aos presidentes”. Para Friedman que falava ao Jornal “Business day” os partidos discutem cooperação política e solidariedade. Conclui, portanto, que as discussões tidas em Angola poderão criar fricção entre o “Union Bulding” palácio presidencial de Mbeki e a “Luthuli house” (sede do ANC).
Entretanto, Jessie Duarte, uma porta voz do ANC disse aos jornalistas que não há nenhum acordo formal entre o MPLA e o ANC, mas adianta que o seu partido tem pelo menos autoridade para levantar o debate.
De salientar que ao contrario de Angola e Moçambique onde o secretario do Bureau político do “partido” aparenta ter autoridade sobre um ministro, na África do sul, o parlamento é o fórum legal onde as forcas políticas podem expor e influenciar os Estado com os assuntos de interesse nacional.
“EFEITO ZUMA” NAS RELAÇÕES COM ANGOLA
As relações estão tão fortes que os corredores do Gabinete de Jacob Zuma na África do Sul deixou de estar aberto a personalidades desenquadradas ao partido que faz de Angola um “canteiro de obras”.
A sua ida a Angola abriu novas fronteiras entre o ANC e o MPLA prevendo uma dinâmica mais actuante para nos tempos que se sequem. Em Luanda, o líder do MPLA Jose Eduardo dos Santos pôs lhe em contacto directo com membros do Bureau Político do seu partido, membros do comitê provincial de Luanda sem ignorarmos a um contacto com as bases em Cacuaco. Ambos acordaram que os seus secretários gerais passassem a se encontrar periodicamente para trocas de impressões do interesse dos paises que cada um responde pela gestão governamental.
Os jornais privados em Angola não terao motivos de nos próximos dias trazer manchetes que aponta maus tratos dos seus conterrâneos no consulado sul africano em Luanda. Fontes próximas aquela chancelaria haver certa percepção de que toda medida de concessão de visto que crie barreira aos angolanos poderá ir em sentido oposto aos interesses que a nova liderança do ANC pretende que o seu pais tenham com Angola. Para por fim ao problema o chefe da missão consular em Angola, tido como figura com simpatias ao Partido Inkata tem as malas feitas para uma retirada discreta.
INTERESSE EM APOIAR JACOB ZUMA
A tão mediatica recepção de Jacob Zuma em Luanda é uma indicação clara de que ele seja aposta certa do Governo angolano para a liderança do seu pais. Este terá sido um dos assuntos que se analisou com o seu homologo do MPLA. A evidencia esta nas declarações feita a media em Joanesburgo ao revelar que a porta fechada com o Presidente Jose Eduardo Dos Santos, ambos falaram sobre um controverso “relatório secreto” de origem incerta que alega a existência de uma agenda conspiratória favorecendo Jacob Zuma na sucessão de Thabo Mbeki sob patrocínio do Presidente da Líbia Omar Khadafi e do Líder angolano.
O apoio da parte angolana segundo a edição do “Mail e Guardian” de 7 de Agosto de 2007 foi canalizado através de duas empresas petrolíferas em que Jacob Zuma é apontado como detentor de certo interesse. Estas empresas de acordo com o “M&G” foram criadas depois o então chefe dos serviços secretos de Angolana General Garcia Miala ter recebidos orientações superiores para estudar formas de apoiar o actual Presidente do ANC. Entre as empresas citadas pela media destaca-se a “Amaqhawe Wase Africa Petrolium” ligada a exploração de petróleo legalizadas a 7 de Outubro de 2005 cujos donos são pessoas rodeadas ao líder do ANC.
Com Jacob Zuma no poder, a cooperação entre os dois paises poderão estar mais alargadas em diversos sectores. O Presidente do ANC pretende encorajar o seu pais a investir em Angola em áreas como exploração de minerais, agricultura e na construção de industrias conforme deu a conhecer aos jornalistas que lhe interceptaram no aeroporto.
É certamente com a sua liderança que as autoridades angolanas irão ver-se condignamente reconhecidas pelo apoio prestado ao ANC ao tempo que lutava contra o regime do apartheid. Neste capitulo, Luanda poderá igualmente ver-se indiminizada pelo Estado sul Africano devido aos danos que o exercito do apartheid causou as suas infrastruturas. Trata-se de um assunto que Jose Eduardo dos Santos ao tempo Ministro das Relações Exterior do primeiro governo formado em Angola levou a assembléia das nações unidas. Trata-se de uma indiminizacao avaliada em bilhões de dólares. Desde que o ANC subiu ao poder, Luanda nunca sentiu algum iniciativa da África do Sul em discutir o assunto.
A subida de Zuma ao poder, caso não seja declarado culpado pelo tribunal que o julga em Agosto, fará da África do Sul o “puzzle” que Angola precisa para se tornar o “sol” da região austral do continente cujos restantes paises o rodearão como seus satélites.
CONTROVERSA NA FESTIVIDADE DA BATALHA DO CUITO CUANAVALE
Enquanto o líder do ANC participava em Luanda nas festividades da batalha que ocorreu a 20 anos atrás na vila do Cuito Cuanavale, os seus conterrâneos que serviram o extinto regime do Apartheid comemoraram o oposto. Em discurso proferido na semana passada perante a Assembléia Legislativa da província de Northwest, Chris Hattings, deputado provincial da maior força da oposição sul-africana, a Aliança Democrática, prestou homenagem aos militares sul-africanos caídos naquela guerra, descrevendo a batalha do Cuito Cuanavale como “uma humilhação para as forças cubanas e das Fapla”.
Uma outra controversa surgiu quando um dos organizadores da viagem que membros do Parlamento sul-africano realizaram no Cuando Cubango, o ex-coronel Patrick Ricketts (que se aliou ao Braço armado do ANC), sugeriu no ano passado que os corpos de cerca de 400 combatentes sul-africanos estariam sepultados junto a um campo minado nas imediações do local onde ocorreu a batalha do Cuito Cuanavale.
Vários oficiais sul-africanos na reserva, contatados pela media, rejeitaram por completo a idéia de que combatentes do braço armado do ANC tenham participado das operações militares no Cuito Cuanavale ao lado das forças cubanas e angolanas.
Os ex-comandantes e combatentes da defesa sul africana (SADF) contestaram, no entanto, as alegações de Ricketts, desafiando-o a apresentar provas do que afirma e insistindo que uma batalha na qual as forças cubanas e angolanas perderam 4.785 soldados e as sul-africanas apenas 31 nunca poderia ter sido vencida pelas chamadas “forças de libertação.
O P
