Tuesday, February 5, 2008

Dúvidas e (muitas) certezas sobre a saída de Capapinha - Eugénio Costa Almeida


“Kopelipa terá tido o mesmo destino”

Porto - A seu pedido – terá sido mesmo?!?!? –, e de acordo com um comunicado da Presidência da República de Angola, Job Pedro Castelo Capapinha deixou o cargo de Governador Provincial de Luanda por razões ainda não cabal e devidamente explicadas.

Terá sido a carta de Tchizé dos Santos ou as ligações à Igreja Maná que levaram à demissão do governador de Luanda?

E torna-se estranho porque ainda há dias mostrava uma força e pujança ilimitadas como provavam as suas palavras na tomada de posse de novos administradores municipais e comunais da cidade de Luanda, onde exigiu – teria sido por isso? – mais empenho no combate ao deteriorado saneamento básico que é uma mina para certos e pouco escrupulosos “fornecedores de água” que, não raras vezes, “foge” da capital, no arranjo das estradas municipais, na recolha do lixo e no reordenamento da venda ambulante, na conservação da iluminação pública e no combate ao banditismo, na proibição clara de ocupação ilegal de terrenos – será que desta vez as ONG’s conseguiram ter mais força que o poder central , ou teria sido que certos especuladores conseguiram correr com Capapinha? –, ou a exigência de informação correcta às populações das eternizadas e pouco claras obras públicas que se fazem na cidade e que muitas a estão a descaracterizar.

O que, realmente, espoletou esta saída? Terá sido a carta que se indica como sendo produzida por Tchizé dos Santos, uma das filhas do presidente Eduardo dos Santos? Terão sido as ligações à Igreja Maná?

Relembremos que a carta em questão criticava os”… ‘engraxadores’, ‘bajuladores’, os ‘Kotas Bosses’, e outros delinquentes do colarinho branco…” que pululam pelo país passando, não poucas vezes, por “cima de outros cidadãos, ricos ou pobres” no que a articulista considera ser o “dia-a-dia da batalha pelo ganha pão”.

Só que, como ela relembra, existem muitos “…’pseudo-novos-ricos’ angolanos esquecem as suas origens e querem passar por cima do seu vizinho que saiu do mesmo bairro e acham que têm direito a tudo na lei da força”.

E como recordamos casos como o de Kundi Pahiama, o todo poderoso Ministro da Defesa, que manda aviões às suas fazendas (ainda há quem ganhe o suficiente com a sua actividade governativa ao contrário do que lamenta o presidente Eduardo dos Santos) buscar cabeças de gado para a sua família e para os seus cães! e nunca para os pobres, porque desses não reza a história.

Ou terá sido por causa de uns 4’54” de uma canção rap reconhecida por “Xumuna - Trilha1 ‘Ze Du’” ou “Variada 2008”, onde o presidente é fortemente criticado – diria mais, tristemente enxovalhado e de uma forma muito pouco correcta e com ataques claramente racistas que não são apanágio dos angolanos, mesmo que contrários ao MPLA e suas órbitas, embora a denominação de “raça”, em vez de “sexo” nos Bilhete de Identidade não ajude – bem assim os que gravitam à sua volta e que “roubam milhões sem travões…” mas que permitiu fazer emergir, e muito rapidamente, imensos bajuladores gravitando à volta da Cidade Alta como castos abutres ou inocentes hienas.

Mas se Capapinha saiu de cena, Luanda não ficou desprotegida. Bem pelo contrário.

De acordo com o citado comunicado presidencial – mas por que raio um governo provincial, que pertence ao Poder Executivo e ao nível hierárquico do Governo Central e do Gabinete do Primeiro-ministro (mas existe mesmo um Primeiro-ministro?), embora na minha opinião devesse estar sob alçada de um Ministério do Interior ou da Administração do Território, está sob ordens e directrizes da presidência? – foi criado um Gabinete de Intervenção na província luandense que incorporará personalidades como Joaquim Reis Júnior, que o vai coordenar e era até agora secretário do Conselho de Ministros, Manuel Correia Victor, que ficará com a área económica, Manuel António, que supervisionará a área social, Afonso de Antas Miguel, que tomará conta do sector produtivo (qual?!) e representantes dos ministérios do Planeamento, das Finanças, das Obras Públicas, do urbanismo e Ambiente, da Administração do Território, da Energia e Águas, do Secretariado do Conselho de Ministros e do Gabinete de Reconstrução Nacional.

Ou seja, mais uns quantos, coitados que vão ter de fazer pela vida na duríssima batalha do ganha-pão. Realmente é preciso ser muito patriota para, como lamenta o senhor Presidente, não se conseguindo ganhar o suficiente pela via do serviço governativo, haver ainda quem queira ser membro de órgãos públicos e governativos.

Provavelmente pensam que conseguem aceder a um estatuto como o de Pahiama – ter fazendas e aviões para irem buscar cabeças de gado –, ou outros que além de Ministros – ou foram – são também gestores – leia-se, donos – de bancos e empresas piscatórias, pelo menos…

Mas segundo consta nos “mentideros” de Luanda não terá sido só Capapinha que foi exonerado.

Também o todo poderoso Kopelipa terá tido o mesmo destino – já é a segunda vez que se ouve falar em demissão ou, como aconteceu há poucos meses, na sua rápida desmentida detenção – embora ainda não confirmado, até porque há hora que escrevo estas linhas os principais portais noticiosos angolanos estão todos “out”; provavelmente foram todos comemorar o 4 de Fevereiro, Dia do início da Luta Armada, e esqueceram-se de deixar os servidores ligados…

* Eugénio Costa Almeida
Fonte: NL

Posted by Julinho in 22:03:05
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