EUA - Os Clinton dividem esforços para derrotar os adversários
As raivosas acusações trocadas entre Hillary Clinton e Barack Obama no debate televisivo na Carolina do Sul estão a produzir efeitos.
Se Obama disse que “muitas vezes não [sabe] quem é o candidato com que me defronto”, a sua oposição já aparece caracterizada como “os Clinton” no Wall Street Journal. O jornal avisa: “O senador do Illinois é ainda um jovem, mas não tão jovem que tenha perdido os anos 90. Mas parece estar a acordar lentamente para o que toda a gente já sabe sobre os Clinton: que eles dirão tudo o que têm a dizer para vencer.”
Também a invectiva de Hillary aos laços que Obama teve com o empresário de imobiliário Antoin Rezko em Chicago estão a ser investigados pelos jornalistas. Embora Obama tenha dado a organizações de caridade 41 mil dólares de donativos feitos por Rezko para a sua campanha, lêem-se hoje informações de que Rezko “passou anos a injectar milhares de dólares em contribuições de campanha para que Obama pudesse subir da legislatura do Illinois ao Capitólio - e ajudou-o a angariar muitos mais”.
Obama faz uma campanha bem sucedida para os caucus na Carolina do Sul no sábado, enquanto os Clinton dividem esforços: Bill ficou por lá e Hillary rumou à Califórnia para assegurar o apoio da comunidade latina na superterça-feira de 5 de Fevereiro. E Bill, orador consumado que consegue facilmente “agarrar” qualquer plateia, mas especialmente as do Sul, tratou logo de capitalizar o debate. Num comício, disse: “Pode parecer loucura, mas até gosto de ver Hillary e Barack a lutar. São pessoas de carne e osso e têm as suas divergências - deixem-nos lutar por elas”.
Isso não agrada muito ao aparelho democrata. Tom Daschle, ex-líder da maioria no Senado, acha os ataques dos Clinton “distorções incríveis” são semelhantes aos dos republicanos: “Acabam por destruir o partido e vão ter efeitos no futuro”.
John Kerry, o candidato democrata em 2004, vítima dos anúncios distorcidos dos “Veteranos das Lanchas Rápidas pela Verdade”, acrescenta que “devemos estar determinados a nunca mais perdermos uma eleição para uma mentira”.
Só que, lembra o editorialista do Wall Street Journal, o comportamento do ex-presidente “faz parte do manual dos Clinton de deixarem os outros fazer o trabalho sujo enquanto o candidato fica acima da refrega. Hillary e outros ficaram com a função de salvar o marido das mentiras sob juramento com o espectro da ‘vasta conspiração de direita’. Agora Bill retribui atacando Obama.
No campo republicano, Fred Thompson abandonou a corrida sem apoiar ninguém, mas Mitt Romney pisca-lhe o olho com a possibilidade da vice-presidência. Na Florida, onde há primárias na terça-feira (na véspera, Bush faz o discurso sobre o Estado da União), John McCain trata de reunir os antigos combatentes que por lá estão reformados, Romney arvora as qualidades como gestor, Giuliani tenta desesperadamente repor a flutuar a candidatura e Huckabee está com mais problemas financeiros, dispensando pessoal.
DN
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