Wednesday, December 19, 2007

ANALISTAS ACREDITAM QUE ELEIÇÃO DE ZUMA VAI FACILITAR RELAÇÕES COM ANGOLA

Luanda - A eleição esta terça-feira de Jacob Zuma para a liderança do ANC da África do Sul está a ser entendida por analistas angolanos como podendo vir a melhorar o actual clima de relacionamento entre aquele pais e Angola.

O jornalista Reginaldo Silva não considera que haja uma crise no relacionamento entre os dois países, mas entende que como líder do ANC e futuro presidente da África do Sul, Jacob Zuma poderá trazer um outro tipo de relacionamento entre Luanda e Pretória.

«Claramente com Jacob Zuma muitos dos projectos e muitos dos elementos que podem ser introduzidos no relacionamento na perspectiva do seu melhoramento, vão surgir. Não surgiram até ao momento por existência de alguns obstáculos que as vezes não se percebem muito bem e fica um pouco difícil de os localizar no quadro dos poderes políticos. Seja como for, há de facto uma necessidade uma maior contribuição política ao nível das duas capitais. Penso que Jacob Zuma vai estar à altura desta exigência.»

Para o jornalista Avelino Miguel a eleição de Jacob Zuma para a chefia do ANC pode dar um novo impulso nas relações entre os dois países devido a aproximação que existe entre o Presidente José Eduardo dos Santos e aquele político sul-africano.

Avelino Miguel diz que a questão deve ser analisada do ponto de vista das relações política mas também económicas.

«Estas relações, principalmente económicas entre os dois países devem se cimentar em relações políticas sólidas e penso que o Zuma pode ser uma figura que vai dar este passo. Vamos seguir o cenário que a África do Sul vai viver com esta eleição e penso que não deixará de facto ter uma mudança em termos de filosofia. Eu penso tal como os dirigentes do ANC como o próprio Zuma estão conscientes das responsabilidades que o partido tem na condução dos destinos da África do Sul nesta fase.»

Jacob Zuma é tido como uma figura muito próxima ao partido no poder em Angola tendo mesmo visitado o nosso país a titulo oficial, enquanto vice-presidente daquele país.

O presidente Thabo Mbeki vai no segundo ano do seu segundo mandato e nunca efectuou uma visita oficial a Angola.

O Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, também não se deslocou a África em visita de Estado.

Para os analistas a atitude dos dois estadistas resultou do clima cinzento que marcou as relações entre os dois países membros da SADC.

O MPLA enviou uma delegação de peso para esta convenção do ANC em que se destacam o seu secretário para as Relações Exteriores, Paulo Jorge, e o membro do Bureau Político e 1º vice-presidente da Assembleia Nacional, João Lourenço.

No passado recente, Angola e o MPLA foram acusados de estarem a financiar a campanha de Jacob Zuma para liderança do ANC, facto nunca provado mas que se veio somar a outros mal entendidos nas relações entre os dois países.

Fonte: VOA

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Tuesday, December 18, 2007

Governo receberá 102 milhões de dólares do Banco Mundial

ImageO Banco Mundial (BM) vai disponibilizar ao Governo angolano, a partir de Junho do próximo ano, 102 milhões de dólares para financiar projectos ligados aos sectores da agricultura e de águas.
O dado foi avançado segunda-feira em Luanda, pelo representante do BM em Angola, Alberto Chueca, no final do encontro que manteve com o presidente do Tribunal de Contas, Julião António.

O financiamento será investido na melhoria do sistema de abastecimento de água a nível de oito municípios do país, bem como incentivar a agricultura nas zonas rurais, com vista a reduzir o índice de pobreza e elevar o nível de vida das populações.

Para Alberto Chueca, são dois sectores importantes para o desenvolvimento da economia do país, numa altura em que o Governo demonstra sinais de uma gestão macroeconómica “madura”. Além disso, refere que o seu organismo disponibilizará, ainda este ano, 102 milhões de dólares para investir no sector de infra-estruturas.

Segundo o responsável, dentro de poucos dias, o Governo e o BM vão assinar um acordo de cooperação para definir as áreas onde serão empregues o financiamento. “Perspectivamos que o financiamento seja direccionado à reabilitação e construção de estradas, vias terciárias entre outros”.

Por outro lado, Alberto Chueca aproveitou para elogiar o desempenho da economia angolana nos últimos anos, durante os quais registou um crescimento médio anual de dois dígitos. A caminhar assim, afirma, dentro de três anos o país poderá dobrar o seu crescimento económico com uma média de 100 biliões de dólares.

“É um sucesso imenso. Angola conseguiu controlar a inflação, aumentou as reservas internacionais, diversificou as áreas de investimentos, como agricultura, construção e serviços financeiros”. Garantiu igualmente que o BM poderá continuar a dar apoio à área técnica na gestão macroeconómica do país.

Alberto Chueca elogiou ainda o trabalho desenvolvido pelo Tribunal de Contas, que no próximo ano vai fazer funcionar o Sistema Integral de Gestão Patrimonial Financeira. Este organismo vai facilitar a tarefa de fiscalização dos recursos públicos, bem como assegurar as receitas do Estado de maneira a melhorar a vida da população.

Para o próximo ano, o Tribunal da Contas prevê começar a dar o seu parecer técnico à Conta Geral do Estado.
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Portugal apostado em reforçar relações com Angola

Image O Presidente da Assembleia da República (AR) portuguesa disse esta terça-feira em Luanda que Portugal e Angola, «de mãos dadas», vão «multiplicar a sua influência em muitas questões internacionais».
Esta convicção de Jaime Gama foi transmitida aos jornalistas depois de um encontro com o Presidente da República de Angola, tendo o Presidente da AR ouvido de José Eduardo dos Santos que está apostado em reforçar as boas relações com Portugal.
«Ouvi do Presidente de Angola a sua aposta na boa relação com Portugal. E o nosso desejo é que esta relação suba para plataformas superiores, sempre crescentes em todos os domínios, não só económico, mas também nos domínios político e institucional», afirmou.

Jaime Gama, na síntese que fez da conversa de cerca de meia hora que manteve com José Eduardo dos Santos, explicou ainda que os dois países têm muito a fazer. «Um em África e outro na Europa, e, de mãos dadas, vão os dois, sempre, multiplicar a sua influência. Isso é muito importante».

«Esta ligação entre Portugal e Angola é essencial para dar orientação a muitas questões internacionais. E é nesse caminho que todos devemos trabalhar», apontou ainda Gama.

O Presidente da AR adiantou igualmente que «foi muito reconfortante ouvir do Presidente José Eduardo dos Santos a sua aposta de sempre numa boa relação com Portugal».

Sobre o momento que Angola atravessa, Jaime Gama, disse ter recebido «informação muito útil sobre esta nova etapa em que o país se encontra comprometido». «Falou da renovação, do progresso e de uma inserção internacional muito forte» que Angola vive actualmente.

Jaime Gama está em Angola desde Sábado, dia em que iniciou uma deslocação privada às províncias da Huíla e do Namibe, tendo começado na segunda-feira uma visita oficial de dois dias.
Depois de vários encontros com figuras do poder angolano e da Igreja, Gama tem hoje um encontro com Isaías Samakuva, líder da UNITA, partido minoritário no executivo de Luanda que se assume como o maior da oposição.
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Má governação, arrogância e ostentação são os pecados capitais do Mpla


GRANDE ENTREVISTA
com Paulo de Carvalho

Luanda - O próximo ano poderá ser de grandes decisões políticas no país. Para medir a pulsação ao que aí vem, o Semanário Angolense deu a palavra a Paulo de Carvalho. na visão deste reconhecido siciólogo, tudo indica que o período de campanha eleitoral, em 2008, venha a ser um período relativamente difícil.

Se por um lado os angolanos pouco reivindicam quando devem e vão por isso aproveitar o período de campanha para tentar sarar várias feridas, por outro os partidos políticos têm ainda dificuldade em separar o interesse nacional dos seus próprios interesses.

Um aspecto positivo a destacar tem a ver com o adiamento das eleições, por algum tempo, após o termo da guerra. “Posso hoje considerar tratar-se de um acto de coragem e de sensatez, pois mais do que quaisquer eleições, era preciso garantir que não haveria retorno à guerra. Mas vai finalmente haver eleições, sendo de recomendar aos políticos dos vários lados que façam o seu trabalho e cumpram a sua missão, mas com alguma contenção”, recomendou.

“Para si, é preciso ainda que os «mais pequenos», que têm muito pouca probabilidade de chegar ao poder, não utilizem o período eleitoral para fomentar a violência e procurar tirar daí algum benefício”.


SA – Os nossos partidos estão, de facto, preparados para o jogo democrático?

PC – Para ser franco, acho que a maioria dos mais de cem partidos políticos angolanos não está preparada para qualquer jogo democrático. Aliás, podemos facilmente constatar que na esmagadora maioria dos partidos políticos de Angola não existe internamente democracia. Portanto, se eu não tenho democracia em minha casa, como a poderei transportar para fora de casa? Se eu demonstro não ter capacidade para ouvir os demais a um nível restrito, como o poderei fazer num nível muito mais alargado? Tem mesmo de haver eleições, para que diminua o número de partidos políticos e para que aqueles que sobrevivam (partidos políticos e coligações) fomentem as suas ideologias e criem os seus programas.

SA – Como poderão sobreviver aqueles partidos que não aparentam qualquer base ideológica, sem uma linha de pensamento político definida?

PC – Um estudo que fiz em 2006, com os doutores Víctor Kajibanga e Mário Pinto de Andrade, demonstra que os partidos políticos angolanos se encontram livres de alinhamento ideológico. O Mpla deixou de ser de esquerda, sendo agora um partido de massas, que pretende albergar todas as sensibilidades. Mas o seu programa de governo situa-se agora naquilo que podemos considerar centro-direita.

Já a Unita continua sendo um partido de massas, não se lhe conhecendo qualquer programa de governo. Quanto aos demais, a conclusão genérica é de não haver alinhamento, pois o fundamental para eles é conseguir-se uma fatia do poder, podendo o alinhamento ideológico dificultar essa pretensão.

Claro que há algumas excepções: por exemplo, a FpD (um partido de quadros, dos poucos com base claramente estratificada) assume-se como partido político de centro-esquerda. Já para responder à sua pergunta, parece-me que a ausência de linha ideológica não dificulta a existência de qualquer partido político em Angola, visto essas agremiações existirem com base noutros critérios de natureza sociológica. Não nos esqueçamos que não existe tradição democrática em Angola. Aliás, no caso actual de Angola e vista a coisa de forma simples, o alinhamento ideológico pode inclusivamente retirar alguns votos aos partidos políticos.

SA – O que irá pesar mais para a decisão do voto – a afectividade, a identificação de ideias com um determinado partido ou a mensagem social e económica que os partidos fizerem passar?

PC – Não me parece que sejam os ideais e programas políticos a comandar a intenção de voto. Haverá certamente outros factores, como a identidade étnica e a proximidade (ou afectividade, como lhe queiramos chamar), segundo outros critérios. Para o caso do voto no Mpla, obviamente que contará também a forma como vem governando. O que me parece é que o eleitorado tradicional da Unita se manterá irredutível, ao menos até à altura em que este partido político assuma o poder.

Já o eleitorado tradicional do Mpla (que é quem governa há mais de 30 anos) está hoje dividido: de um lado mantêm-se os ainda «irredutíveis», mas há uma franja considerável de pessoas que hoje pensam abster-se ou que se deslocaram para o grupo de indecisos. É sobre esta franja que os partidos políticos têm que agir, de forma a direccionar para si o seu voto.

Excluindo aqueles poucos angolanos que «tradicionalmente» se abstêm, estou convencido que as demais abstenções sairão fundamentalmente do anterior eleitorado do Mpla e dos seus descendentes, que são uma grande fatia do eleitorado. Por isso é que se deve considerar que, hoje, uma abstenção equivale a um voto contra o Mpla, ou seja, a um voto a favor dos demais partidos políticos, com destaque obviamente para a Unita.

SA – Teremos estratificação do voto (analfabetos, instruídos, privilegiados, etc.)? Haverá uma tendência definida em termos de inclinação partidária de cada um destes estratos?

PC – Não me parece que a estratificação social venha já a definir claramente a intenção de voto em Angola. O que pode ocorrer é que isso aconteça numa ou noutra pequena região do país, mas nunca em termos globais. O normal continuará a ser a regionalização do voto, por pelo menos mais dez anos. E isso tem a ver não só com razões de natureza cultural ou étnica, mas também com razões de natureza socioeconómica.

Não nos esqueçamos, por exemplo, que a região leste do país foi sempre a mais marginalizada, tanto no período colonial, como após a proclamação da independência política. Por outro lado, não nos devemos esquecer que o interior do país também tem sido marginalizado por Luanda, no âmbito até da própria sociedade. Todos estes factores jogarão papel preponderante no momento do voto. Talvez o elemento fundamental a considerar tenha a ver com a penalização do Mpla devido à má governação, e à arrogância e ostentação por parte de um número considerável de governantes.

Os governantes estão distantes das aspirações e da vontade popular, os deputados idem; obviamente que o Mpla vai ser penalizado por isso. Como é possível, por exemplo, manterem-se até hoje governadores de província que estão preocupados apenas consigo próprios e com os seus interesses particulares?

Como é possível manterem-se ministros cujos ministérios são autênticas múmias, sem qualquer actividade e em nítido prejuízo do desenvolvimento? Como é possível haver deputados que demonstram ser apenas representativos de si próprios e não de quem os elegeu? As pessoas estão atentas a isso; aliás, sentem isso diariamente na carne. Como se sente, por exemplo, um jovem eleitor de uma província do interior onde estive há pouco tempo, que lamentou o facto de ter de pagar aos professores para aprovar?

Toda a gente sabe que isso acontece por Angola e ninguém faz nada. A manter-se esta situação, o Mpla vai ser seriamente penalizado nas urnas por esta actuação. Temos que saber que há mais: há províncias onde se o governador for hoje exonerado, a população vai festejar durante alguns dias – vão fazer-se passeatas e a população vai dançar e pular de alegria. Se o Mpla não sabe disso, está a dormir, esquecendo-se que depende do voto popular para se manter no poder. E não nos esqueçamos que quanto mais nos afastamos do termo da guerra, cada vez menos um voto no Mpla será um voto contra outro partido político.

SA – Podemos ficar com a impressão de que não existem bons governantes em Angola?

PC – Não, de maneira nenhuma. Claro que há bons governantes em Angola. Ao contrário do que acontecia há 20 anos, as últimas equipas económicas do Governo têm tido bom desempenho, tanto que decidiram arregaçar as mangas e ouvir os técnicos, daí ter-se superado de forma correcta a crise económica. Há crescimento económico.

O problema está ainda na distribuição do rendimento, em relação ao que só agora se ensaiam passos que se esperam significativos. Há ministros e vice-ministros a fazerem bom trabalho, exemplo, na Administração do Território, nas Pescas e no Planeamento. Há governadores com bom desempenho e boa avaliação da população, como sucede por exemplo no Bié, Malanje e Namibe.

Claro que estes são só alguns dos bons exemplos, mas há outros bons governantes, como são os casos dos sectores da defesa, justiça, comunicação social, emprego e assistência social, dentre outros. São apenas alguns exemplos, porque numa entrevista não posso ser exaustivo. Mas há ainda um aspecto importante a reter, que tem a ver com uma recente opção que é de saudar – a da desconcentração orçamental. Uma maior autonomia das províncias e municípios só trará vantagens, desde que haja fiscalização, obviamente.

SA – O Mpla é um partido com ampla difusão nacional. É inegável. E a Unita, será que este partido já se urbanizou? No discurso ao menos?

PC – Enquanto o Mpla está já a ser penalizado pela má governação, pela corrupção generalizada, pelo distanciamento em relação aos anseios e expectativas da população e pelo esquecimento em relação aos seus antigos dirigentes, a Unita será ainda durante algum tempo penalizada devido à guerra e devido à hostilização ao meio urbano. É claro que quanto mais tempo passa após o termo da guerra, diminui quantitativamente a penalização da Unita.

Temos de considerar que a Unita se vem «urbanizando», sem no entanto se desenraizar, o que constitui boa opção para quem pretende um dia assumir o poder. Angola é cada vez mais urbana (ou melhor, suburbana) e só Luanda constitui cerca de um terço dos eleitores. A Unita demonstra agora ter plena consciência disso.

SA – Vê o Mpla com estofo suficiente para aceitar, democraticamente, uma eventual derrota nas urnas?

PC – Ninguém gosta de perder o poder que tem. Mas se o resultado for esse, o Mpla terá de o aceitar. Agora, se o Mpla perder as eleições, tenhamos consciência que será o único responsável por isso. Não poderá acusar outros. E essa responsabilidade é maior ainda, se considerarmos que «o maior cego é aquele que não quer ver».

SA – Se as eleições fossem realizadas hoje, o Mpla ganharia?

PC – Infelizmente, em Angola não se encomendam sondagens políticas – e quando se o faz, importam-se estrangeiros que normalmente vêm aldrabar, pois nenhum estrangeiro conhece a sociedade angolana ao ponto de criar amostras credíveis. Não havendo pesquisa, não se pode responder a esta pergunta com toda a certeza.

O que me parece, entretanto, é que hoje o Mpla ainda ganharia em Luanda, com margem mínima – um pouco acima ou um pouco abaixo dos 50%. Isso hoje, pois se a situação se mantiver como até aqui, o mais certo é que nem sequer ganhe em Luanda no próximo ano, devido a uma crescente opção pela abstenção no seio da sua falange tradicional de apoio. Mas no interior do país o Mpla perderia hoje de forma drástica.

Se considerarmos todo o território, o resultado, hoje, seria certamente a derrota eleitoral do Mpla, com festa no interior do país. Mas não estamos ainda em período eleitoral, de modo que o Mpla ainda pode fazer alguma coisa para alterar o actual estado de descontentamento em relação ao governo como um todo e, fundamentalmente, em relação a alguns ministérios e a um bom número de governos de província. Se o Mpla não mexer já em algumas pessoas devidamente identificadas, com mudanças de acordo com as expectativas da população, então a situação piorará nos próximos meses. Esta é a leitura objectiva que faço da actual situação política e social no país e dos consequentes resultados eleitorais.

SA – Mas o MPLA afirma ter hoje acima de um milhão de militantes…

PC – Um grande crescimento do Mpla, tal como um eventual crescimento da Unita nos últimos tempos, é ilusório, pois não é prenúncio de vitória eleitoral. O que se passa é que muitos dos novos militantes do Mpla fazem parte do seu eleitorado tradicional. Trata-se fundamentalmente de pessoas que votam tradicionalmente no Mpla, de modo que não se pode esperar que a sua filiação traga mais votos para esse partido político. Não é por aí que o Mpla deve atacar, até porque haverá hoje pessoas com mais de um cartão de militante…

Caso tenha intenção de vencer as eleições, ao nível do executivo (menos a nível central e mais a nível intermédio e de base), o Mpla tem de tirar quem está a dar votos à oposição e colocar quem ainda possa fazer alguma coisa positiva; tem de se investir seriamente no social; os governantes têm de começar a estar perto das pessoas; tem de se estancar o elevado índice de corrupção em escolas, hospitais, centros de saúde e na polícia; tem de se afastar os gestores de empresas públicas que só pensam em si próprios, que fomentam a confusão, que não sabem dirigir pessoas e que não conseguem sequer executar um projecto simples (há-os, inclusivamente, no sector da comunicação social do Estado).

Mas tem também de se deixar de hostilizar e de se começar a apoiar devidamente os antigos dirigentes, porque o cidadão pensa nos seguintes termos: «Se fulano, que já foi ministro ou governador, hoje é kandongueiro, que apoio poderei eu amanhã receber do Mpla ou do seu governo?»

E se o Mpla perder as eleições?

Sosseguem: o mundo não desabará!

Muitos cidadãos mostram-se apreensivos com um cenário em que o Mpla perca e se veja, de repente, na oposição. Que consequências adviriam de uma eventual derrota eleitoral do Mpla, depois de mais de trinta anos de poder e exercendo controlo absoluto sobre todos os aspectos da vida nacional, incluindo instituições e empresas? O sociólogo Paulo de Carvalho respondeu a essa questão com a maior serenidade. Ele acha que isso não levaria

PC – Temos de ter consciência que ninguém nasceu para exercer eternamente o poder – nem pessoas, nem partidos políticos. Se o Mpla continuar a trabalhar para perder as eleições, é claro que o mundo não vai desabar. E todo esse controlo absoluto terminará.

Agora, para que o Mpla se mantenha no poder, tem de trabalhar para isso e não trabalhar a favor da sua oposição, como bom número dos seus dirigentes o fazem, alguns até de forma descarada e sem qualquer chamada de atenção. Um outro aspecto importante tem a ver com a resolução de alguns dos seus problemas internos, em relação ao que o Mpla continua a demonstrar falta de capacidade.

Para quando o momento de reconciliação em relação aos vários «afastamentos» registados durante a história do Mpla? O Mpla fez 50 anos e o seu mentor e real fundador nem sequer recebeu uma medalha a título póstumo? Pode não parecer, mas as pessoas comuns estão atentas a isso. E perguntam-se: «Se o Mpla não consegue ultrapassar as suas próprias quezílias do passado, como poderá continuar a governar?» E eu acrescento: se o Mpla esquece até o seu próprio mentor (o autor do manifesto), o que não sucederá consigo um dia que deixe o poder?

SA – Com a vida política actual, em Angola, e com os políticos e cultura democrática que temos, como prevê que venham a ser recebidos os resultados eleitorais?

PC – Essa é uma séria incógnita. Mas parece-me que o fundamental está praticamente conseguido: guerra nunca mais! Um passo importante foi o registo eleitoral, cujos resultados ultrapassaram verdadeiramente as expectativas, estando por isso de parabéns o ministro Fontes Pereira e a sua equipa.

Uma vez mais demonstrámos a toda a gente que em Angola é possível fazer bem as coisas, com profissionalismo e elevado sentido de responsabilidade. Também será possível um comportamento digno durante a campanha eleitoral e durante as eleições para que Angola prossiga o seu rumo, com normalidade. Independentemente dos resultados eleitorais de 2008, será fundamental a renovação parlamentar, pois temos deputados que há muito deixaram de representar quem quer que seja.

Por incrível que pareça, há até deputados que são eternos desconhecidos – como hão-de representar quem os não conhece? Como hão-de representar pessoas cuja vontade desconhecem? E como hão-de liderar ou fazer opinião, se essa opinião não existe ou se é desconhecida dos respectivos eleitores?

SA – Conhece casos, pelo mundo fora, em que instituições e serviços públicos tão fortemente marcados pela influência de um partido aceitem ou facilitem a liderança de um outro partido que vá formar um governo novo?

PC – Sim, há casos desses. Que remédio terão os serviços públicos, senão adaptar-se à vontade dos eleitores? Se as mudanças parlamentares forem substantivas, terá também de haver algumas mudanças governamentais já em 2008, para que os programas de governo passem no parlamento. Mas vejamos o nosso próprio exemplo, em 1991.

Nessa altura, o Mpla a estava a preparar-se para uma derrota eleitoral. É claro que hoje a situação é diferente, pois não acredito que alguém de fora do Mpla faça a sua campanha – o contrário sim, ocorre actualmente. Mas se vier a haver mudanças no governo, é preciso que se distingam os lugares de carreira dos lugares políticos. Acredito que isso será tido em conta, até porque hoje também existem funcionários públicos de médio e alto escalão que militam em partidos políticos que não o Mpla. Quer do lado do Mpla, quer do da Unita, parece-me haver consciência da sensibilidade desta matéria. Não me parece, pois, que venha a haver problemas a esse respeito.

SA – Considera que terão já começado os primeiros passos rumo à campanha eleitoral?

PC – Para ser honesto, não me parece. Não me parece que nem a Unita nem o Mpla estejam já preparados para o início da campanha eleitoral para as legislativas. A Unita fez recentemente um congresso, estando por isso aparentemente mais próxima dessa preparação. Quanto ao MPpla, que governa, está muito longe disso. No seu mais recente discurso, o presidente do Mpla dá conta de ter consciência de que a situação não é das melhores. Aguarda-se, pois, que a direcção do Mpla tome as medidas correctivas. Só depois disso se poderá pensar na campanha eleitoral.

SA – Assistimos, agora, embora em estado latente, a uma certa tensão social que muitos atribuem às disputas pré-eleitorais. Que leitura faz?

PC – Não me parece que seja exactamente isso. Há divergências que são próprias do processo político e há outras que são fomentadas devido a um certo afastamento das direcções partidárias em relação aos órgãos intermédios. Em Angola, o afastamento físico ou geográfico ocasiona afastamento em termos de actuação.

Talvez a Unita seja o caso de menor afastamento da direcção em relação às estruturas intermédias e de base. Agora, é de esperar que haja quem procure tirar dividendos políticos de qualquer estado de tensão social. Os partidos políticos têm de estar preparados para essa evidência. Têm de estar preparados também para o facto de haver actores políticos na chamada sociedade civil – pessoas com ambição política, que utilizam instrumentalmente órgãos da sociedade civil. E esta não é apenas uma característica de Angola.

SA – Incidentes como as mortes do taxista no Huambo e da zungueira no mercado dos Congolenses e os confrontos de vendedoras e polícias no Namibe podem ser usados como armas políticas?

PC – Absolutamente. Trata-se de repressão e de assassinatos. É uma vergonha. Não consigo compreender como é possível este tipo de actuação, que se sabe à partida que será oportunamente utilizada contra o partido político que governa. Mas isso não é tudo, sobre esta última operação. Como há delinquentes a circular de motorizada, alguém na polícia deu ordem de apreensão de tudo quanto é motorizada, como se os delinquentes fossem as motorizadas e não pessoas.

Não faz sentido. Só age assim quem pretende deliberadamente prejudicar o bom andamento dos serviços e a normalidade. Sei de serviços que ficaram prejudicados devido a tais apreensões de mais de 72 horas, sem motivo e sem qualquer satisfação. Quem terá tomado essa decisão? Como foi essa pessoa penalizada? Senão, vejamos: como sabemos que há delinquentes que circulam e actuam em viaturas, será que na próxima operação se vai apreender tudo quanto é viatura? Não faz sentido. A polícia existe para garantir e não para prejudicar a ordem.

SA – Voltando àqueles incidentes, seria muito difícil encontrar soluções que os antecipassem?

PC – Não, não seria tão difícil assim, tendo em conta que se trata de incidentes que se vêm repetindo e não apenas um incidente isolado. Actos como esses têm de ser prevenidos. Quanto à polícia, é preciso prevenir a todo o custo os casos fortuitos que mencionou, que são inconcebíveis e demonstram haver na corporação pessoas dispostas a prejudicar a ordem. Agora, temos de reconhecer que o elevadíssimo índice de delinquência diminuiu durante este ano.

Mas é preciso que as competentes autoridades vão mais longe – primeiro, reconhecendo a existência entre nós de crime organizado; depois, combatendo o crime organizado, de forma eficaz. Entretanto, é indispensável também a actuação governamental em prol do bem-estar e do progresso. Para além disso, é preciso que governantes e agentes da autoridade fomentem os bons exemplos na sua prática diária. Tudo isto, em conjunto, vai permitir a prevenção da criminalidade.

SA – E a prisão do jornalista Graça Campos? Poderá também ser utilizada por vários partidos como arma política?

PC – Claro que sim. Trata-se de mais uma demonstração de que o Mpla não se está ainda a preparar para o confronto eleitoral – porque é o Mpla que está no poder e, quer queiramos quer não, o poder judicial tem relativa dependência do Mpla. Mas olhe que Graça Campos não só foi preso com a razão do seu lado, como também foi mantido um mês na prisão. Para quê? Parece que o Mpla ainda não se apercebeu que é o único responsável pelos últimos «mártires» da história recente de Angola.

Se o Mpla vinha dando rajadas nos próprios pés, hoje subiu já para as próprias pernas e coxas. É o Mpla que tem estado a trabalhar contra si próprio. Tem de ser feita a reflexão que o presidente do Mpla recomendou recentemente para que os erros sejam claramente identificados e possam ser rectificados, a bem dos cidadãos e da democracia nascente. É isso que se espera de um partido político que se afirma grandioso, como o Mpla.

SA – Partindo do princípio que as organizações sindicais e estudantis sabem que o governo não quererá correr o risco de adoptar políticas pouco populares, 2008 vai ser o ano de todas as greves e reivindicações?

PC – Obviamente que corremos agora esse risco. E isso não é bom, nem para a democracia nascente, nem para a estabilidade política que se pretende duradoira, nem mesmo para a estabilidade económica que aqui devo saudar.

Também temos de reconhecer que não será fácil neste momento um pacto político entre as principais forças políticas, pois seria este pacto a prevenir sérios conflitos laborais e greves estudantis. Não podemos adivinhar que isso venha a ocorrer, mas penso ter-se já começado a trabalhar no sentido de prevenir algumas dessas convulsões, apesar de haver sectores (como o do ensino superior, por exemplo) onde esse trabalho ainda não começou e, se não houver cuidado, vai até agir-se em sentido oposto.

Fonte: SEMANÁRIO ANGOLENSE

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CONSELHO DA REPÚBLICA: ELEIÇÕES GARANTIDAMENTE EM 2008

Luanda - As segundas eleições legislativas em Angola deverão ocorrer entre Maio e Setembro de 2008, anunciou hoje o Presidente da Republica, que espera receber o relatório final sobre o registo eleitoral actualizado no final do primeiro trimestre do próximo ano.

O Presidente da Republica falava na cerimónia de abertura da reunião do Conselho da República, ocasião que aproveitou para convidar os seus membros a pronunciarem-se sobre o período avançado para a actualização do registo eleitoral e contribuições para o estudo sobre eleições autárquicas.
«Terminou o registo eleitoral e a comissão competente prepara as condições para a sua actualização no primeiro trimestre do próximo ano. A Comissão Nacional Eleitoral está constituída como entidade independente do poder executivo e estabeleceu já as suas estruturas em todas as províncias.

A Assembleia Nacional está a apreciar as últimas leis que vão orientar o comportamento de todos durante a campanha eleitoral, e os partidos políticos como é evidente cuidam agora da sua organização e preparação para a disputa eleitoral que se aproxima».

Para a marcação da data precisa para a realização do pleito eleitoral o Presidente da Republica atirou a bola para a Comissão Nacional Eleitoral que deverá submeter o relatório final e actualizado da realização do registo eleitoral em todo o país até Março de 2008.

«O Presidente da República convocará as eleições e fixará a data para a sua realização logo que receba nos termos da lei o relatório da Comissão Nacional Eleitoral que confirme a realização do registo eleitoral em conformidade com as normas legais e garanta que está em condições de organizar a votação no período de Maio a Setembro de 2008.

Assim, o governo cumpriu praticamente o seu papel essencial neste processo eleitoral, cabe agora a Comissão Nacional Eleitoral conduzir os seus serviços e quadros para a concretização das tarefas que ainda restam tais como: definir os locais onde os eleitores vão votar, organizar as mesas de votos, confeccionar os boletins de votos e as urnas para sua arrecadação, organizar o transporte das urnas e o escrutínio, o sistema de segurança, o sistema de apoio logístico ao processo de votação, etc., trata-se de uma operação complexa e muito grande.

O governo através da Comissão para o Processo Eleitoral, acumulou uma grande experiência com a realização do registo eleitoral por um lado, e as FAA por outro lado, estão disponíveis para apoiar a CNE no que for necessário».

O Presidente angolano pediu aos seus conselheiros opinião sobre o projecto de relatório final do registo eleitoral e autarquias.

«O senhor ministro da Administração do Território, interino, vai apresentar aos membros deste Conselho o projecto do relatório final sobre o registo eleitoral e um estudo sobre as eleições autárquicas.

Peço, assim, a opinião dos senhores conselheiros sobre o período recomendado para actualização do registo eleitoral que é também um elemento importante para determinar a data das eleições. Por outro lado, será com muito prazer que vamos registar as vossas contribuições para o estudo sobre as eleições autárquicas».

O Conselho da República recebeu hoje um novo porta-voz: o Procurador Geral da República, João Maria de Sousa e a integração de Sediangane Mbimbi, presidente do PDP-ANA, ocupando a vaga deixada por morte de Mfulumpinga Landu Victor e de quem José Eduardo dos Santos espera a melhor colaboração. A FNLA continua de fora deste órgão de consulta do Presidente da República.

Fonte: VOA

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Íntegra do discurso do Presidente José Eduardo dos Santos no Conselho da República

Luanda - Publicamos na integra, o discurso do Presidente da José Eduardo dos Santos, em ocasião da reunião do Conselho da República.

EXCELENTÍSSIMOS SENHORES CONSELHEIROS,

Esta reunião do Conselho da República tem lugar num momento em que se verifica uma grande evolução da situação política nacional.

Terminou o registo eleitoral e a comissão competente prepara as condições para a sua actualização no primeiro semestre do próximo ano.

A Comissão Nacional Eleitoral está constituída como entidade independente do poder executivo e estabeleceu já as suas estruturas em todas as províncias.

A Assembleia Nacional está a apreciar os últimos diplomas legais que irão orientar o comportamento de todos durante a campanha eleitoral.

Os Partidos Políticos, como é evidente, cuidam agora da sua organização e preparação para a disputa eleitoral que se aproxima.

O Presidente da República convocará as eleições e fixará a data para a sua realização logo que receba, nos termos da Lei, o Relatório da Comissão Nacional Eleitoral que confirme a realização do registo eleitoral em conformidade com as normas legais e garanta que está em condições de organizar a votação no período de Maio a Setembro de 2008.

Assim, o Governo cumpriu praticamente o seu papel essencial neste processo eleitoral. Cabe agora a CNE conduzir todos os seus serviços e quadros para a concretização das tarefas que restam, tais como definir os locais onde os eleitores vão votar, organizar as mesas de voto, confeccionar os boletins de voto e as urnas para a sua arrecadação, organizar o transporte das urnas, o escrutínio, o sistema de segurança e o sistema de apoio logístico ao processo de votação etc.

Trata-se de uma operação complexa e grande.

O Governo, através da comissão para o processo eleitoral acumulou uma grande experiência com a realização do registo eleitoral estando, por essa razão, bem como as Forças Armadas Angolanas, disponíveis para apoiar a CNE no que for necessário.

O Senhor Ministro da Administração do Território Interino vai apresentar aos membros deste Conselho, o projectou de relatório final do Registo Eleitoral e um estudo sobre as eleições autárquicas.

Peço, assim, a apreciação dos Senhores Conselheiros sobre o período recomendado para a actualização do registo eleitoral, que é também um elemento importante para determinar a data das eleições.

Por outro lado, será com muito prazer que vamos registar as vossas contribuições para o estudo sobre as eleições autárquicas.

Felicito o Senhor Procurador Geral da República, Dr. João Maria de Sousa pela sua eleição desejando-lhe muitos êxitos e uma boa prestação neste Conselho.

Felicito igualmente o Senhor Presidente do Partido PDP-ANA pela sua integração no Conselho da República e espero dele melhor colaboração.

A todos desejo bom trabalho e submeto a agenda de trabalho à apreciação dos Senhores Conselheiros.

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Atelier sobre a propriedade intelectual e a concorrência

Genebra - No âmbito da assistência técnica e de reforço das capacidades humanas, a Representação Comercial de Angola na Suiça e o Ministério da Indústria vão realizar juntamente com a Organização Mundial do Comércio de 14 a 15 de Fevereiro do próximo ano um workshop nacional sobre a propriedade intelectual e a concorrência.

Durante o workshop que contará com a participação de uma centena de participantes de diversos ministérios, instituições universitárias, associações cívicas e privadas, discutir-se-ão matérias relacionadas aos acordos sobre o direito de propriedade intelectual ligada ao comércio (ADPIC), às regras de origem, a biodiversidade, o saber tradicional, as marcas e a designação geográfica dos produtos.

Fontes fidedignas informaram por outro lado que a nossa Representação Comercial contrariou durante as negociações comerciais sobre a facilitação das trocas uma proposta apresentada a semana passada pelas Comunidades Europeias sobre a eliminação imediata das inspeccoes preembarque.

De acordo com sa nossas fontes, os diplomatas angolanos refutaram os argumentos alegados pelos Europeus e insistiram que em Angola, à luz do Decreto 41/06 de 17 de Julho, as inspeccoes preembarque são apenas obrigatórias para os béns alimentares, os produtos tóxicos e o tabaco para salvaguardar a saúde pública e o meio ambiente. Nestas negociações Angola propôs a ideia de uma eliminação progressiva e voluntária das inspecções preembarque que no entanto deve ser acompanhada com um programa de assistência técnica e de reforço das capacidades dos quadros nacionais.

ATELIER SOBRE A PROMOÇÃO DE INVESTIMENTOS
Uma sessão interactiva sobre o IED na CNUCED.
S.E. Embaixador Arcanjo do Nascimento, Chefe da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas em Genebra (no centro) com os Representantes Comerciais e funcionários da CNUCED e do CCI.

Foi encerrado recentemente nesta cidade (Confederacao Helvética) o atelier sobre a promoção de investimentos para os Representantes Comerciais de Angola no exterior, uma iniciativa conjunta da CNUCED (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento), do CCI (Centro do Comércio Internacional) e da Representação Comercial de Angola junto à Organização Mundial do Comércio.

Durante o atelier de cinco dias os participantes discutiram em sessão interactiva as tendências globais dos fluxos do investimento estrangeiro directo a nivel global e regional, as politicas de promoção dos investimentos e suas determinantes, bem como aprenderam as técnicas e os instrumentos para a identificação dos investidores. Com a equipa técnica da CNUCED os quadros angolanos discutiram as melhores formas para melhorar a percepção do nosso pais no exterior com vista a captar e promover os investimentos estrangeiros em Angola.

No Centro do Comercio Internacional os Representantes Comerciais tiveram exercicios práticos sobre a utilização e análise do mapa de Investimento, do mapa comercial e do mapa de acesso aos mercados que constituem instrumentos indispensáveis para identificar as oportunidades de investimento e planificar acções de promoção.

Ainda no decorrer do atelier, os quadros angolanos trocaram experiências com os seus homólogos do Brasil e de Portugal sobre a diplomacia economica, definida como “forma de obter os contributos indispensáveis à aceleração do crescimento económico, à criação de um clima favoravel à inovação e à tecnologia, bem como ao fomento do emprego.

No seu discurso de abertura , o Embaixador Arcanjo de Nascimento disse que este seminário de formação contribuiria ao reforço das capacidades ligadas à promoção das exportações e do comércio no quadro da estrategia nacional de desenvolvimento para a redução da pobreza.

O Diplomata angolano apelou os Representantes comerciais no sentido de prestarem mais atenção à captação de investimentos que possam favorecer o desenvolvimento do comércio em África, nomeadamente a construção de infraestruturas físicas (estradas, portos, caminhos de ferro, energia e telecomunicações) de acordo com as decisões tomadas aquando do exame global de ajuda ao comércio, realizado recentemente em Genebra (Suiça).

Os Representantes Comerciais devem redobrar os seus esforcos para captar recursos adicionais que possam ajudar a diversificar os sectores económicos não petroliferos, uma prioridade do programa económico e estratégico do nosso governo, a fim de reduzir a nossa dependência às fluctuações dos preços dos mercados internacionais. – concluiu Arcanjo do Nascimento.

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Banco de Fomento pode ceder acções a empresários angolanos

ImageO Banco de Fomento Angola (BFA), um investimento do BPI (Banco Português de Investimentos) poderá ceder 20 por cento do capital a investidores angolanos e mais 20 por cento a investidores internacionais, em função dos resultados que saírem das negociações em curso entre o banco e as autoridades angolanas.
A cedência da fatia estará clarificada nos próximos tempos, já que as conversações com as autoridades angolanas sobre o tema estão bastante avançadas, segundo o presidente não executivo do BPI, Artur Santos Silva.

“Estamos em conversações com as autoridades angolanas (…) e é um projecto que está bastante avançado. Não tenho um ‘timing’, mas estará clarificada nos próximos tempos”, admitiu Santos Silva, em declarações aos jornalistas à margem da apresentação do Prémio Nacional de Empreendedorismo 2008.

“Queremos estar nos países de acordo com as regras que as autoridades desses países definirem para todos”, realçou o presidente do Conselho de Administração do Banco BPI, que detém a 100 por cento o BFA, líder em Angola.

“Naturalmente temos que ser sensíveis aos interesses e às opiniões”, reconheceu Santos Silva, mas sem ser afirmativo na resposta a questão se o BPI aceitará ceder parte do capital do seu banco em Angola em condições distintas às inicialmente propostas pelo banco português e aceites pelas autoridades angolanas.

“Os países têm políticas e são políticas gerais”, realçou, contudo. A proposta inicial, recordou o presidente não executivo do BPI, era “ceder 20 por cento do capital do BFA a investidores angolanos e mais 20 por cento a investidores internacionais, cujas nacionalidades e âmbito de actividades tivessem interesse em Angola e para Angola” e que entendendo que o processo ideal para o fazer seria através da bolsa.

“Investimos muito em Angola e quando o país ainda estava em guerra, com grande risco”, recordou Santos Silva, reafirmando que o BPI [através do BFA] está no mercado angolano “para ficar e porque acreditou e acredita muito no país”.

Nos últimos meses, têm sido frequentes as referências à vontade das autoridades angolanas de que os bancos de capital estrangeiro a operar em Angola cedam até 49 por cento do capital a investidores locais.

O BFA é o maior banco privado em Angola, com 75 balcões, três centros de investimento e sete centros de empresa, líder nos depósitos, com cerca de 22 por cento de quota, e em cartões (39,2 por cento) e com mais de 24 por cento de quota no crédito.

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Miala deixará de ser preso vip passando a recluso comum


Ordenado o fim do estatuto de excepção

Luanda - Quando deixar o hospital-prisão de São Paulo, para onde foi enviado ao princípio desta semana depois de acometido por paludismo, e regressar às instalações penitenciárias de Viana, o ex-patrão da secreta externa angolana, Fernando Garcia Miala, será radicalmente confrontado com uma mudança do regime de excepção que vinha tendo até ao presente momento, passando a ser tratado como um recluso comum.

Segundo soube o Semanário Angolense de fontes familiares ao assunto, essa intenção, que é já do conhecimento do próprio Miala, consistirá numa drástica redução dos privilégios que lhe eram conferidos e que faziam dele um recluso com estatuto quase «vip».

Uma primeira medida será a sua mudança para uma cela que partilhará com prisioneiros de estatuto comum. Outra particularidade: na condição de recluso comum, Miala será obrigado a usar um uniforme, à semelhança dos demais detidos. Ser-lhe-á, igualmente, restringido o número de visitas a que tem direito diariamente., que se pretende que passe para apenas quatro. Até aqui, o antigo director-geral do Serviço de Inteligência Externa (Sie) recebia dezenas de visitantes por dia. Este jornal constatou, de resto, que num dia de sábado do passado mês de Outubro, Miala havia sido visitado por cerca de duzentas pessoas.

As fontes que forneceram estas informações ao Semanário Angolense estão persuadidas de que tais medidas foram engendradas por sectores do regime, geralmente hostis a Fernando Miala, com vários propósitos, entre os quais o de humilharem-no profundamente. Mas isso não é tudo.

Tais sectores, segundo asseguram as fontes, convenceram-se de que o ex-patrão da secreta externa é que andará a disseminar na imprensa privada «dicas» sobre matérias sensíveis e que lhes são incómodas.
Nesta ordem de ideias, as restrições em relação às visitas visariam diminuir o fluxo de informações que supostamente Miala receberia ou enviaria para fora da cadeia, por intermédio das pessoas que o visitam. Por outro lado, supõe-se que restringindo-se-lhe os visitantes, também se consegue atacar a popularidade de Miala, um «fantasma» que sempre atormentou as mentes dos seus oponentes.

Mas, seja qual for o prisma, há aqui um erro de cálculo. Com tais restrições, na realidade, apenas se conseguiria espaçar a frequência com que Miala é visitado e não, propriamente, reduzir o número global de pessoas que têm passado pela cadeia de Viana.

Desde logo por ser absurdo pensar-se que sejam as mesmas pessoas que o visitam diariamente. Com o incessante engarrafamento que se verifica na estrada para Viana, mesmo os mais íntimos do antigo patrão da inteligência externa não encontrariam pachorra para fazerem o torturante trajecto todos os dias. «Quando muito», diz uma fonte, «mesmo os mais chegados só devem visitá-lo de duas em duas, ou de três em três semanas».

As fontes do Semanário Angolense garantem que estão criadas as condições para um duelo surdo entre Fernando Miala e os seus adversários. Pelo menos já se sabe que ele recusará, liminarmente, a imposição de envergar o uniforme que os presidiários comuns usam.

Acha, por um lado, que isso configuraria uma clara e inaceitável humilhação a que o querem sujeitar. «É uma humilhação inaceitável que até fere a ética e os princípios castrenses. Miala continua a ser um oficial general das Forças Armadas, pois não só a desgraduação determinada não vai para um limite que o retira da classe de generalato, como também, por outro lado, ela ainda não se efectivou», considerou uma fonte que acompanha o processo.

Mas mais importante do que isso é que os seus defensores garantem que uma imposição como essa não tem sustentação jurídica, na medida em que o seu processo ainda não pode ser considerado como tendo transitado em julgado, pois há um recurso a correr os seus trâmites. «A rigor, Fernando Miala deveria aguardar em liberdade pelo desfecho do recurso, uma vez que o ilícito de que é acusado não tem gravidade que justifique a sua reclusão em regime preventivo», disse a fonte.

Aguarda-se, pois, pelas cenas dos próximos capítulos, isto é, ao que seguirá depois que Fernando Miala deixar a cadeia-hospital e regressar à Viana, onde já há uma «vítima» a assinalar. O director dessa unidade, ao que soube o Semanário Angolense foi afastado do cargo, medida que se supõe que tenha sido ditada pelo facto de se pensar que ele não estaria a ser suficientemente rigoroso para com o preso mais famoso daquela instalação prisional.

A verdade é que nas mãos do director da penitenciária de Viana foi colocada uma batata quente desde o dia em que o antigo patrão da secreta externa angolana para lá foi enviado.

«Querem levá-lo a perder o controlo»

Os mais recentes desenvolvimentos em torno de Fernando Miala, nomeadamente o fim do estatuto de excepção que lhe pretendem impor, são avaliados por alguns analistas como uma estratégia dos seus adversários que visa fazer com que ele se descontrole e faça revelações que sejam consideradas crimes contra a segurança do Estado.

Tratar-se-á de uma estratégia de pequenos passos, com humilhações que possam exasperar o antigo chefe do Sie, levando-o a perder a cabeça e lançar para fora informações e documentos classificados.

Se isso sucedesse, Miala daria o flanco para os seus adversários punirem-no ainda mais severamente a pretexto de cometer um crime de alta traição à pátria. «Condenarem-no por não ter comparecido a uma parada não convenceu ninguém, daí a necessidade de lhe estenderem mais armadilhas a ver se o apanham», disse um observador.

Há no entanto uma contrariedade no guião dessa estratégia: Fernando Miala não se mostra distraído nem revela predisposição para ser «apanhado».

Rumores acerca de uma soltura

Persistentes rumores que correram nos últimos dias, segundo os quais Fernando Miala estaria em vias de ser solto, parecem ter resultado de uma fuga de informação que terá havido quando se perspectivava a transferência temporária do ex-director do Serviço de Inteligência Externa das instalações penitenciárias de Viana para a cadeia-hospital de São Paulo. Julga-se que essa decisão terá sido confundida como uma intenção de soltura para breve de Fernando Miala.

Na realidade, este dossiê já revelou ser tão intrincado que uma decisão de soltura do prisioneiro mais famoso que há neste momento nas cadeias do país apenas teria de vir do Presidente da República, decretando uma amnistia ou um indulto.

No entanto, a prática também já mostrou que o Presidente José Eduardo dos Santos não estará interessado em tomar essa decisão, soltando o seu antigo agente secreto de estimação.

Esperava-se, por exemplo, que essa amnistia fosse anunciada em Novembro passado, por ocasião das comemorações do 32º aniversário da independência nacional, mas tal não aconteceu, o que indicia que, pelo menos por enquanto, o Presidente da República não está interessado na soltura de Fernando Miala.

Fonte: SEMANÁRIO ANGOLENSE

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Monday, December 17, 2007

Mbeki ataca Zuma e pede eleição de um líder com ética - ANC escolhe novo líder em clima de alta tensão

 
O Congresso Nacional Africano, movimento que liderou a luta contra o apartheid na África do Sul, elege hoje o seu novo presidente num ambiente de divisões internas graves - tão graves que chegam a motivar o embaraço de Nelson Mandela.

O líder histórico do ANC exprimiu ontem a sua tristeza pelas rivalidades que existem entre os apoiantes de Thabo Mbeki e Jacob Zuma, numa mensagem dirigida à 52.ª Conferência Nacional do movimento, que até quinta-feira decorre em Polokwane (na província do Limpopo).

Alguns momentos antes, Mbeki, Chefe do Estado sul-africano e actual presidente do ANC, tinha pedido aos mais de quatro mil delegados presentes em Polokwane que escolham um “líder imbuído de fervor ético”. Apesar de não ter dito o nome de Zuma, o vice-presidente da África do Sul que ele demitiu há dois anos, foi ele que inspirou as suas palavras.

Zuma era, na altura, acusado de corrupção e, depois, de violação de uma amiga da família. Foi absolvido, mas sobre o caso de corrupção, que está relacionado com um contrato de venda de armas da filial sul-africana do grupo francês Thales, Zuma ainda pode ser acusado outra vez. A batalha judicial está em curso. Mas os seus apoiantes não o abandonam.

“O ANC precisa hoje de dirigentes imbuídos de fervor ético como foram os nossos predecessores (…) Algumas tendências negativas totalmente inaceitáveis apareceram no nosso movimento e ameaçam-no”, disse Mbeki, citado pela AFP, aproveitando para fazer ainda um balanço positivo dos seus oito anos à frente da África do Sul. Nomeadamente numa das áreas em que tem obtido reconhecimento: a economia.

Os apoiantes de Zuma não gostaram do que ouviram nem ficaram minimamente sensibilizados. No final do discurso de Mbeki começaram a cantar Umshini Wan (que em zulu significa “passa-me a metralhadora”), uma música anti-apartheid, que Zuma transformou no seu hino. Na liderança do ANC desde 1997, Mbeki viu ainda conselheiros e ministros seus serem alvos de cuspidelas ou de piadas por parte dos delegados, segundo constatou no local o jornalista da AFP Isaac Mangena.

Apostado em vencer hoje a liderança do ANC e concretizar a sua vingança pessoal contra Mbeki, Zuma diz contar com 61% dos votos dos delegados da conferência, além do apoio da Liga das Mulheres e Jovens. No caso da sua vitória, dizem alguns analistas, Mbeki, que termina o segundo mandato em 2009 e não pode candidatar-se a um terceiro, poderia ser obrigado a antecipar as eleições.

A eleição de Zuma pode, porém, não augurar nada de muito positivo. André Thomashausen, professor da Universidade da África do Sul, disse à Lusa que o ex-vice-presidente “tem o perfil e comportamento típico de um chefe tribal africano” e a sua possível eleição (agora e em 2009) constitui “um perigo para a nação moderna e com uma economia industrializada como a África do Sul”.

Zuma também não agrada ao antigo arcebispo anglicano do Cabo e Nobel da Paz Desmond Tutu. Mas Mbeki não está em melhor conta. A África do Sul precisa de um novo líder inspirador como Nelson Mandela, precisou, numa recente entrevista ao jornal Mail & Guardian. Inspirador, Mandela, na mensagem que ontem dirigiu à conferência, não fez previsões sobre o resultado, apenas pediu aos delegados: “Que a nobre história do ANC vos guie.”

AFP

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