Tuesday, November 27, 2007

PREA exige a saída do Presidente da República e a dissolução do GURN

Luanda - O Partido Republicano Angolano (PREA), na voz do presidente, Carlos Contreiras, exigiu recentemente, em Luanda, a destituição imediata do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e a dissolução do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN), considerando-os de ilegais e ilegítimos.

O Pentágono Politico (Comité Central) do PREA exige a imediata destituição de José Eduardo dos Santos do cargo de Presidente da Republica, ao qual não foi eleito pelo povo em 1992, segundo o presidente daquele partido, Carlos Contreiras, que falava aos membros do partido que dirige.

O PREA exige ainda a imediata e incondicional dissolução do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional e a criação de um Governo Nacional de Transição para a Reconstrução de Angola (GNTRA) com a integração de um número igual de representantes de cada um dos partidos políticos legalizados, como sugere Carlos Contreiras.

No dizer ainda de C.C, os mandatos dos órgãos de soberania, nomeadamente o Presidente da Republica, dos deputados à Assembleia Nacional e dos membros do governo angolano são ilegais e sem qualquer legitimidade constitucional há mais de 15 anos.

“A ilegalidade e a ilegitimidade são agravadas com um grosso nível de corrupção institucionalizada e abuso de poder do Estado por parte do Presidente da Republica, Governo e o Partido MPLA”, acusou.

O PREA considera urgente a necessidade do Presidente da Republica de declarar publicamente em sessão da Assembleia Nacional a data definitiva para a realização das eleições legislativas e presidenciais em simultâneo, que no entender de C.C devem acontecer em Setembro de 2008, com vista a reposição da normalidade jurídico-constitucional e das eleições autárquicas.

O PREA exige ao governo angolano a entrega imediata e incondicional até ao dia 05 de Dezembro de 2007, de um montante no valor de Vinte milhões de dólares norte-americanos a cada um dos partidos políticos e candidatos às eleições presidências devidamente legalizados, com vista a conclusão da primeira fase do processo de implantação dos partidos nas 18 províncias do país, afim de “manter um equilíbrio político entre as forças concorrentes ao pleito eleitoral, pois, considera haver um desequilíbrio entre os demais partidos e o MPLA, assim como o seu presidente.

A direcção do PREA exige igualmente a entrega até o dia 10 de Janeiro de 2008, de um valor de Trinta milhões de dólares norte-americanos a cada partido politico e candidato à Presidência da Republica devidamente legalizados pelo Tribunal Supremo (TS) para a campanha das eleições legislativas e presidenciais de 2008″.

De acordo com C.C, devem ser confiscados todos os bens adquiridos “ilicitamente” por partidos políticos ex-beligerantes, nomeadamente MPLA, UNITA e outros, bem como bens ilícitos em posse de oficiais generais e superiores das extintas FAPLA, FALA, ELNA e da FLEC FAC, membros do Governo e deputados à Assembleia Nacional.

Contreiras exige de forma incondicional o reforço da capacidade de acção dos meios de Comunicação Social privados e estatais, nomeadamente no que se refere ao respeito dos direitos de antena e resposta dos partidos políticos, no âmbito da competitividade da campanha eleitoral para 2008.

Na mesma senda, exige a entrega imediata e incondicional de um subsídio no valor de Quinhentos mil dólares norte-americanos a cada um dos meios de Comunicação Social privados, de forma a garantir o justo equilíbrio da informação e comunicação durante o pleito eleitoral ainda sem data marcada.

Por outro lado, apela para a aprovação de um salário mínimo nacional de Oitocentos dólares norte-americanos e, para os membros efectivos da Policia Nacional, Militares e membros efectivos dos Serviços de Inteligência do Estado, de um salário mínimo especial no valor de mil e quinhentos dólares norte-americanos. Para o combate à corrupção, C.C defende a criação de um Conselho Superior Independente de Controlo e Gestão do Erário Público Nacional que integre um Presidente e cinco vice-Presidentes eleitos por 3/4 do sufrágio constituído por dois representantes de cada um dos partidos políticos legalizados e 300 representantes da sociedade civil.

Em relação aos símbolos nacionais, pensa que eles devem ser alterados, como são os casos da bandeira, insígnia, hino e a Lei Constitucional. No Entender de C.C, impõem se também a revisão da lei eleitoral.

*Makuta Nkondo
Fonte: Jornal Angolense

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Kwata Kanawa responde líder da UNITA

“Samakuva fala demais” Luanda - Chamado a apresentar a posição do partido onde milita sobre o processo eleitoral em curso, o Secretário para a Informação do MPLA, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, disse que tudo caminha como previsto. Na ocasião, o político desvalorizou a afirmação do presidente da UNITA, Isaías Samakuva, que acusou o partido no poder de tudo fazer para vencer as próximas eleições por antecipação. Kwata Kanawa disse mesmo que Samakuva critica tudo, tendo acrescentado que o MPLA já está acostumado com as declarações do líder do partido do galo negro. Sobre a governação do MPLA que foi duramente criticada por Isaías Samakuva, presidente da UNITA, o Secretário para a Informação do partido dos “camaradas”, que sustenta o governo, defendeu-se dizendo que tudo está a ser feito para serem melhoradas as condições das populações e que durante os cinco anos de paz as atenções estão voltadas para a reconstrução nacional. Devido a sessão extra ordinária em homenagem ao presidente da Assembleia Nacional da Namíbia, realizada no dia 20, ficamos impedidos de prosseguir a entrevista. Por isso, ficaram por abordar questões como os últimos incidentes que se verificaram na província do Huambo e as suas consequências, tendo em conta a preparação das eleições. Angolense (ANG) – Depois do registo eleitoral, agora estão a ser afixados os cadernos eleitorais. Qual é o ponto de vista do MPLA em relação ao processo que vai conduzir o país para às segundas eleições da sua história? Kwata Kanawa (K.K) – O Governo, em particular os cidadãos, deram uma prova de maturidade e civismo que permitiu que o registo eleitoral fosse um sucesso. É inquestionável hoje o sucesso do registo eleitoral. Os angolanos de todos sectores da sociedade mostraram que de facto estavam preparados para todo este processo. O MPLA espera que o Governo continue a dar os passos subsequentes, como está a acontecer agora com a afixação dos cadernos eleitorais, o período de recursos e que se estabeleça o período para a segunda fase do registo, onde serão contemplados os jovens que vão completar 18 anos no ano da realização das eleições. Posto isso, acredito que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) irá pronunciar-se sobre o número total de eleitores. Os dados que temos até agora, fornecidos pela Comissão Interministerial para o Processo Eleitoral (CIPE) é que mais de 8 milhões de cidadãos estão registados, em todo o país. Estamos a aguardar a actualização destes números para depois a (CNE) vir a público dizer qual o número definitivo, assim como informar ao Presidente da República, para que depois seja marcada a data da realização das eleições. Como já temos vindo a referir, estamos a preparar o nosso partido internamente para os desafios das eleições e acreditamos que tudo vai decorrer como o MPLA prevê. Às vezes temos ouvido algumas vozes discordantes em relação a todo este processo, mas temos pedido aos angolanos para darem o sinal da credibilidade, aconselhando a contactarem as estruturas afins para dissipar eventuais equívocos e não criticarem sem provas, como tem acontecido em alguns casos, pondo em causa um processo reconhecido a nível nacional e internacional. Falo concretamente do registo eleitoral. (ANG) – Disse que espera que tudo corra dentro daquilo que o MPLA prevê. Quais são as previsões do MPLA nas próximas eleições? (KK) – O MPLA prevê que este processo decorra de forma normal, que as eleições sejam apenas para reactivarmos o processo de renovação das estruturas do Estado e que prossigamos com a reconstrução e desenvolvimento de Angola. É este o pensamento do MPLA e que vai defender sempre. As eleições terão lugar em um dia, mas Angola não termina com este acto, por isso, temos que continuar a mobilizar as populações para que se comportem de forma normal, uma vez que a ida às urnas é apenas um momento da vida dos angolanos e que não pode pôr em causa, em nenhum momento, o processo da reconciliação nacional e da estabilidade política reinante no país. Devemos olhar para Angola e para os angolanos de maneira a darmos continuidade ao nosso processo, o do MPLA, que visa dar maior dignidade aos angolanos. (ANG) – Apesar de ser inclusivo, a composição da (C.N.E) tem gerado polémica, o que pensa sobre isso, uma vez que o que se pretende é transparência no processo eleitoral? (K.K) – Esta questão é extemporânea, uma vez que a sua composição foi aprovada aqui na Assembleia Nacional. Estar a levantar questões como esta nesta altura só cabe a pessoas sem nenhuma responsabilidade. Foi aprovado aqui, integraram os órgãos e só agora é que estão a questionar? Escuso-me a comentar isso, porque demonstram que são pessoas que não têm boa fé neste processo e, por isso, devemos olhar para frente e não perdermos tempo com quem ainda faz questionamento desta natureza. (ANG) – Esta questão vem à propósito das declarações do presidente da UNITA, Isaías Samakuva, feitas na semana finda, onde admitiu a possibilidade de tudo estar a ser preparado para o MPLA vencer as eleições por antecipação, tendo como base a (CNE) onde está em maioria. Qual é a vossa posição em relação a esta visão do presidente da UNITA? (K.K) – O presidente da UNITA questiona tudo, fala demais, portanto, um questionamento dele não é nenhuma surpresa. Agora, a maioria que o MPLA tem deriva do resultado das eleições, assim manda o exercício da democracia. Se eles dizem que defendem a democracia deviam saber que a democracia tem proporcionalidade. Se o MPLA ganhou significa que em todos os órgãos, como é o caso concreto da Assembleia Nacional, aplica-se este princípio da proporcionalidade. Apesar de termos maioria, há assuntos que procuramos ter consensos, sobretudo nas grandes questões de interesse nacional. Só em última instância é que aplicamos a regra da maioria que nós temos. Agora, que fique claro que o MPLA não precisa “cozinhar” nada. O MPLA está aberto ao debate político. Questionar por questionar não adianta. Se as pessoas pudessem contribuir com ideias para o melhor funcionamento das coisas seria o ideal. Os questionamentos são normais em democracia. Derrota nas próximas eleições Nem pensar Na conversa com “Kwata Kanawa”, questionamos se o MPLA está ou não preparado para uma eventual derrota nas próximas eleições, possibilidade que o Secretário para a Informação afastou completamente, embora também reconheça que à partida nada está ganho. Do ponto de vista político, sobretudo no que a mobilização diz respeito, disse que tudo está a ser feito tendo em conta a vitória que almejam nas urnas. (ANG) – O MPLA está em maioria no parlamento, fruto da vitória que teve nas eleições realizadas em 1992, pensa que estão em condições de repetir o feito de 92, tendo em atenção a realidade actual? (K.K) — Naturalmente que estamos. Se disser o contrário estaria a dizer que não é este o objectivo do MPLA. Temos vindo a trabalhar para atingir este objectivo. Conhecemos inclusive partidos que não têm a base social que o MPLA tem, mas admitem a possibilidade de vencerem as eleições, por isso, o MPLA tem estruturas em tudo quanto é canto, por maioria das razões, tem como principal objectivo vencer as próximas eleições. Vamos é trabalhar para que nada falhe. Vamos trabalhar para quando o “jogo” terminar possamos cantar vitória. Aliás, o presidente do partido disse que a partida nada está ganho. Estaria a ser infantil se dissesse que não é objectivo do MPLA vencer as próximas eleições, mas isso não significa que já ganhamos de forma antecipada. Vamos continuar a trabalhar e pedir aos cidadãos para nos darem a oportunidade de governar o país sem guerra. Os cidadãos devem testar o nosso partido numa situação sem guerra e de estabilidade política para poderem nos julgar numa situação completamente diferente daquela que vivemos há cinco anos. (ANG) — O MPLA não pensa noutra coisa senão vencer as eleições previstas para 2008. Na semana finda, o presidente da UNITA fez duras criticas à governação do MPLA por este partido, no entender dele, não ter criado condições nos hospitais, escolas e outras infra-estruturas que propiciem uma melhor qualidade de vida aos cidadãos. Isso pode ou não ser prejudicial para o partido onde milita? (K.K) — O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, criticou esta parte mas devia também dizer que quem destruiu o país foi o partido que ele lidera. Qualquer análise que é feita em relação ao nosso país deve começar por aí e não pelo que falta. Deve começar pelo que foi destruído durante o conflito armado, e que agora o Governo procura reconstruir. Se começarem a fazer esta análise desta forma, naturalmente que vão deixar de questionar conforme estão a questionar. Agora, não podem pensar que não têm culpa de nada e estão a questionar. Em 1975, na altura da proclamação da Independência Nacional, o país tinha infra-estruturas. As imagens estão aí. Sempre que for necessário vamos lembrar estas coisas, para que as pessoas saibam. Antes de se fazer pronunciamentos como os que o presidente da UNITA fez é preciso sabermos quantos anos de paz o país tem. Na minha última intervenção informei que durante os cinco anos de paz, apenas três são de reconstrução efectiva, pois ficamos algum tempo à espera da Conferencia de Doadores. Felizmente, o Presidente da República fez referência, na Cimeira da OPEP, que os países que promoveram a guerra em Angola só sabem cobrar dívidas. Nenhum deles estão ajudar a reconstrução nacional. Mas, estão a ajudar a reconstrução do Afeganistão e do Iraque, países que até ainda estão em guerra. Todavia, os questionamentos de Samakuva não têm respaldo. Por um lado coloca duvidas sobre a possibilidade da realização das eleições, enquanto do outro cria condições para a ida às urnas. O que ele fez foi apresentar o seu manifesto eleitoral, numa altura em que os candidatos ainda nem estão em condições de o fazer. Não nos vão prejudicar as declarações dele, disso tenho certeza. Fonte: JORNAL ANGOLENSE
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Friday, November 23, 2007

JES anuncia renovação do partido na continuidade

Luanda - O presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, deixou a entender que no próximo ano o seu partido poderá realizar um encontro magno para a renovação do seu aparelho de direcção a vários níveis, na senda da realização das próximas eleições legislativas.

Embora não tenha precisado se esta reunião ampla dos seus quadros revestirá a forma de um congresso extraordinário ou de uma conferência nacional, Dos Santos ressaltou a necessidade de serem promovidos os quadros capazes e honestos.
Eduardo dos Santos teceu estas considerações quando discursava na abertura da oitava reunião do comité central da sua formação política, recordando que o partido terá de «(…)ser capaz de encontrar nos momentos de viragem ou mudança as pessoas certas para os lugares certos ou reconhecer o mérito dos que são mais capazes e honestos e promovê-los, num processo de renovação na continuidade para que o MPLA seja cada vez mais forte.»

«No próximo ano haverá escolha dos militantes que são capazes de ajudar a renovar e a reforçar a confiança do povo no partido e torná-lo mais apto para cumprir a sua missão. Este é um processo que deve ser encarado como um meio para recolocar os quadros lá onde melhor podem servir o MPLA, sem exclusão.»

José Eduardo dos Santos voltou a debruçar-se sobre as próximas eleições legislativas no país com o farol apontado para o próximo ano, reconhecendo e felicitando todo o trabalho em prol do processo nomeadamente o registo dos eleitores, exaltando igualmente a experiência logística e de segurança desta fase que poderá ser de grande utilidade durante as eleições.

À propósito, anunciou a convocação da reunião do Conselho da República, seu órgão de consulta, para o próximo dia 17 de Dezembro, com uma agenda inteiramente dedicada às eleições.

Além de vir a ser passada em revista o processo de registo eleitoral, José Eduardo dos Santos vai aconselhar-se com os seus pares sobre a possibilidade de convocar, para os próximos tempos, as primeiras eleições autárquicas.

O presidente do MPLA falou então da necessidade de se estabelecer o seu programa de trabalho para o que considera «fase final da sua preparação para as próximas eleições» que se realizam em 2008.

Fonte: VOA

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Thursday, November 22, 2007

África do Sul e Angola vão assinar acordo de cooperação nos petróleos

Os Governos da África do Sul e de Angola vão assinar na quarta-feira um acordo bilateral de cooperação na área dos petróleos durante o segundo encontro da Comissão Conjunta de Cooperação (JCC).

Segundo um comunicado do Governo sul-africano, os executivos dos dois países assinarão na mesma ocasião outros dois acordos de cooperação, sendo um deles uma declaração de intenções de eliminar os vistos de entrada para os cidadãos de ambos os países e outro na área da promoção do turismo.

A delegação sul-africana, chefiada pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Nkosazana Dlamini-Zuma, partirá hoje de Pretória com destino a Luanda, devendo regressar ao seu país amanhã logo após a assinatura dos acordos de cooperação e conclusão da reunião.

A África do Sul far-se-á representar por responsáveis dos ministérios da Saúde, Agricultura, Defesa, Comércio e Indústria, Minerais e Energia e Desenvolvimento Social.

A delegação angolana, segundo o comunicado, será chefiada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, João Bernardo de Miranda.

A Comissão Conjunta de Cooperação Angola-África do Sul (JCC) foi criada em 2000 e baseia-se na “necessidade de consolidar as relações políticas, económicas e comerciais entre os dois países como parte dos esforços de consolidação da agenda africana”, salienta o comunicado.

Desde a sua criação a JCC já levou à assinatura de acordos bilaterais nas áreas da agricultura, saúde, promoção e protecção de investimentos, defesa, electricidade, assistência social e reintegração e isenção de vistos para diplomatas.

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País sem capacidade para projectos à dimensão do crédito chinês

Angola mostra-se incapaz de gerar projectos de infra-estruturas suficientes para aplicar a dimensão dos créditos postos ao dispor do país pela China, afirmou hoje o investigador universitário Renato Aguilar.

Para Aguilar, investigador da Universidade de Gotemburgo que falava na conferência “Angola: Que Recomposições e Reorientações”, a incapacidade para criar projectos é sobretudo resultado da “escassez de quadros técnicos e capital humano” em Angola, que também tem reflexos ao nível da elaboração de políticas macro-económicas, um dos principais problemas com que o país actualmente se depara.

“Houve dificuldades para criar um número suficiente de projectos a financiar”, e Angola vive hoje uma “situação de maior dimensão do crédito disponível do que os projectos existentes”, sinal de que “algo não está a correr bem com este crédito”, disse Aguilar, na abertura da conferência organizada pelo Centro de Estudos Africanos do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), cuja primeira sessão é dedicada aos aspectos económicos.

O crédito chinês é concedido com uma maturidade de 17 anos, cinco anos de período de graça e juros de 1,5 por cento ao ano, adiantou o mesmo responsável.

De acordo com dados recentemente disponibilizados pelo Ministério das Finanças angolano, a China colocou à disposição de Angola duas linhas de crédito através do Eximbank - no valor de dois mil milhões de dólares cada - e uma outra do Fundo Internacional da China (CIF, na sigla em inglês), que atinge um valor de 2,9 mil milhões de dólares.

Esta última facilidade de financiamento permitiu avançar com os projectos do novo Aeroporto Internacional de Luanda, Caminhos de Ferro de Luanda, infra-estruturas de drenagem também na capital angolana e estudos e projectos da nova cidade de Luanda, além das estradas Luanda-Lobito, Malanje-Saurimo, Saurimo-Dondo e Saurimo Luena.

Segundo Renato Aguilar, os fornecedores chineses a quem se dirige o financiamento estão a “vender mais caro” do que poderiam, “mas mesmo assim conseguem preços mais baixos do que os concorrentes de outros países”.

Para o investigador, é reduzido o número de investimentos chineses no comércio e indústria, e não está a confirmar-se o receio de que Angola fosse “invadida” por chineses.

“Houve receio de que houvesse uma invasão chinesa, mas não vejo possibilidades de isso acontecer. Aqueles que chegaram a Angola não são camponeses à procura de terra, mas construtores que mais tarde regressam a casa”, afirmou.

Alías, referiu, a única “colónia” chinesa está no extremo sul do país há décadas, dedicando-se ao contrabando de produtos na fronteira com a Namíbia; quando enriquecem tendem a rumar à Europa, em vez de ficarem ou irem para a China, de acordo com estudos recentemente efectuados.

Para Aguilar, o estreitamento deste relacionamento é particularmente propício para a China, dado que Angola “muito provavelmente vai tornar-se o maior produtor petrolífero de África”, suplantando a Nigéria, uma vez que as reservas identificadas “estão a crescer mais rápido que a extracção”.

Se ao nível dos grandes contratos públicos a China tem uma posição privilegiada, Portugal, graças ao relacionamento directo entre agentes privados, está a conseguir manter a sua posição relativa no comércio externo de Angola, ao contrário de outros parceiros económicos tradicionais, como a África do Sul.

Na sua intervenção, Aguilar alertou ainda para o que considerou a “excessiva especialização económica” angolana no petróleo, sector que representa metade do produto interno bruto e 94 por cento das exportações.

“O resto [das exportações] quase se limita aos diamantes. Há um ano em que encontrei um milhão de euros de exportações de outras coisas que não petróleo ou diamantes”, afirmou.

Para o investigador da Universidade de Gotemburgo e consultor do governo da Suécia para políticas africanas, o sector petrolífero é “excepcionalmente bem gerido” graças ao “isolamento político” que durante muitos anos deixou campo aberto às multinacionais, está a captar de forma excessiva o capital humano angolano devido ao seu desenvolvimento, mas também aos anunciados esforços de aumentar o número de quadros angolanos.

“Muitos estão a pensar numa política de angolanização do sector petrolífero, mas, uma vez que praticamente já não há quadros disponíveis, quem é que fica depois para guardar a casa?”, questionou.

Juntamente com instabilidade macro-económica, problemas financeiros e pouca diversificação Aguilar identificou ainda como um dos principais problemas económicos angolanos as “relações difíceis com as institituições internacionais de apoio ao desenvolvimento”, sobretudo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“A relação com Angola é provavelmente o maior fracasso da história do FMI”, afirmou.

Negociações falharam no final da década de 80, seguindo-se várias tentativas de começar um programa monitorizado (SMP, na sigla inglesa), que degeneraram numa “rotina negocial”, em que Angola “ia ter com o fundo no final do ano, quando atravessava uma crise económica, o programa era preparado, a meio do ano era abandonado e depois no final do ano, em nova crise, recomeçavam negociações”.

Para Aguilar, a “corrupção e transparência” são os elementos mais controversos da relação FMI-Angola.

O governo angolano, adiantou, argumenta problemas contabilísticos, mas esta “é uma razão um pouco débil porque não é difícil contratar contabilistas em Portugal ou no Brasil”; diz também que há outros países em África que são mais corruptos, e isto “até é verdade”, bastando olhar para o exemplo da vizinha Nigéria.

A conferência “Angola: Que Recomposições e Reorientações” decorre entre hoje e quinta-feira, estando ainda previstos painéis sobre os aspectos sociais e políticos.

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França quer Angola, Argélia e Israel na organização francófona

O secretário de Estado francês para a Cooperação, Desenvolvimento e Francofonia, Jean-Marie Bockel, expressou terça-feira em Vientiane, no Laos, o desejo de ver Angola e Argélia e até Israel na Organização Internacional da Francofonia (OIF).

“Alguns dos nossos amigos, incluindo os canadianos, consideram que é tempo de fazer uma pausa nas adesões e definir critérios mais rigorosos. Não é a posição da França. Apoiamos o prosseguimento da abertura a países como Angola, Argélia e outros”, defendeu Jean-Marie Bockel, citado pela agência noticiosa Panapress.

“É importante que Angola (Estado lusófono) e a Argélia possam juntar-se a nós”, declarou o governante francês.

As palavras de Bockel foram proferidas durante um encontro com a imprensa, após a abertura, em Vientiane, Laos, da 23¦ Conferência Ministerial da Francofonia (CMF), subordinada ao tema “O Francês, Instrumento de Solidariedade e de Promoção da Diversidade Cultural e Linguística”.

Sublinhando que países de várias superfícies linguísticas desejam aderir … OIF (Cabo Verde e Guiné-Bissau, outros dois estados lusófonos que já têm estatuto de observador), Bockel apelou aos países francófonos para “apostarem largamente” na abertura do debate sobre a chegada de novos membros, incluindo Israel.

“O impacto do francês no mundo necessita de esforços importantes que os nossos amigos da Commonwealth (a comunidade dos estados anglófonos) não precisam fazer”, sustentou.

“Em relação aos valores comuns que temos em torno do Francês, não podemos privar-nos dos estados que virão bater … porta da OIF”, insistiu o chefe da delegação francesa em Vientiane.

A questão das adesões poderá suscitar vivos debates durante os trabalhos da 23¦ Conferência Ministerial da OIF, que decorrem à porta fechada.

Um grupo de estados, sob a direcção de França, defende o prosseguimento da abertura da OIF a novos Estados membros através dos critérios de adesão acessíveis.

Em sentido contrário, um outro grupo, incluindo o Canadá e a região do Quebeque, pede adesões condicionadas ao uso regular e institucional do Francês no país candidato.

Por outro lado, a escolha do tema da próxima cimeira, prevista para Outubro de 2008, no Canadá, tem suscitado profundas divergências sobretudo entre canadianos e franceses, visto que o projecto de escolher o Ambiente como eixo principal de discussões é rejeitado pelo Canadá, país que se retirou recentemente do Protocolo de Quioto.

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Bolsa de Valores arranca dentro de três meses, com seis empresas cotadas

A Bolsa de Valores de Luanda vai iniciar a sua actividade dentro de três meses, com seis empresas cotadas, revelou o presidente da Comissão do Mercado de Capitais, António de Cruz Lima.

Falando em Londres numa conferência do banco russo Renaissance Capital, Lima adiantou que, até 2010, a Bolsa de Luanda deverá ter 113 empresas cotadas, e uma capitalização de mercado de 172 mil milhões de dólares.

Isto, afirmou, quando as empresas que actuam localmente “perceberem que a cotação em bolsa é uma boa maneira de conseguir financiamento”.

Para o lançamento, afirmou, estão a ser preparadas 16 empresas, das quais já “cumprem todos os requisitos” seis, de vários sectores - petróleo, banca, telecomunicações, indústria.

Até final de 2008, “esperamos ter muito mais de 16 empresas”, disse Cruz Lima.

Entre estas, adiantou o presidente da Comissão do Mercado de Capitais, estarão a De Beers, o Banco Comercial de Angola e a BP Angola.

A maioria do capital da bolsa, 51 por cento, ficará nas mãos de empresas públicas, incluindo a Sonangol e a Endiama, cabendo o resto às privadas.

Na mesma ocasião, o vice-governador do Banco Nacional de Angola, Miguens de Oliveira, afirmou que o Estado vai retomar as privatizações, com o início de actividade do mercado de capitais.

“Estamos prontos para recomeçar, porque temos o sistema financeiro para apoiar a privatização. Pensamos que a maneira mais transparente de privatizar é em bolsa”, afirmou.

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Luanda e Madrid assinam acordos de 600 milhões de dólares

Angola e a Espanha assinaram hoje em Luanda um acordo de promoção e protecção recíproca de investimentos e um memorando de cooperação financeira avaliado em cerca de 600 milhões de dólares.

Os documentos foram rubricados pelo ministro das Finanças angolano, José Pedro de Morais, e pelo ministro do Comércio, Turismo e Indústria da Espanha, Joan Clos, no âmbito da visita que este realiza a Angola.

O acordo de promoção e protecção de investimentos, para além de proteger os investimentos de cada país, visa ainda impulsionar os fluxos de capital entre os dois estados.

Foi ainda assinado um memorando de entendimento, que estabelece um programa de cooperação financeira, incluindo este facilidades financeiras concessionais que será complementado com doações para o financiamento de estudos de viabilidade dos projectos.

Adicionalmente, o acordo estabelece a cobertura, a médio e longo prazo, dos riscos associados aos créditos à exportação logo que a Companhia espanhola de Seguros de Crédito à Exportação (CESCE) se estabeleça em Angola.

Estes acordos constituem o primeiro programa financeiro subscrito por Angola, tendo em conta a normalização da sua dívida no âmbito do Clube de Paris.

Na cerimónia da assinatura dos acordos, o ministro do Comércio, Turismo e Indústria de Espanha, ao destacar a importância dos acordos, referiu que a intenção consiste em “recuperar” a cooperação entre o governo de Espanha e o de Angola.

“Isto significa pôr as coisas no seu sítio e dar resposta ao que já é uma evidência nas nossas sociedades”, disse o ministro espanhol, relembrando que “existe uma grande presença de empresários espanhóis a investirem em Angola”.

Segundo este governante existem muitos compradores espanhóis presentes na economia de Angola, fazendo com que neste momento a balança comercial seja “amplamente favorável” a Angola.

“Temos entre os nossos países muito boas relações que construímos em anos difíceis e estou convencido que com esta assinatura se está a contribuir para o aprofundamento desta amizade e cooperação. Com garantias recíprocas que possam dar segurança às empresas de ambos”, frisou.

O volume de comércio bilateral de Angola com a Espanha ascendeu em 2006 a 671,8 milhões de euros e nos primeiros meses deste ano aumentou 61 por cento, devido às exportações angolanas para Espanha, com destaque para a área energética.

Várias empresas de capital espanhol estão presentes em diferentes segmentos da economia angolana, nomeadamente nos ramos das infra-estruturas, obras públicas, energia, meio ambiente, pescas e fornecimento de equipamentos de saúde.

E, hoje, durante um encontro com empresários espanhóis presentes em Angola, Clos apontou como meta a Espanha ultrapassar a China no volume de investimentos neste país africano.

O ministro das Finanças angolano, José Pedro de Morais, não prestou declarações aos jornalistas.

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Sunday, November 18, 2007

Arábia Saudita/Cimeira: OPEP vai manter níveis de produção actuais

Ryad - A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) vai manter os actuais níveis de produção do crude nos próximos tempos, garantiu o ministro angolano das Finanças, José Pedro de Morais.

Falando a imprensa, em Riyad, Arábia Saudita, a margem dos trabalhos da III cimeira da OPEP, aberta sábado, na capital saudita, o governante adiantou que a questão de aumento da produção, estimada actualmente em mais de trinta milhões de barris de petróleo/dia, não será discutida neste encontro.

A OPEP decidiu, numa conferência ministerial realizada em Setembro último em Viena, na Aústria, aumentar a sua quota de produção em mais 500 mil barris do crude/dia, a partir de 01 de Novembro corrente, e não há razões que justifiquem, neste momento, falar da necessidade de incrementar os actuais níveis, sustentou o governante.

“A questão da quantidade produzida não é um tema desta Conferência, disse o ministro das Finanças, que participou na conferência ministerial conjunta preparatória da III Cimeira de Chefes de Estado da OPEP a decorrer na capital saudita.

O mercado internacional de petróleo não regista qualquer escassez ou défice e a alta vertiginosa registada sobretudo neste último semestre no preço de crude tem a ver com outros factores, consideram os países do cartel que, no entanto, defendem diálogo entre os produtores e os consumidores, para a estabilização do mercado.

Na cimeira - afirmou o ministro José Pedro de Morais - existe uma série de questões de ordem política de que os Chefes de Estado são chamados a tomar adequadas decisões, mas não em relação a quantidade produzida”.

Por outro lado, sobre a alta de preços do crude, hoje estimados em USD 100 o barril (uma medida convencional de 59 litros de petróleo), o governante angolano disse tratar-se de um preço compensador mas, em função disso, os preços dos equipamentos e instalações (investimentos) para o sector petrolífero, também estão a subir.

Entretanto, o presidente da Venezuela defendeu que os actuais preços são justos e propõe a sua manutenção, quando sábado discursava na sessão inaugural da cimeira.

Argumentou também que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo precisa de estar coeso para fortalecer as suas posições, defender e proteger os seus interesses, na prossecução dos seus objectivos, a solidariedade e combate a pobreza.

Hugo Chaves, que abriu a primeira sessão da III cimeira, na qualidade de Presidente cessante da Organização, saudou a entrada de Angola e Equador na organização e fez um breve historial do cartel, defendendo a necessidade de fortalecer a OPEP e torna-la num activo geopolítico, capaz de exigir respeito e o fim de ameaças da sua existência.

A primeira cimeira da OPEP aconteceu em 1975 em Argel, capital da Argélia, e a segunda realizou-se no ano 2000 na cidade de Caracas, na Venezuela, um dos fundadores da Organização.

A OPEP, cuja sede é a cidade de Viena, Áustria, geralmente reúne-se em conferência de ministros que, de acordo com os seus estatutos, constitui a sua autoridade suprema. As conferências consistem na reunião de delegações dos países membros, normalmente chefiadas pelos respectivos ministros dos petróleos e energia.

Neste encontro, os chefes de Estado da Organização são chamados a adoptar iniciativas visando criar um clima de confiança e estabilidade no mercado petrolífero.

A Organização dos Países exportadores de Petróleo integra actualmente como membros efectivos a República de Angola, Arábia Saudita, Argélia, Indonésia, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Qatar, Emiratos Árabes Unidos e Venezuela.

No final desta cimeira, a OPEP poderá contar com 13 membros, pois, de acordo com fontes próximas da Organização, o Equador será readmitido como membro efectivo.

Historicamente, a OPEP foi fundada em 1960 em Bagdad, Iraque, no final de uma reunião realizada de 10 a 14 de Setembro, na capital iraquiana, tendo sido registada no Secretariado das Nações Unidas como organização a seis de Novembro de 1962 com base na Resolução da ONU nº 6363.

A Arábia Saudita, o Irão, Iraque, Kuwait e a Venezuela, que proclamaram a organização, são os membros fundadores.

Fonte: Angop

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Saturday, November 17, 2007

Carta do Presidente da UNITA aos Quadros da Nação

 

As eleições de 2008 farão mais do que
produzir um governo convencional

Luanda - Prezado compatriota:Os meus respeitosos cumprimentos.Há cerca de 32 anos, Angola iniciou um período de grave distúrbio jurídico e político que abalou a unidade da Nação, subverteu o papel do Estado e promoveu a má governação. Esse período está a chegar ao fim.

Por ocasião do 32º aniversário da declaração da independência nacional, decidi escrever aos quadros da Nação para partilhar algumas linhas de força da minha visão sobre o Programa da Mudança que Angola reclama para restaurar a dignidade institucional do Estado e promover a integração social, salvaguardando os interesses de todos.

Dirijo-me em particular aos quadros e aos mais jovens. Aos quadros porque têm a maturidade e o saber para equacionar os diagnósticos, avaliar as alternativas e impulsionar a mudança, mesmo em surdina. Aos jovens porque têm a força, os talentos e a impetuosidade necessários para fornecer às novas gerações um novo quadro social.

O quadro social actual é desolador para 32 anos de independência: os dados do registo eleitoral permitem-nos estimar que somos cerca de 18 milhões, dos quais 70% vivem em aglomerados rurais e sub-urbanizados em Luanda, Huila, Benguela, Huambo, Uige, Moxico e Kwanza Sul, com uma expectativa de vida de 40 anos!

A taxa de mortalidade infantil é das mais altas do mundo. Apenas 34% da população consome água potável e mais de 68% vive abaixo dos limites da pobreza. Há menos de um médico para cada 10,000 habitantes. Mudar este quadro e governar para garantir um futuro melhor à nova geração está ao nosso alcance.

O sentimento de mudança que ao longo de décadas fomos formando no seio do povo e nos fóruns internacionais, está já alicerçado na alma do povo e vai-se espalhando, silenciosa e pacificamente, de uma maneira incontrolável, como uma nova ideia, um novo objectivo. Este sentimento gerou uma forte consciência nacional capaz de diagnosticar correctamente as causas dos males sociais e apontar soluções práticas.

O nosso país cresceu economicamente. Mas o nosso povo cresceu ainda mais politicamente. Valores como o estudo, a nutrição, a democracia e a legitimidade política já são perseguidos pelo povo. O povo já escrutina as decisões dos Tribunais. Os oficiais e agentes dos órgãos de Defesa e Segurança já não aceitam ser sacrificados para defender injustiças que se cometem em nome do Estado. Eles já distinguem entre a defesa do Estado Democrático de Direito e a defesa de negócios privados em nome do Estado. E já não têm medo de afirmar que esse não é o Estado pelo qual lutaram.

A sociedade civil passou a fortalecer-se e ganhar cada vez mais autonomia; as inovações artísticas apresentam-se qualitativamente mais competitivas; uma nova geração de angolanos saída das universidades, no pais e no estrangeiro, vai se afirmando com consciência crítica nos espaços políticos, comerciais e científicos. Os nossos jornalistas lutam, a cada dia, por mais espaços de liberdade e responsabilidade. Os democratas no seio de todos os Partidos incluindo o MPLA dizem no seu íntimo: “Basta! É demais. Esse não é o Estado pelo qual lutamos. Se nos unirmos, mesmo em surdina, podemos perder o medo e fazer a mudança!”

Assim, por trás das aparências de um poder absolutista, que semeia o medo por todos os cantos, que pensa que a todos sustenta e domina, e de um povo aparentemente frágil que aceita o jogo da democracia incompleta e tutelada, existe uma nova realidade, um novo sentimento que está crescendo em surdina, no íntimo de cada um, lançando raízes, ganhando força, e que, garanto-vos, já não poderá ser contido:

ANGOLA QUER A MUDANÇA, ANGOLA PREPARA-SE PARA A MUDANÇA, ANGOLA JÁ ESTÁ CONSTRUINDO AS BASES PARA A MUDANÇA.

Este desejo de mudança, profundamente sentido, e em constante crescimento, está disperso por todos os segmentos em que se divide a sociedade angolana, tendo adquirido tal grau de consistência, que não mais se subordina a ideologias, doutrinas, preferências partidárias ou lideranças políticas.

Angola quer mudar, mas que mudança é essa? E porque quer mudar?

Defendemos uma mudança para melhor, uma mudança com responsabilidade, moderação e estabilidade, que consolide a paz e a reconciliação nacional, mas também que traga melhor educação, empregos, justiça e a igualdade de oportunidades para todos.

- a Mudança que acabe com o medo, a tirania e a injustiça.

- a Mudança que não perca tempo com o passado, procurando culpados, porque culpados somos todos, vítimas somos todos, responsáveis somos todos.

- a Mudança com grandeza moral, que promova a coesão social, estimule a unidade das famílias e da Nação, sem qualquer mancha de ressentimento ou vinganças;

- a Mudança com soluções realistas para acabar com a pobreza e a exclusão social;

- a Mudança que crie empregos e habitação para todos;

- a Mudança que proteja a carreira de todos os funcionários públicos, incluindo os polícias, os professores e os agentes dos serviços de segurança interna e externa;

- a Mudança que mantenha o que funciona bem;

- a Mudança que proteja a riqueza e o património de todos, e que respeite os contratos e compromissos assumidos pelo Estado;

- a Mudança que utilize o potencial de todos os quadros angolanos, no país e no estrangeiro, sem olhar para as cores políticas ou partidárias;

- a Mudança que garanta a plena igualdade do género e assegure de facto que pelo menos 30% dos cargos públicos sejam desempenhados por mulheres;

- a Mudança que assegure a dignidade e a estabilidade das instituições;

- a Mudança que proteja o ambiente e os investimentos públicos e privados.

- a Mudança que promova o desenvolvimento humano e que proteja as minorias, e a chance que devem ter de poder chegar a ser maioria;

Enfim, mudança sustentável e estável, que construa sobre o que já foi construído, respeitando, ao mesmo tempo, a construção e os construtores.

Este desejo de mudança, é bom que se diga, não vem do ódio, nem da conveniência, nem da hostilidade. Vem, isso sim, da falta de sensibilidade para com o sofrimento do povo e do cansaço. Cansaço das injustiças. Cansaço da pobreza e cansaço de ter medo.
O Significado das Eleições de 2008 e 2009

É por isso que este mesmo povo já decidiu que Angola precisa de mudar. O povo quer que lhe devolvam o poder para ele exercê-lo, legitimamente, na Assembleia Nacional e na Presidência da República. Os angolanos registaram-se e agora querem escolher os seus governantes pelo voto directo e secreto, primeiro em 2008, e depois, em 2009!

As eleições de 2008 farão mais do que produzir um governo convencional. Elas estabelecerão os sólidos fundamentos institucionais de um verdadeiro Estado Democrático de Direito no nosso País e de um programa sério para combater a pobreza e criar as condições para que a juventude e as crianças tenham futuro neste País.

Defendemos que a base do desenvolvimento de Angola seja o desenvolvimento e acumulação do seu capital humano.

Esta é a tese mestra do “Programa da Mudança,” que iremos submeter à Nação em 2008. Tal desenvolvimento terá de traduzir-se no aumento da longevidade das pessoas, na melhoria da nutrição das crianças, no aumento das capacidades técnicas e profissionais dos jovens, na eliminação da fome e das endemias, no crescimento dos rendimentos dos trabalhadores e no aumento do consumo e das poupanças das famílias.

As eleições de 2009 farão mais do que eleger um novo Presidente. Elas marcarão a substituição do absolutismo pelo constitucionalismo; a substituição do poder aristocrático e vitalício pelo poder electivo e temporário. Elas marcarão, definitivamente, o fim da instabilidade política resultante do poder ilimitado e indivisível.

As eleições de 2009 elegerão o Poder Moderador da República, o garante da legitimidade democrática e da justiça social; o símbolo da unidade e da estabilidade nacional, com ascendência moral sobre o povo e sobre as demais instituições do Estado, porém, sem interferência activa ou subtil no seu funcionamento autónomo. Esta é a mudança que Angola reclama. Esta é a nossa missão colectiva como Nação.

Caro compatriota:

O Programa da Mudança combina a implementação prioritária de estratégias de curto prazo com os objectivos e estratégias de governação de longo prazo. As estratégias de curto prazo visam a satisfação das necessidades básicas das populações e a restruturação da cultura, estruturas e métodos de governação. Incluem vários programas integrados, identificados como “Soluções no Terreno Para Acabar Com a Pobreza.”

As “Soluções no Terreno Para Acabar Com a Pobreza” radicam na tese, segundo a qual, os problemas endémicos dos mais pobres são problemas colectivos de “segurança pública” ou de “segurança nacional,” que devem ser tratados pelo Estado como prioridade orçamental absoluta. É nesta base que serão implementadas políticas eficazes nos sectores da educação, saúde, habitação, emprego e justiça.

Educação e Emprego

Para garantir a independência conquistada há 32 anos, Angola deve fazer um investimento massivo na educação durante as próximas décadas. Um investimento talvez superior àquele feito com o exército nas últimas décadas. Um investimento que transforme a escola no factor catalisador da mudança e que prepare convenientemente os jovens para serem competitivos nos mercados de trabalho de Angola e da região.

O fenómeno da globalização e o crescimento económico perspectivado requerem que as capacidades técnicas dos angolanos cubram as necessidades fundamentais do desenvolvimento, de baixo para cima. Por isso, o Programa da Mudança prevê instituir, dentre outras, as seguintes políticas de educação e emprego:

(a) 12 anos de escolaridade mínima obrigatória para todos aqueles que nasceram no século XXI, ou seja, depois de 1 de Janeiro do ano 2000;

(b) Valorizar e prestigiar a carreira docente acima de qualquer outra, tornando mais rigorosa a sua preparação e qualificação, criando novos sistemas de remuneração e estímulo e assegurando a sua permanente actualização e aperfeiçoamento;

(c) Adaptar progressivamente os currículos escolares e académicos às necessidades do desenvolvimento humano e do mercado de trabalho para atender especificamente aos programas e valores que impulsionarão a sustentabilidade do País e do mundo;

(d) Maximizar o uso das tecnologias de informação e da comunicação social para a massificação do conhecimento, da moral social e da cultura nacional e universal.

(e) Promover a educação diferenciada nos meios rurais, de forma a proporcionar criatividade e assegurar educação formal suficiente para tratar das principais necessidades técnicas a nível da aldeia.

(f) Promover o alargamento da qualidade e da quantidade da rede escolar e estudá-la cuidadosamente, no conjunto dos vários graus e ramos de ensino, tanto público como particular, acompanhando e orientando permanentemente a sua evolução coordenada.

(g) Adoptar medidas legais para instituir benefícios financeiros, habitacionais, de carreira e de previdência social com vista a incentivar e apoiar as empresas e os trabalhadores qualificados que se disponham a laborar no interior ou em zonas mais difíceis e premiar tanto a mobilidade laboral como as migrações inter-provinciais.

(h) Instalar e equipar centros regionais de recrutamento e colocação profissional, fixos e móveis, em paralelo com a construção e equipamento de estalagens, para facilitar a mobilidade geográfica e garantir a colocação de artífices e a especialização de operários para os sectores mais expansivos e intensivos da economia, promovendo assim a mobilidade da mão de obra, nos meios rurais e urbanos.

(i) Garantir a todos os que tenham real capacidade, a possibilidade de estudar para além da escolaridade obrigatória, independentemente das suas condições económicas, proporcionando-lhes condições justas para tirarem dos estudos o máximo rendimento.

(j) Estabelecer medidas tendentes a favorecer o pleno emprego, a segurança social, a investigação, o contínuo aperfeiçoamento e o pagamento justo de pensões de reforma a todos os trabalhadores angolanos.

Com estas políticas, Angola criará as condições para a efectivação dos direitos económicos, sociais e culturais da juventude, nomeadamente, no ensino, na formação profissional, na cultura e no acesso ao primeiro emprego.
Habitação

O Governo da Mudança irá adoptar uma política habitacional que dará prioridade àqueles que estão em situação mais crítica e àqueles que nunca tiveram casa própria. Estes poderão adquirir terrenos habitacionais a preços não especulativos e créditos bancários de longo prazo, com garantia do Estado.

A coordenação da execução desta política será descentralizada por oito grandes regiões territoriais, de forma a garantir a eficiente conjugação das acções da Administração Pública e entidades privadas. Será promovida, em todas as Províncias, a execução descentralizada e concorrencial de Planos de Urbanização e a construção das respectivas infra-estruturas básicas de acordo com os objectivos do desenvolvimento descentralizado.

Além disso, será acelerado o programa actual de construções do equipamento social mínimo, como chafarizes, electrificação, balneários, parques infantis e juvenis, e outras estruturas, quer nas áreas urbanas, quer nas aldeias rurais.

O Programa prevê também a construção de habitações para os professores, enfermeiros e todos os outros funcionários públicos, em todas as Províncias, para viabilizar o programa de rotação na prestação de serviço público, no quadro de uma política global integrada da habitação que incluirá as correspondentes medidas de carácter institucional, financeiro e técnico.

Para os bairros e agrupamentos periféricos pobres que tiverem de ser derrubados para possibilitar a urbanização em Luanda, Benguela ou na Huila, por exemplo, o Governo da Mudança fará programas de parceria entre os Governos locais e as comunidades de moradores a desalojar, que serão credenciados como “promotores imobiliários”. Assim, poderão ter acesso a terrenos municipais e a créditos imobiliários directos, negociados em bloco com Bancos privados e com a garantia do Estado, com o objectivo de construírem habitações dignas para si. A urbanização e a construção da infra-estrutura e dos acessos, porém, são da responsabilidade do Estado.

Estas parcerias poderão constituir também passos firmes dos pobres urbanos a caminho da cidadania, em que os direitos consagrados no papel são traduzidos em realidade, devido a confluência favorável de um contexto de políticas públicas, que radicam nos valores da justiça social e da democracia participativa como promotores da paz social.

Com estas políticas, Angola garantirá o direito dos jovens à habitação e a sua integração e participação na vida activa da sociedade.

Saúde

O principal objectivo da política de saúde é valorizar a pessoa humana e aumentar a longevidade dos angolanos. O Governo da Mudança criará as infra-estruturas de apoio para satisfazer as necessidades fundamentais não só da medicina curativa e recuperadora, mas principalmente da medicina preventiva.

O Governo da Mudança irá constituir “unidades móveis de saúde” para ajudar a servir as populações, devido às grandes distâncias e às dificuldades de transporte no terreno. Tais unidades terão como objectivo uma visita mensal a cada aldeia. Vamos colocar pelo menos um médico e dois enfermeiros para servir cada aglomerado populacional de 5,000 pessoas!

Um Toyota Land Cruiser VX custa $80.000.00. Manter um posto médico, com uma médica e duas enfermeiras para fornecer à população de uma comuna, de forma gratuita, prevenção e tratamento do paludismo e outros serviços adicionais básicos excluindo os de anti-retrovirais, também custa $80,000 por ano. (Esses medicamentos são já fornecidos por Fundos internacionais, tais como o Fundo Global de Combate à Sida, Tuberculose e Paludismo.) Vamos priorizar a saúde.

A aceitação dos problemas endémicos dos mais pobres como problemas colectivos de “segurança pública” ou de “segurança nacional,” impõe à sociedade o dever de canalizar os recursos colectivos para a solução dos graves problemas de saúde.

Por isso, o novo Governo que vamos instituir em 2008 irá promover “as medidas necessárias para assegurar aos cidadãos o direito à assistência médica e sanitária, bem como o direito à assistência na infância, na maternidade, na invalidez, na velhice e em qualquer situação de incapacidade para o trabalho.” Artigo 47º da Lei constitucional.

O Programa da Mudança irá desenvolver sub-sistemas de assistência médica e medicamentosa no cômputo dos sistemas nacionais de previdência ou de segurança social; e manterá, de forma descentralizada e exclusiva, meios terrestres e aéreos vocacionados a satisfazer as urgências e fazer deslocar o pessoal sanitário às aldeias mais remotas sob sua jurisdição.

Serão revistos os sistemas de qualificação, remuneração e desenvolvimento das carreiras académicas, científicas, técnicas e profissionais da saúde de forma a atrair os profissionais e a juventude para a prestação digna e compensatória deste segmento do serviço público.

Entrarão no sistema cursos adequados de Agentes Sanitários e de Assistência Rural e formas atractivas de progressão das respectivas carreiras. Os cursos superiores de medicina e de enfermagem serão adequados aos mais altos padrões de qualidade, às condições de trabalho locais e aos padrões de rigor internacional.

Combate à Pobreza

Prezado compatriota:

A Lei maior obriga ainda o Estado a “promover e intensificar a solidariedade económica, social e cultural entre todas as regiões da República de Angola, no sentido do desenvolvimento comum de toda a Nação angolana.” Artigo 7º da Lei Constitucional. E os angolanos querem votar em 2008 e em 2009 para que o novo Chefe de Estado garanta que se cumpra esta Lei

É, pois nesta base, que o novo Governo irá dinamizar e reorientar a actividade industrial, nomeadamente através da aquisição estratégica de tecnologias e de sistemas de produção para o desenvolvimento integrado de parques industriais regionais, visando a maximização da criação de empregos.

No curto prazo, porém, o Estado combaterá a endemia da pobreza, em todas as suas dimensões, em cada Município, com base em quatro elementos fundamentais:

1. Um Diagnóstico diferenciado por região que identifica as políticas e os investimentos necessários, em cada Município.

2. Um Plano de Acção para cada região que descreva, quantifique e calendarize as acções e investimentos a efectuar e seus responsáveis.

3. Um Plano Financeiro para sustentar o plano de investimento, identificando os riscos e sugerindo fontes e métodos de financiamento.

4. Um Plano de Gestão que defina os mecanismos de gestão e controlo de cada projecto e os de governação e administração pública, os quais ajudarão a garantir o êxito da sua implementação.
Reformas

Caro Compatriota:

É convicção generalizada que as autoridades públicas têm mantido inadequados os sistemas de remuneração do trabalho e de sustento das famílias; institucionalizaram a corrupção e a dependência de muitos ao sistema a fim de evitarem a responsabilização.

Em legítima defesa, os cidadãos armaram redes pessoais de sobrevivência e influência. Desse modo, as relações institucionais personalizaram-se, o favoritismo tornou-se essencial para a manutenção do poder e o “cabritismo” tornou-se necessário para a sobrevivência de muitos.

A mudança reclama, por isso, reformas institucionais e estruturais na cultura e métodos de governação, em especial na garantia de rendimentos justos para os angolanos, na gestão das finanças públicas e na administração da justiça, pois não se pode combater a corrupção e moralizar o Estado sem reformarmos o sistema de remuneração, o sistema judicial e o sistema de gestão das finanças públicas.

O sistema de remuneração dos servidores públicos será competitivo e por vezes superior ao do sector privado. Será baseado no mérito e na produtividade, e incluirá incentivos bastantes para premiar a mobilidade e a qualidade e garantir a progressão de carreiras. topo

Justiça

No que se refere à justiça, o Programa considera, como ponto de partida, que as prerrogativas, competências e funcionamento da Procuradoria Geral da República e demais órgãos do Ministério Público devem ajustar-se aos princípios democráticos e republicanos, incluindo o Estado de Direito e a separação de poderes, de forma a assegurar a independência efectiva do poder judicial como órgão de soberania garante das liberdades e direitos fundamentais dos cidadãos e do constitucionalismo democrático e plural. Isto significa tirar os Tribunais da dependência do Ministério da Justiça, quer do ponto de vista funcional, quer do ponto de vista orçamental.

O grande objectivo a alcançar é dignificar a Justiça e elevá-la ao nível de operacionalidade e autoridade que o Estado de Direito exige, elevando a remuneração dos magistrados, investigadores e funcionários judiciais, e provendo excelentes condições laboratoriais, científicas, tecnológicas e administrativas de trabalho aos Tribunais e órgãos de investigação, prevenção e correcção criminais.

O Programa preconiza a mais abrangente substituição dos instrumentos jurídicos do velho regime por outros que sustentarão o regime democrático e garantirão os direitos e liberdades individuais. Isto significa rever as Leis para a Segurança Nacional, Prisão Preventiva, Serviço Público de Rádio e Televisão, Investigação Criminal e promulgar novos Códigos Processuais e novas Leis, como a Lei da Garantia dos Direitos da Juventude, a Lei do Tribunal Constitucional, Lei das Autarquias, a Lei da Procuradoria Geral da República, a Lei Eleitoral, a Lei das Finanças Públicas e muitas outras. topo

Finanças Públicas

As reformas na gestão das finanças públicas incluem a profunda reestruturação dos sistemas e processos de controlo interno e de produção, publicação e auditoria das contas nacionais, com vista a aperfeiçoar o controlo dos fundos públicos, garantir uma governação transparente e possibilitar a responsabilização.

O novo Governo irá assegurar a descentralização da execução orçamental e a desconcentração regional da gestão das verbas dos orçamentos dos programas relativos às “Soluções no Terreno Para Acabar Com a Pobreza.”

Serão criadas estruturas, sistemas e procedimentos institucionais adequados e eficazes de prestação de contas, auditoria e responsabilização dos gestores orçamentais e de prevenção da corrupção activa e passiva.

As capacidades e autoridade do Instituto Nacional de Estatística serão fortalecidas de forma a se institucionalizar eficazmente o sistema de Contabilidade Nacional e de produção sistemática de estatísticas sócio-económicas e monetário-financeiras com o rigor exigido pelos princípios da boa governação.

O objectivo central é promover uma nova cultura de prestação de serviço público, com novos métodos de trabalho e estruturas eficazes, adaptadas ao meio. topo
Forças Armadas

As Forças Armadas irão participar neste esforço de dignificação das instituições do Estado. Eles estão entre os mais sacrificados durante os últimos 32 anos. Agora chegou a hora da Nação reconhecer-lhes o esforço que fizeram e garantir um futuro digno para os seus filhos.

O Programa da Mudança prevê a racionalização e especialização das Forças Armadas como viveiro nacional de investigação e de prestação de serviços técnico-científicos de natureza pública, e não só, visando a optimização dos recursos nacionais e a dignificação da carreira militar. topo

Corrupção

O Programa da Mudança advoga combater o fenómeno da corrupção em quatro frentes:

1. Restaurar a normalidade constitucional e realizar processos eleitorais regulares, a todos os níveis dos órgãos do poder electivo do Estado, como forma de se institucionalizar a cultura do limite temporal e substancial da autoridade pública e a cultura da responsabilização dos detentores de cargos públicos.

2- Eliminar tanto quanto possível o poder discricionário do Governo sobre pessoas físicas e jurídicas. Serão estabelecidos sistemas de remuneração de servidores públicos que dispensarão a “gasosa” e encorajarão o mérito, a produtividade e a carreira pública.

3- Fortalecer as instituições e eliminar as burocracias desnecessárias. Serão fixadas regras transparentes para as transacções públicas e um sistema sancionário viável, que premiará a ética e encorajará a lealdade às regras da boa governação.

4- Dotar a Alta Autoridade Contra a Corrupção e a Provedoria de Justiça dos recursos e instrumentos necessários para o seu efectivo funcionamento com a devida independência e autoridade.

Estado Social e Dialogante

Prezado compatriota:

Angola vive um dos raros momentos da sua história. O povo amadureceu e quer a mudança. A mudança para a democracia e justiça social. A mesma mudança que vimos advogando há décadas e que já ocorreu na RDA, na Polónia e na Ucrânia. Esta mudança já não pode ser adiada nem impedida por políticos ou governantes, sejam eles beneficiados ou prejudicados por ela.

A mudança que Angola reclama não é obra de um homem, de um Partido ou de um Governo. É obra de todo um povo, a ser dirigida por uma nova liderança e sustentada por uma juventude talentosa, motivada e visionária.

A UNITA propõe-se a oferecer esta liderança. Advogo, por isso, que novas e mais íntimas formas de colaboração serão necessárias para assegurar que os princípios de políticas e as estratégias que preconizamos continuem a ser objecto de análise por parte de todos os quadros interessados.

Serão os quadros angolanos das várias formações políticas que, com V.Exa., farão a gestão da mudança e servirão o povo através do novo Estado.

A UNITA já iniciou as acções preparatórias para a formação deste novo Estado social e dialogante. Queremos prosseguir o diálogo com todos os quadros, líderes de opinião, líderes de comunidades, profissionais, académicos, políticos de qualquer Partido, magistrados, representantes dos sectores produtivos público e privado, estudantes, funcionários do Estado, e todos os interessados.

O diálogo poderá ser formal ou informal. O objectivo é construir o mais amplo consenso nacional sobre as melhores vias para pôr termo ao período do absolutismo, da dependência humilhante do cabritismo e do medo, e introduzir a era dos governantes que servem o cidadão e não a si próprios.

O Voto: a arma secreta dos angolanos

Prezado compatriota:

Para sermos todos o instrumento colectivo desta mudança, precisamos entender que as eleições já iniciaram e que as forças que se opõem à mudança querem vencê-las por antecipação.

Primeiro, produziram legislação eleitoral que fere a Lei Constitucional da República. Depois criaram uma Comissão Nacional Eleitoral que é dominada pelo Partido no Poder. Adiaram sucessivamente as eleições e levaram um ano para completar o registo eleitoral. Ainda assim, não registaram todos os eleitores, atrasaram a publicar as listas dos registados e utilizam o medo, a coacção e outros artifícios fraudulentos para constranger ou induzir os eleitores, nas suas casas, a não votarem pela mudança. Isto tem sido feito nas aldeias e bairros do País, através das campanhas de recolha forçada de cartões, registos paralelos, violência, subversão e outras violações dos direitos humanos.

As eleições serão organizadas por uma Administração Eleitoral não isenta, presidida por um magistrado que também é Vice-presidente do órgão eleitoral de recurso, o Tribunal Supremo. O mesmo Tribunal que, nos termos da Lei Maior, deveria pronunciar-se sobre a constitucionalidade da legislação eleitoral no prazo de 45 dias e que, passados dois anos, não diz nada, ao arrepio da Lei! Este Tribunal, que não cumpre a Lei, é o mesmo que vai aprovar as candidaturas às eleições e decidir sobre o contencioso eleitoral!

Mas não desanimem, caros compatriotas! Ao longo da história, muitos regimes que manipulavam a Lei e os processos eleitorais foram vencidos pelo povo no dia das eleições. A tirania e o medo foram derrotados por uma arma de papel: o voto. O sentimento de mudança ficou bem protegido pelo voto secreto e igual. Em Angola sucederá o mesmo. A força do voto secreto é mais poderosa que a força da manipulação e da intimidação. Não se mete medo a milhões! O voto da mudança será a arma secreta dos angolanos no dia das eleições, tanto em 2008 como em 2009!

Convite

Prezado compatriota:

O período da instabilidade resultante da ilegitimidade dos governos terminou. O tempo para os políticos subverterem o papel do Estado terminou. O tempo dos governantes sem mandato democrático terminou. Chegou a hora da mudança em Angola!

Angola precisa de milhares de voluntários para garantir a integridade do seu processo eleitoral. Angola precisa de garantir que todos os erros nos cadernos eleitorais sejam corrigidos. Angola precisa de garantir que os nomes de todos os que têm cartão de eleitor estejam mesmo nos cadernos eleitorais e não foram apagados! Angola precisa de garantir que a informação nas bandas magnéticas dos cartões seja legível e esteja protegida. E que a integridade da estrutura de códigos da base de dados seja independentemente confirmada! Não podemos aceitar, como Nação, nenhuma situação que conduza à fraude.

Precisamos de assegurar agora, como Nação, que todos os que têm cartão irão votar em 2008 e em 2009! E que cada voto conte como voto válido. E que só conte uma vez. Angola precisa de garantir que o único senhor do resultado dos processos eleitorais seja o povo angolano.

Prezado compatriota:

Ao longo do meu mandato, tenho ouvido de vários sectores da sociedade a seguinte afirmação: “A UNITA representa, para o povo angolano, a única possibilidade prática de mudança no curto prazo.”

Respeitando este sentimento, procuramos afirmar a UNITA como o estuário generoso de uma grande frente política democrática para a mudança estável de Angola, que oferecemos ao povo angolano de todas as origens sociais, religiosas, étnicas e políticas. Uma frente aberta e pronta para congregar religiosos, democratas e nacionalistas de todas as matizes políticas, sinceramente dedicados à causa do povo e à construção de um futuro melhor para todos.

É a esta cidadania lúcida e inteligente, em particular aos quadros e aos mais jovens, que a UNITA se dirige, por meu intermédio, para convidá-la a participar com optimismo e esperança na mudança para um futuro melhor para todos.

Atenciosamente,
Isaías Samakuva
Fonte: Kwacha

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