Wednesday, October 24, 2007

ADVOGADOS DE MIALA E CO-RÉUS MANTÊM-SE ACTIVOS

O advogado do general Fernando Garcia Miala e co-réus, Eusébio Rangel, disse ter recebido garantias de que brevemente haverá um pronunciamento sobre o recurso interposto, nomeadamente em relação à constituição do tribunal had hoc que vai reapreciar a sentença.

Em termos ordinários, há um prazo que medeia a interposição do recurso e a análise do recurso, mas a legislação militar é omissa em relação ao cumprimento rigoroso deste prazo.

Após a condenação, a defesa bateu-se para que a apreciação do recurso fosse feita por um tribunal diferente do que julgou Miala e pares, estando-se a aguardar pela tramitação que deverá passar também pela proposta nominal dos membros componentes do Conselho Supremo de Justiça Militar, pelo Chefe do Estado-Maior General das FAA.

«Nós pensamos que este tribunal, que no fundo será um tribunal ad hoc, será constituído, os seus membros serão nomeados por sua excelência senhor Presidente da República e reapreciará naturalmente o recurso que nós interpusemos.» Após a condenação dos réus, familiares convocaram a imprensa para esclarecer, na sua opinião, as verdadeiras razões que estiveram na base da exoneração e condenação por um crime supérfluo, em comparação com as alegações de que estariam a preparar um golpe de estado.

Estas informações causaram um certo mal estar na medida em que os nomes dos generais Kopelipa, José Maria, Veríssimo e do primeiro-ministro Nandó, entre outras figuras de proa do regime, foram visadas pelas alegações.

O advogado manifestou-se, entretanto, tranquilo em relação a uma suposta influência destas informações junto da instância que vai analisar o recurso, apesar de admitir alguma falta de independência dos tribunais militares.

«O juiz deve obediência à Lei, apenas isso.» Rangel manifestou a opinião de que o actual quadro do sistema de justiça militar não garante a independência dos tribunais, amarrado que está ao princípio da hierarquia, havendo mesmo a tendência de se extinguirem os tribunais militares, sobretudo em tempo de paz, porque não oferecem garantia nem imparcialidade. «Há propostas de no próximo ano haver algumas jornadas no sentido de se rever o sistema de justiça militar, mas mesmo assim não parece que venha a haver alterações substanciais de monta, mas isto depende de uma série de interesses e do poder político.»

Enquanto isso, os réus continuam a cumprir na cadeia de Viana as penas de quatro anos, para o general Miala, e 30 meses para os seus antigos colaboradores mais directos na direcção dos Serviços de Inteligência Externa.

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EDUARDO DOS SANTOS «ESTREIA-SE» EM MOÇAMBIQUE

José Eduardo dos Santos vai efectuar, na próxima semana, uma deslocação a Moçambique, naquela que será a sua primeira visita oficial àquele país, desde que assumiu a presidência de Angola, há 28 anos. Eduardo dos Santos esteve em Moçambique três vezes. A primeira em Outubro de 1986 para os funerais do então presidente de Moçambique Samora Moisés Machel.

Eduardo dos Santos voltaria a Moçambique para reuniões da «Linha da Frente» percursora da SADCC, que mais tarde viria a adoptar a sigla de SADC, mas esta será a primeira vez que o fará a título oficial.

Fontes oficias angolanas e moçambicanas disseram à Voz da América que o Chefe de Estado angolano é esperado em Maputo na próxima terça-feira, dia 30, para uma visita de dois dias, correspondendo assim a um convite que lhe foi formulado pelo Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, durante a sua deslocação à capital angolana.

Logo após ter assumido a presidência, a primeira deslocação oficial de Armando Guebuza foi precisamente a Luanda, em Abril de 2005, para apresentar cumprimentos ao seu homólogo angolano. A sua primeira- ministra, Luísa Diogo, viria igualmente a escolher Angola como primeiro destino oficial, o mesmo sucedendo com a titular dos Negócios Estrangeiros.

Durante a visita que efectuou a Luanda , Guebuza viria a convidar o Presidente José Eduardo dos Santos para assistir às cerimónias dos 30 anos de independência de Moçambique assinalados a 25 de Junho de 2005. O Presidente de Angola enviou, no seu lugar , o primeiro-ministro Fernando Dias dos Santos «Nandó», numa decisão muito comentada em Angola. Por um lado, José Eduardo dos Santos não teria respondido da mesma maneira ao gesto de Guebuza , e por outro, acentuava na altura a prática de não assistir a eventos em países africanos.

José Eduardo dos Santos escalou esta quarta-feira, a Windhoek para uma visita Estado de 48 horas à Namíbia, a convite do presidente Hifikepunye Pohamba. Segundo os serviços da presidência angolana, esta visita inscreve-se no reforço de amizade e cooperação existentes entre os dois países.

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OGE dos EUA vai encostar governo angolano à parede

USA - No âmbito dos esforços de combate contra as cleptocracia e corrupção internacionais o Congresso dos EUA inlcuiu no capitulo do OGE/2008, destinado ao Departamento de Estado e Operaçõeses Internacionais.

Uma Secção na qual exige que o Departamento de Estado providencie às Comissoes relevantes do Congresso uma lista com os nomes de membros - e familiares próximos - dos governos de Angola, Burma, Cambodja, Guiné Equatorial, RDC e Republica do Congo, envolvidos em actos de corrupção relacionada com a extracção dos recursos naturais dos seus respectivos países.

Os indivíduos constantes da lista, serão interditados de viajarem para os EUA, possuírem ou transferirem propriedade de/e para os EUA, estando os cidadãos Americanos proíbidos de prestarem auxílio aos referidos individuos.

O Projecto de Lei foi aprovado pelo Senado com 81 votos a favor e 12 contra. A versão da Cãmara de Representantes foi aprovada com 241 votos a favor e 178 contra.

O Projecto estará agora sujeito à chamada Conferência, que é um processo em que peritos das duas cãmaras procuram reconciliar as duas versões, antes do Projecto ser submetido ao Presidente para assinatura final.

Os governos visados estão, como era de esperar, a movimentar os seus lobbies procurando convencer os conferencistas a abondonar esta Secção do Projecto de Lei.

Este foi um dos assuntos que a Embaixadora americana Diakite, discutiu com o governo angolano na sua mais recente deslocação a este País.

A resposta do governo angolano, movimentando-se no complexo lobby do petróleo foi colocar a concurso dez novos blocos de extracção do ouro negro. Este gesto irá obrigar os lobbies americanos ligados ao petróleo a um redobrado esforço para que a dita secção da lei não seja publicada.

Por outro lado os prémios pagos pela concessão de cada bloco (e que habitualmente rondam o bilião de dólares americanos), e que não são declarados nas contas do estado angolano, servirão para o governo angolano engordar mais umas contas e, quem sabe comprar as consciências na fraude eleitoral que se aproxima.

Fonte: NL

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As Perspectivas Económicas de Angola depois da Paz

Um artigo de Alves da Rocha. Pela primeira vez, depois da independência em 1975,  Angola encontra-se numa situação de paz efectiva, vivida em toda a extensão do seu território e pela generalidade das suas populações. Deste ponto de vista foi devolvida a esperança aos cidadãos, recuperada a possibilidade de se pensar o futuro e reposta a capacidade de reflexão prospectiva. Situações fundamentais para que se ponham ao serviço dos angolanos as enormes potencialidades naturais que o país encerra e que são, de resto, reconhecidas pela comunidade internacional.
Evidentemente que são muitos os desafios a ultrapassar, hajam em vista o estado em que a guerra deixou o país, a incorrecta gestão macroeconómica, as imponderabilidades que afectam a actividade produtiva e a cultura burocrática que ainda pesa no funcionamento da Administração Pública. Porém, se estes desafios forem correctamente equacionados e priorizadas as correspondentes políticas de intervenção, Angola tem imenso espaço para crescer, como economia, como povo e como parceiro das economias mais desenvolvidas do mundo.

2.- OS GRANDES DESAFIOS

Os desafios a vencer são muitos e diversos. Alguns são sinteticamente referidos de seguida.

(a) - Construção da economia nacional

A guerra deixou o tecido económico completamente desarticulado. O sistema económico interno é uma “manta de retalhos”, com um Estado dominador[1] e um sector privado não petrolífero sem grande expressão económica. A economia privada interna é preponderada pelas actividades informais rurais e urbanas, quase totalmente desinseridas da política económica oficial.
Com uma posição especial encontra-se a economia petrolífera: com um regime cambial próprio e uma lógica de funcionamento baseada no dólar, isenta do pagamento de impostos alfandegários como primeiro importador da economia nacional, de costas voltadas para o resto da economia (a expressão máxima deste divórcio é dada pelo inexpressivo volume de emprego nacional que este sector de enclave cria[2]) e desempenhando o importante papel de quase exclusivo fornecedor de divisas[3] à economia e de grande pagador de impostos de rendimento ao Estado.

Em síntese: o circuito económico interno é integrado por quatro agentes, a saber, o Estado ainda com uma forte posição económica, a economia petrolífera como Banco Externo do país, a economia informal cada vez com uma expressão maior[4] e a economia privada formal[5] que tarda em se afirmar como o mais importante actor económico do país. Entre estes quatro agentes as relações económicas são muito ténues, mesmo inexistentes entre alguns deles. Ao acrescentar-se que este circuito económico interno está praticamente todo localizado numa pequena faixa do litoral do país, fica-se com uma imagem clara das importantes desarticulações estruturais existentes em Angola.

(b) - Redução da pobreza

Os resultados do inquérito às despesas e receitas familiares do INE realizado entre 2000 e 2001 deram conta dum agravamento da pobreza extrema entre 1995 e 2000: parametrizada em termos de indivíduos a respectiva taxa passou de 13,4% para 26,3%. Em matéria de agregados familiares o agravamento foi ainda mais expressivo, de 11,3% para 24,7%. No geral, a taxa de pobreza em termos de indivíduos passou de 62,9% em 1995 para 68,2% em 2000, o que corresponde a um agravamento de 8,4%.

(c) - Atenuação das diferenças regionais no contexto da SADC

O país claramente dominante na SADC é a África do Sul, cuja criação anual de riqueza representa em média mais de 3/4 do total da região. Os desequilíbrios regionais na capacidade de criação de riqueza a favor dum único país fazem recear que os mais importantes efeitos de polarização de actividades económicas e de multiplicação de rendimentos, num contexto de liberalização do comércio e de integração económica, venham a ocorrer, quase integralmente, a seu favor.<br>Por outro lado e numa óptica de aproveitamento de determinadas vantagens comparativas internas, o predomínio dum país pode vir a ocasionar - no quadro das estratégias nacionais de redução dos desequilíbrios regionais - o aparecimento dum elevado grau de concentração de especializações produtivas, reduzindo-se a capacidade de resistência interna à concorrência externa.

3.- AS CONDIÇÕES PARA A RETOMA DO CRESCIMENTO

Uma das primeiras condições que o Estado deve estabelecer é a segurança económica da sociedade. A garantia da segurança económica é um aspecto crítico do sistema de participação dos agentes e cidadãos no processo de desenvolvimento da Nação.
Os aspectos cruciais a reter são a transparência e a imparcialidade dos sistemas judiciais (sociedade de direito), a “good governance” geralmente reconhecida como essencial para a estabilidade macroeconómica e para a sustentabilidade do crescimento económico, e a defesa dos direitos de propriedade, elemento chave para o reforço do sistema financeiro nacional e para a defesa dos pequenos e médios empresários.

Uma outra condição dum desenvolvimento económico sustentável - alicerce para a ultrapassagem de fenómenos sociais endémicos como a pobreza -  radica no apoio, promoção e defesa do investimento privado, enquanto motor principal do crescimento numa economia de mercado. Penso ser do conhecimento geral que vários estudos empíricos realizados sobre realidades diferentes têm vindo a demonstrar que, por um lado, existe uma relação econométrica[6] importante entre o crescimento dos investimentos públicos e a eficiência dos investimentos privados e, por outro, que o investimento privado é o de maior efeito multiplicador a curto prazo.
Então e desde logo, o Estado, através da sua Administração, tem de ser competente na escolha dos melhores investimentos públicos, os que induzam maior eficiência sobre o investimento privado. Em segundo lugar, a Administração deve ser capaz de remover todos os obstáculos burocráticos, promover a transparência dos processos de autorização e diminuir as incertezas da política económica que consequencializam uma redução substantiva dos custos de transacção dos investimentos privados.

Como terceira condição destacaria a consolidação da estabilidade macroeconómica, veiculada, sobretudo, por uma convergência entre a programação económica, a programação orçamental e a programação monetária e pelo rigor na afectação dos recursos financeiros da Nação.
O controle do défice fiscal em limites economicamente aceitáveis e socialmente suportáveis é a pedra de toque da execução duma política de estabilização macroeconómica compreensiva e abrangente[7].

Uma quarta condição relaciona-se com a reforma e reestruturação do sistema financeiro[8]. É vulgar afirmar-se que tal como a rede de transportes é o sistema de circulação sanguínea da economia real, o sistema financeiro desempenha papel semelhante na circulação das poupanças e dos investimentos. E este papel só deve ser exercido pelo sistema financeiro, não podendo competir a mais nenhuma estrutura institucional esta função de intermediação entre quem poupa (ainda que seja o Estado, por exemplo, através dos bónus petrolíferos) e quem investe. Por questões de transparência, eficiência e verdade económica.

A constituição do capital humano nacional é uma outra condição, provavelmente a de maior profundidade e alcance, seguramente a que maiores efeitos multiplicadores e reprodutivos sobre o crescimento económico produzirá a longo termo.
Angus Madison[9] afirma que os recursos humanos são o mais importante factor de crescimento e de desenvolvimento dos países. Numa aproximação quantitativa estabelece uma proporção de 70% para os recursos humanos (capital humano numa perspectiva do crescimento económico), 27% para o capital físico público e privado e apenas 3% para os recursos naturais.

5.- ACTIVIDADES ECONÓMICAS COM VANTAGENS COMPETITIVAS

A produção de bens e serviços tem apenas dois destinos: para abastecimento dos mercados internacionais (exportações) ou então para o mercado interno intermédio e final (substituição de importações). Em qualquer um dos casos é essencial garantir as respectivas competitividades, por intermédio de ajustamentos estruturantes (formação, inovação, tecnologia, gestão e organização) e não através de factores conjunturais e passageiros, como os baixos salários, os incentivos financeiros e fiscais, os subsídios, etc.

* Indústrias vantajosas para a promoção das exportações

Angola dispõe de um conjunto de indústrias que no contexto africano e em particular da SADC apresentam vantagens comparativas evidentes, devendo a política industrial facilitar o seu aprofundamento e promover o aparecimento de nichos de modernidade industrial, capazes de polarizarem determinados efeitos sobre outras indústrias.


De acordo com informações recolhidas através da United Nations Trade Data e usando duas versões da fórmula que nos dá o rácio denominado RCA (revealed comparative advantage) - uma mais lata e outra expurgada dos efeitos decorrentes da dimensão económica dos países (volume das exportações) - chegaram-se aos resultados seguintes[10]:


* - apesar da guerra e das suas pesadas consequências, Angola não é portadora de nenhuma inabilidade estrutural para a exportação de produtos potencialmente competitivos no mercado africano e regional da África austral; a prová-lo estão, por exemplo, as exportações de pasta de papel (cerca de 13,7 milhões de usd em 1971, ou um pouco mais de 105 milhões de usd aos preços actuais) e a produção de óleos vegetais (38 milhões de usd aos preços actuais) e de açúcar ( quase 90 milhões de usd aos preços actuais);
*  - pelos valores do RCA o país apresenta evidentes vantagens competitivas para a exportação de petróleo e produtos derivados e para as manufacturas de minerais não metálicos e patenteia algumas vantagens relativas nos outros produtos alimentares e outras indústrias transformadoras (não descriminadas na amostra de produtos que foi utilizada), para a madeira e produtos derivados, para os têxteis, para o açúcar e derivados;
* - aos produtos anteriores deverão ser acrescentados os que no passado detiveram uma percentagem significativa nas exportações do país e que podem ser considerados como fazendo parte duma certa tradição industrial angolana: pasta de papel e papel, tabaco, algumas bebidas e o tabaco processado.


Alguns valores do racio RCA alargado sugerem algumas considerações adicionais quanto à capacidade/possibilidade de alguns produtos poderem, num processo concertado de reconversão e recuperação industrial, fazerem parte das actividades do comércio externo do país. Por exemplo, o valor patenteado para a gama de produtos minerais não metálicos coloca Angola numa posição potencialmente mais vantajosa relativamente a muitos países da SADC, incluindo a África do Sul.
Estão neste caso as rochas fosfatadas de alto teor e o cimento. Relativamente às primeiras, os jazigos – avaliados em mais de 100 milhões de toneladas – situam-se na província de Cabinda e dispõem duma localização privilegiada, a apenas 16 km da costa. Um projecto bem dimensionado poderia conduzir à produção de 300 mil toneladas de ácido fosfórico e de 100 mil toneladas de superfosfatos anualmente. Para além dos efeitos directos e imediatos sobre a agricultura nacional, seria possível aumentar as exportações de bens manufacturados, em cerca de 210 milhões de dólares anuais.


Quanto ao cimento, estão perfeitamente delimitadas as enormes potencialidades do país, mormente no que se refere à conquista de algumas franjas dos mercados limítrofes deficitários neste produto.


Outra gama de produtos a ter em devida conta numa estratégia de reindustrialização e de valorização dos recursos naturais nacionais é a dos minerais não ferrosos – apesar do valor nulo do respectivo RCA -, donde se destaca o cobre. Angola dispõe de importantes jazigos nas provínvias do Uíge, Kuanza-Sul e Kuando-Kubango.


As gamas constituídas pelas indústrias metalúrgicas e de produtos metálicos apresentam, segundo os valores do correspondente RCA, vantagens comparativas nulas, donde e dum ponto de vista estático, Angola não pode disputar este mercado aos seus parceiros regionais. A questão, porém, muda de figura se a análise for dinâmica e deslocada para o campo das perspectivas e das potencialidades. Pode, em princípio, defender-se que o país disporá de vantagens competitivas adicionais em todas as gamas industriais energia-intensivas (energia hidroeléctrica ecologicamente limpa), como é manifestamente o caso da laminagem do ferro e do aço - donde poderão resultar produções de fio-máquina, barras e perfilados diversos – e do alumínio.


* Indústrias vantajosas para a substituição das importações

Existe um amplo mercado interno que a indústria transformadora pode cobrir, verificando-se que:

* são claras as vantagens internas para a substituição das importações nas gamas:
- têxtil (certamente devido às possibilidades no algodão;
- papel de derivados do papel, dadas as potencialidades do país na pasta celulósica
- produtos de natureza petrolífera, o que é óbvio;
- produtos químicos industriais (soda cáustica e produtos clorados, resinas sintéticas e - produtos farmacêuticos) e mesmo outros produtos químicos não especificados;
- plásticos e produtos derivados da borracha;
- vidro e produtos derivados;
- produtos minerais não metálicos;
- metais não ferrosos;
- montagem de máquinas eléctricas e não eléctricas, bem como de rádios e aparelhos de televisão;
- certo material de transporte (atrelados, etc)
- actividade mineira (diamantes, granitos, rochas ornamentais, etc).

* - no entanto, o critério das vantagens comparativas reveladas para as importações não deve ser exclusivo, sob pena de a análise ser redutora e perder sentido qualquer estratégia de criação do mercado interno (integração económica interna). Assim sendo:

- » podem ser criadas condições para uma competitividade interna face às importações nas gamas de produtos onde a tradição industrial tenha sido relevante, tais como as bebidas, os têxteis e confecções, os lacticínios e derivados, derivados da pesca, moagem de farinhas em rama e espoadas, fabricação de açúcar, produção de óleos vegetais e derivados (rações, sabão e margarinas), descasque de arroz e fabricação de pneus e câmaras de ar;

- » podem ser criadas condições para a aquisição duma competitividade interna nas gamas de produtos onde a produtividade aparente seja mais elevada, como os produtos alimentares, as bebidas, os derivados da madeira, as químicas, borracha e plásticos e os materiais de construção;

- » podem ser substutidas as importações nas gamas de produtos onde o país revele uma vantagem comparativa dada pela disponibilidade de recursos naturais industrializáveis, como, por exemplo, os adubos, o gás e os derivados do petróleo.

5.- CENÁRIO DE CRESCIMENTO ECONÓMICO POSSÍVEL EM 2007

A alteração da actual estrutura económica interna, dominada pela economia de exportação do petróleo, é uma das mais prementes necessidades a médio prazo, de modo a permitir um reforço sustentável da malha intersectorial.


CENÁRIO POSSÍVEL PARA 2007 - Veja quadro anexo

Artigo para o número especial, sobre a independência de Angola, da Revista “Cercle Diplomatique” editada em Viena de Áustria.
Luanda, 2003


Notas:


[1]
Ainda é o maior proprietário de activos fixos, as despesas orçamentais representaram em média na década de 90 cerca de 60% do PIB e a dívida externa é titulada em praticamente 100% pelo Estado.                                       

[2] A economia mineral não emprega mais do que 40000 angolanos (10000 no sector petrolífero, 28000 no diamantífero e 2000 no restante).

[3] Em média, na década passada, mais de 90% das receitas totais de exportação.

[4] Provavelmente 35% do PIB, 59% do emprego e 55% dos rendimentos agregados familiares (Fion de Vleter - “A Produção do Sector Microempresarial Urbano em Angola”, Principia-PNUD, Maio de 2002)

[5] Na década de 90 o PIB da indústria transformadora não foi além dum valor médio de 3,5% do PIB total do país, sintoma claríssimo dum processo acentuado de desindustrialização.

[6] Traduzida pela elasticidades da produção em relação ao investimento.

[7] Como ajustar a política fiscal de modo a assegurar-se a estabilidade macroeconómica, promover as reformas estruturais e, ao mesmo tempo, elevar o chamado gasto social, tanto de tipo compensatório e destinado a aliviar situações de privação extrema, quanto na formação do capital humano, é um desafio permanente aos decisores públicos. Com o novo clima de estabilidade, os programas do Governo podem explicitar, com clareza, os montantes dos “dividendos da paz” e explicar as opções para a sua aplicação económica e social.

[8] Um sistema financeiro com baixa propensão a emprestar ao sector privado - que fica dependente dos empréstimos oficiais subsidiados e dos tráficos de influência política - é um sério entrave ao crescimento da economia.

[9]  Angus Madison - A Economia Mundial 1820/1992, OCDE, 1995

[10] Os resultados seguintes baseiam-se num estudo elaborado pelo Ministério da Indústria em 2001 sobre o impacto económico da ratificação do Protocolo de Liberalização do Comércio na SADC.

De acordo com informações recolhidas através da United Nations Trade Data e usando duas versões da fórmula que nos dá o rácio denominado RCA (revealed comparative advantage) - uma mais lata e outra expurgada dos efeitos decorrentes da dimensão económica dos países (volume das exportações) - chegaram-se aos resultados seguintes:

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O salto gigante de Angola no palco da economia mundial

ImageAngola é um dos segredos mais bem guardados de África, afirma Paulo de Sousa, sócio principal da KPMG em Angola, em declarações públicas. Afirmou que três anos depois da paz consolidada, Angola surge como uma história de sucesso económico africano, embora este facto não seja notado em alguns sectores.
O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional declararam recentemente que a economia angolana cresceu 14% em 2005 e estimam um crescimento de 25% para o ano de 2006.  “Isto torna Angola numa das economias com o crescimento mais rápido do planeta,” afirma Paulo de Sousa.

Apesar de muito desse crescimento derivar da indústria petrolífera, não há dúvidas que múltiplos sectores da economia angolana estão também a ter um crescimento espantoso, incluindo a construção civil, portos, bancos, serviços, comunicações, distribuição, retalho, hospitalidade, tecnologia de informação, serviços de petróleo, agricultura e exploração mineira de diamantes. Angola está também a desenvolver a indústria do turismo.

No sector petrolífero, por exemplo, o volume de produção é de 1,2 milhões de barris por dia, devendo aumentar para 2 milhões de barris por dia em 2007/2008. O sucesso contínuo de Angola na identificação e produção de hidrocarbonetos foi evidente no 18º Congresso Mundial de Petróleo, realizado recentemente em Joanesburgo. Angola foi um dos principais patrocinadores e organizadores.

Na indústria diamantífera, 15 novas concessões de exploração foram recentemente anunciadas pela Endiama, empresa nacional de diamantes. A maior fábrica de lapidação de diamantes foi inaugurada este mês de Novembro em Luanda, capital de Angola. A fábrica tem capacidade para gerar anualmente 240 milhões de dólares na lapidação de diamantes.

A imagem de Luanda está a mudar de forma radical. Muitos edifícios novos estão a ser construídos, principalmente no centro de comércio de Luanda, onde as empresas do sector petrolífero e financeiro estão a instalar os escritórios. Muitos hotéis novos, de duas a cinco estrelas, estão também a ser construídos, assim como um centro de conferências internacional que deve ser concluído no próximo ano de 2006.

No sul de Luanda (Luanda Sul), vastos terrenos que até recentemente eram zonas sem qualquer desenvolvimento têm sido utilizados no desenvolvimento de propriedades, principalmente em projectos de casas de habitação, centros comerciais e desenvolvimentos industriais.

“Luanda Sul representa uma das áreas com o crescimento urbano mais rápido de África. Só é possível compreender a magnitude deste desenvolvimento vendo-o de avião,” afirma Paulo de Sousa. A reabilitação aguardada das estradas e dos caminhos-de-ferro do país começou a sério agora, em grande parte como consequência do empréstimo de 2 biliões de dólares do governo chinês. Os chineses e os negócios chineses estão a tornar-se cada vez mais visíveis em Angola.

O importante para estes projectos é a reabilitação da rede ferroviária de Benguela e as suas 48 pontes que eram utilizadas para exportar minerais da República Democrática do Congo nos anos 70. Angola está a atrair um maior investimento estrangeiro nos sectores do petróleo e dos diamantes, afirma a KPMG. A Agência Nacional de Investimento Angolano afirmou recentemente que foram aprovadas 123 propostas novas de investimento avaliadas em USD 180 milhões para o primeiro semestre de 2006.

A maioria dos investimentos é de Portugal, África do Sul e China. No último ano foram aprovados cerca de 200 projectos. Nos últimos dois anos, a rede de bancos comerciais em Angola tem crescido de forma significativa, particularmente com a abertura do Novo Banco e do Banco Internacional de Crédito, a aquisição de acções do BCA pelo banco sul-africano Absa e o Millennium Angola.
“Muitas outras instituições financeiras internacionais estão a preparar-se para entrar no mercado angolano,” afirma Luís Folhadela, gestor sénior no departamento financeiro da KPMG em Angola.

Várias empresas angolanas estão a preparar-se para serem incluídas nas bolsas de valores internacionais, como por exemplo Joanesburgo, Vancouver e Londres. Os planos para criar uma bolsa de valores em Luanda já estão em fase avançada.

No sector social, a maior ênfase é a reintegração de soldados desmobilizados das Forças Armadas Angolanas e do grupo rebelde Unita.

O Instituto Angolano de Reintegração Social dos ex-Militares (Irsm) já implementou projectos que beneficiaram directamente 40.000 ex-soldados e esperam duplicar o número de beneficiários até ao fim do ano.

“Contrariamente à imagem que persiste a nível internacional, a guerra em Angola acabou há três anos e todas as pessoas estão tão ocupadas em ‘dividir’ os benefícios da paz que nem pensam na guerra,” afirma Luís Fernandes, director de projecto da unidade de trabalho da KPMG no Irsem, como parte do projecto de reintegração.

Já começou a construção de um novo aeroporto internacional em Luanda e está a ser planeada uma nova estrada à volta da cidade. “Angola está no caminho certo para se transformar num dos mais significativos motores económicos do continente africano,” afirma Paulo de Sousa.

Business Day, John Kaninda

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SADC deve apoiar solução para saída da crise na RDC

ImageOs Estados membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) foram instados a contribuir para a estabilidade da zona Leste da República Democrática do Congo (RDC), que se encontra numa grave crise humanitária e de segurança, em virtude dos confrontos entre o Exército governamental e as tropas leais ao general dissidente Laurent Nkunda, da etnia tutsi.
O apelo foi feito segunda-feira, em Luanda, pelo ministro angolano das Relações Exteriores, João Miranda, durante uma reunião extraordinária da troika do Órgão Político e de Cooperação de Defesa e Segurança da SADC, que analisou a situação prevalecente no Leste da RDC.

“Os relatos que nos chegam são manifestamente alarmantes e é nosso dever contribuir com ideias e acções para que a República Democrática do Congo conheça a estabilidade e o Governo possa consagrar as tarefas de reconstrução e aprofundar o processo de harmonização nacional em curso”, defendeu o chefe da diplomacia angolana, para quem a situação na RDC implica igualmente a insegurança na região austral do continente.

Miranda recordou que a SADC acompanhou sempre o evoluir da situação na RDC (mesmo antes e depois das últimas eleições) e intervém política e diplomaticamente neste país, pelo que não podia ser de outra forma agora. “Por isso estamos aqui para procurarmos os meios e as vias que contribuam para uma solução rápida da crise que se instalou de forma gritante, deteriorando a já por si grave crise humanitária no Leste do país e sobretudo a situação de segurança”, justificou.

O ministro esclareceu que a reunião, em que participou igualmente o secretário executivo da SADC, o moçambicano Tomaz Salomão, foi convocada com base nas regras estatutárias e nas preocupações dos Chefes de Estado da região, à luz de um relatório submetido pelo Secretariado da organização, que chefiou a equipa que se deslocou a Kinshasa para avaliar a situação.

Esta é a primeira reunião da troika desde que Angola assumiu a presidência do Órgão Político e de Cooperação de Defesa e Segurança da organização, na Cimeira de Chefes de Estados e Governos, realizada em Agosto último, em Lusaka (Zâmbia). A troika é composta por Angola, Swazilândia e Tanzânia.
A delegação angolana foi integrada ainda pelos ministros da Defesa Nacional e do Interior, Kundi Paihama e Roberto Leal Monteiro “Ngongo”, respectivamente.

As delegações da Swazilândia e da Tanzânia foram chefiadas pelos seus respectivos ministros dos Negócios Estrangeiros, S.C. Magongo e Ali Iddi, respectivamente. A comitiva tanzaniana incluiu ainda o titular da pasta da Defesa, Omar Mzee.
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Angola obtém crédito de 2,5 mil milhões de euros de bancos portugueses e locais

ImageO Governo angolano conseguiu uma linha de crédito de cerca de 3,5 mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros) resultantes de uma associação de bancos portugueses e locais, sendo que receberá mil milhões de dólares (701,8 milhões de euros) já no próximo mês.
O Banco Africano de Investimentos (BAI), parcialmente detido pela empresa petrolífera estatal Sonangol, será responsável por entregar a primeira remessa de 400 milhões de dólares (280,7 milhões de euros) ao Estado já em Novembro.

O Banco de Fomento Angola (BFA), o maior do país e detido pelo banco português BPI, e o Banco Espírito Santo Angola, controlado pelo luso Banco Espírito Santo, irão contribuir com 200 milhões de dólares cada (140,3 milhões de euros).

Os fundos estarão sujeitos a cinco anos de pagamento sobre uma taxa de juro prevista de entre 3,25 e 3,75 por cento sobre a Libor.
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Os homens do Presidente: o “Caso Miala” revisitado - Adriano Parreira


Uma sentença exótica

Luanda - Quando a 27 de Novembro de 2006, Fernando Garcia Miala, na qualidade de chefe do Serviço de Inteligência Externa, se pronunciou acerca do recrutamento de terroristas pela Jihad em Angola, poucos poderiam prever que exactamente 3 meses depois o Presidente da República criasse uma Comissão de Sindicância ao SIE, encarregue de averiguar sobre a funcionalidade e disciplina do mesmo.

Foram ainda menos aqueles que anteciparam as consequências dessa sindicância, que em cinco dias ditou a exoneração dos cargos, o afastamento do SIE, a “desgraduação” e a passagem compulsiva à situação de reforma do General Miala e sua equipe.

A promessa de “aplicação, a seu tempo, de outras medidas de carácter jurídico-legal contra os responsáveis e autores das irregularidades constatadas”, permitiu que todos adivinhassem que uma nuvem cinzenta pairava sobre as cabeças dos até então mais altos funcionários da inteligência angolana. Todavia, ninguém, nem mesmo os réus, alguma vez sequer suspeitaram que a nuvem fatídica era afinal muito negra e carregada de uma sentença que condenou Miala e os seus companheiros da desgraça a 4 anos e a 30 meses de prisão, respectivamente

A omissão ou a grande farsa dos “irmãos inimigos”

A fim de melhor compreendermos quão artificiosa foi a decisão do Juiz, pois que quanto ao clientelismo do sistema judiciário aos caprichos do príncipe é um facto por demais comprovado, torna-se necessário revisitarmos alguns aspectos desta novela de cordel em que todos os seus protagonistas, dos juízes aos réus, passando pelos procuradores e investigadores, acabaram por ter um fim infeliz, pela simples razão de todos sem excepção serem coniventes com a omissão.

Através de uma entrevista de Philippe Missamou, advogado de Miala, concedida no dia anterior à leitura da sentença, ficámos a saber que não recebeu resposta quer à sua solicitação de visto de entrada no país quer às interpelações que endereçou aos Ministérios da Defesa e da Justiça, confessando ainda o seu espanto por constatar que nunca tinha sido exarado qualquer decreto presidencial que ditasse a despromoção do general.

O causídico confirmou também que Pierre Falcone, “conselheiro especial do Presidente da República, declarou que José Eduardo dos Santos jamais emitiu tal decreto de despromoção, reenviando, ele Falcone, a responsabilidade para os generais Manuel Hélder Vieira Dias ‘Kopelika’ e José Maria, a quem o “conslheiro” chamou de ‘irmãos inimigos’ do General”. O jornalista denunciou também que 40% dos 5 mil milhões de dólares da linha de crédito que a China concedeu ao Estado angolano, ou sejam 2 mil milhões de dólares, “desapareceram por caminhos” aparentemente sinuosos, mas que deixaram rasto!

Se é verdade que, uma vez descartadas as acusações que levaram os ex-chefes do SIE a tribunal, a sentença só poderia ser consumada com base numa acusação de circunstância, neste caso a alegada insubordinação disciplinar, também é verdade que os réus participaram até ao fim no jogo das omissões, acenando com a tão inócua como patética “postura de Estado”, que os impediu de discernir que estando já sem cavalos, bispos, rainha, torres e peões, deveriam ter denunciado com frontalidade a farsa e sacrificado imediatamente o rei.

Os réus perderam-se no jogo porque nunca entenderam que as acusações iniciais de que foram alvo, e toda a trama que se desencadeou a partir daí, eram, em si mesmas, a oportunidade que se lhes ofereceu para rejeitarem o jogo da omissão, e revelarem a essência dessa ‘fraterna inimizade’ enunciada por Falcone, e denunciada por diversas ONGs que há anos dizem, sem reticências, que essa estranha cumplicidade se traduziu na prática sistemática, dolosa e contínua de crimes de corrupção activa, na obtenção de avultados lucros no negócio da compra ilícita de armamento e no tráfico de influências a altíssimo nível, implicando as empresas SIMPORTEX, CADA, ASCORP, ENDIAMA e a indústria petrolífera angolana.

Cegos pelo brilho insidioso da omissão, o General Miala e os seus ex-colegas não enxergaram que o jogo estava falseado à partida, e que a ordenação da sindicância de 27 de Fevereiro de 2007 era a antecipação da sentença, ou não fosse esse o único despacho que neste processo teve a assinatura do Chefe! Quando no dia 24 de Agosto último o brigadeiro Veríssimo declarou ao tribunal que Fernando Miala “foi sendo exonerado” a partir do momento em que se iniciou a sindicância, ou seja que a sentença estava desde então definida, Miala e seus companheiros provaram estarem também surdos à voz que anunciava o ridículo e a inutilidade da cumplicidade, perdendo outra oportunidade de repudiarem a “fraterna inimizade”, para a qual Falcone alertara sem que alguma vez tivesse sido levado a sério! Está porém agora claro que a sugestiva expressão de Falcone merecia muito mais do que o barulho ensurdecedor do silêncio das omissões da parte daqueles que tinham um dia jurado cumprir com lealdade as suas funções e dizer somente a verdade. Que paródia! Seja como for, o que na verdade constitui uma aterradora constatação é a promiscuidade total do actual poder em Angola, demonstrando-se por A+B+C, que, tal como aconteceu com os cinco magníficos do Angolagate, os homens do Presidente não olham a meios para fazerem das suas contas bancárias coração!

As acusações de um insider

O “caso Miala”, que foi massivamente divulgado pela comunicação social independente, enquanto que a estatal manteve a postura do avestruz, acabaria muito provavelmente por aqui, não fossem as corajosas e reveladoras acusações proferidas pel o sr. Francisco André, cujas consequências ninguém ousa adivinhar.

O facto do sr. Francisco André se referir categoricamente que a informação revelada “não é tudo” e que “existem situações mais graves que o Povo um dia saberá”, vem corroborar as suspeitas do envolvimento dos homens do Presidente em associações criminosas e na constituição de quadrilhas com o fim deliberado de se apoderarem ilicitamente dos bens públicos angolanos, em detrimento de todos nós. As acusações têm o peso que as revelações de um insider podem ter! Mas, será que o General Miala e os seus companheiros do infortúnio da desatenção, saberão tirar as devidas ilações deste escândalo, e aproveitarem esta derradeira oportunidade para lançarem definitivamente o rei para as urtigas?

Façam lá coragem, camaradas!

O Sr. Francisco André, depois de referenciar que estava “moralmente autorizado a citar os nomes do MPLA”, apelou publicamente à solidariedade dos ‘dinossauros’ do partido da situação. Qual a razão que levou o Sr. Francisco André a eleger os seus ‘heróis nacionais’ e a excluir todos os outros, recorrendo aos lugares comuns a que todos nós estamos, há 32 anos, fartíssimos de saber? Seja como for, o melindre das acusações torna as trajectórias dos ex-chefes do SIE e do compatriota Francisco André irreversíveis, pois só a verdade interessa ao Povo angolano. Em suma, resta-lhes fazerem o trabalho de casa, sem rasuras nem folhas rasgadas nos cadernos, a não ser que pretendam cobardemente continuar a chafurdar no silêncio ensurdecedor da omissão e da hipocrisia.

A responsabilidade é do Presidente da República

Mas aonde está José Eduardo dos Santos em toda esta trama? Uma coisa temos por certa, é que o Presidente da República não poderá jamais lavar as mãos como Pilatos, pois que todos os que foram acusados pelo Sr. Francisco André de desvios dos dinheiros públicos e de enriquecimento ilícito, foram nomeados por ele. Mais, o Decreto-Lei n.º 6/04, de 22 de Outubro, que criou o Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), órgão que administra e gere os muitos mil milhões de dólares da linha de crédito chinesa, estabelece que o GRN está sob a “dependência e orientação directas” do Presidente da República, que também detém a exclusividade na nomeação do seu Director.

Assim sendo, não podem restar quaisquer dúvidas que José Eduardo dos Santos é quem, em primeira e em última instâncias, deverá responder às contundentes acusações formuladas pelo Sr. Francisco André. Cabe agora à Procuradoria-Geral da República (PGR), defender com zelo os interesses da pessoa de bem que é o Estado, e accionar imediatamente os mecanismos legais institucionais ao seu dispor, no sentido de instruir as Autoridades competentes a instaurarem um processo-crime a fim de se apurar, com todo o rigor, a veracidade das gravíssimas acusações. A nobre tarefa a que os estatutos da PGR a vincula ao cumprimento do dever perante o Povo e a Nação, está facilitada não só pelo facto do denunciador e dos denunciados estarem inequivocamente identificados, mas também porque as acusações de que foram alvo Manuel Hélder Vieira Dias ‘Kopelika’, José Maria e Antoninho Van-Dúnem, nunca foram, até à presente data, publicamente desmentidas.

Fonte: Angolense

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Prémio de Boa Governação distingue Joaquim Chissano


Saiu voluntariamente do cargo de Presidente

Londres - O ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano venceu hoje o Prémio Mo Ibrahim de boa governação, no valor de 3,5 milhões de euros entregue pela primeira vez em Londres pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

Na cerimónia de anúncio oficial, Kofi Annan salientou o contributo de Chissano “para uma democracia estável e para o progresso económico” de Moçambique e elogiou “a decisão de sair voluntariamente de cargo de Presidente”, em 2005, através da qual “demonstrou que o processo democrático era mais importante”.

Annan considerou igualmente que Moçambique “é uma das histórias de sucesso em Africa”.

Joaquim Chissano era um dos favoritos para receber este prémio, a par de Benjamin Mkapa, ex-presidente da Tanzânia (1995-2005), Domitien Ndayizeye, ex-presidente do Burundi (2003-2005) e Sam Nujoma, ex-presidente da Namíbia (1990-2005).

Lançado pela Fundação Mo Ibrahim, que foi criada pelo empresário africano com o mesmo nome, o Prémio Mo Ibrahim para o Sucesso na Liderança Africana pretende reconhecer líderes africanos que tenham dado provas de excelência na liderança política.

O prémio, que será entregue a uma personalidade todos os anos, foi aberto a ex-chefes de Estado ou de Governo de países da África Austral que tenham deixado de exercer funções nos últimos três anos e dado provas de liderança exemplar.

A escolha de Chissano foi feita por um júri dirigido pelo ex-presidente das Nações Unidas Kofi Annan e orientado pelo “Índice Ibrahim de Governação Africana”, um instrumento desenvolvido pelo professor Robert Rotberg, da Universidade de Harvard.

Quem é Joaquim Chissano
Joaquim Alberto Chissano, a quem hoje hoje foi atribuído o prémio de boa governação da Fundação Mo Ibrahim, nasceu em 1939 e foi um dos fundadores da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), em 1962.

Chissano foi o chefe do governo de transição para a independência (1974-75) e tornou-se no primeiro ministro dos Negócios Estrangeiros (1975-1986) do novo país, sob a presidência de Samora Machel.

Após a morte de Machel, em 1986, ocupa o cargo de Presidente da República em 1986, e em 04 de Outubro de 1992 assina com Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o acordo de paz que põe termo a dezasseis anos de guerra civil no país.

Joaquim Chissano vence as primeiras eleições presidenciais democráticas de 1994, vitória que repete em 1999.

Nesse ano, é igualmente investido como presidente da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e vice-presidente da Internacional Socialista.

Em 2003, recusa concorrer a um novo mandato para Presidente da República e afasta-se dos cargos partidários activos, mantendo-se presidente honorário da Frelimo.

Recebeu vários prémios em Moçambique e no estrangeiro, como Inglaterra, Bulgária, Nicarágua, Brasil e Cuba.

Em Portugal, foi galardoado pela Universidade de Coimbra com o título Honoris Causa em Economia.

Em 2006, recebeu o prémio Chatham House, em Londres, que distigue os chefes de Estado na implementação de relações internacionais.

Joaquim Chissano tem igualmente participado em iniciativas no âmbito da ONU e da União Africana para a promoção da paz e estabilidade em países como a RD Congo, Uganda e Zimbabué.

Fonte: Lusa

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Apoio da China já ronda os sete milhões de dólares americanos

Luanda - O apoio financeiro chinês para reconstrução de Angola aproxima-se dos 7.000 milhões de dólares e destina-se, entre outros projectos, à nova cidade de Luanda e ao aeroporto internacional da capital.

Segundo noticia hoje a agência MacauHub, que compilou os dados avançados na semana passada pelo Ministério das Finanças de Angola, numa iniciativa inédita de divulgação junto do grande público do aproveitamento das três linhas de crédito postas pela China à disposição das autoridades angolanas.
A Eximbank criou duas linhas de crédito, cada uma no valor de 2.000 milhões de dólares e, no âmbito do Fundo Internacional da China (CIF, na sigla em inglês), foi criada outra no valor de 2.900 milhões de dólares.

Segundo dados recentemente veiculados pelo Banco Mundial, com base em estatísticas do governo angolano, a linha de crédito do CIF tem um montante total previsto de 9.800 milhões de dólares.

A aplicação das verbas da linha do CIF, constituído em 2005, é gerida directamente pelo Gabinete de Reconstrução Nacional, presidido por Hélder Vieira Dias «Kopelipa», general tido como próximo do presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

Na semana passada, numa entrevista ao jornal Financial Times, o ministro-adjunto do primeiro-ministro angolano, Aguinaldo Jaime, afirmou que o crédito CIF «não é completamente comercial, é mais político» e «provavelmente negociado ao mais alto nível».

«É um empréstimo concessional e é suposto que alguns dos créditos não sejam pagos», afirmou Aguinaldo Jaime.

O CIF, com sede em Hong Kong, é um “braço” da Beiya International Development, ligada à importação pela China de petróleo de Angola, país que já se assume como um dos principais fornecedores chineses da estratégica matéria-prima.

Fonte: VOA

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