Tuesday, September 25, 2007

Partidos políticos “transformados” em empresas


MPLA e UNITA
deram o primeiro passo

Luanda - A medida, segundo consta, visa tornar os partidos mais desafogados financeiramente e garantir emprego aos seus militantes.

Mas, a lei dos partidos não permite que as organizações políticas tenham empresas, por isso, atribuem a gestão do negócio a terceiros, sobretudo aos seus militantes com cargos de direcção


Desde que fixou a sua sede nacional em Luanda, há cinco anos, a UNITA criou algumas instituições para acomodar os seus militantes e prestar alguns serviços ao partido através delas.

Para dar emprego e prestar assistência médica aos seus quadros, criou uma clínica na zona da Estalagem, cujo nome é Kahunje. Isaías Samakuva e pares esperam pela autorização do ministérios da educação, através da sua direcção para o ensino particular para que o colégio da UNITA comece a funcionar, o que deverá acontecer no próximo ano lectivo.

Segundo apuramos de fonte do partido dos “maninhos”, esta medida visa acomodar os militantes que não foram reintegrados no quadro do Protocolo de Entendimento do Luena, complementar aos Acordos de Lusaka, Zâmbia.
As empresas estendem-se ao ramo da comunicação social.


Hoje, o galo negro possui uma estação de rádio e um jornal (Rádio Despertar e Jornal Terra Angolana), que para além de garantirem emprego aos seus militantes contribuem para reforço da conta bancária, através dos serviços comercias (publicidade).

Estes empreendimentos que a UNITA tem e projecta constituem uma gota de água no oceano, embora sejam importantes, pois, para ser o que é o oceano precisa de todas as gotas.

Um dos maiores investimentos da UNITA e que é do conhecimento de algum publico, é sem duvidas a zona de exploração diamantífera, localizada na Lunda-Sul, o que lhe confere maior desafogo financeiro, pois, deixa assim de depender exclusivamente do Orçamento Geral do Estado para cobrir algumas despesas internas.

Para fugirem da lei dos partidos políticos que proibi a criação de empresas por parte das formações políticas, os partidos entregam a gestão destas empresas aos seus militantes ou mesmo organizações internacionais.

No caso concreto da UNITA, em entrevista que concedeu ao Angolense abordou o assunto da zona de exploração diamantífera, Samakuva reconheceu a sua existência e informou que o partido que dirige entregou a gestão da referida área a uma empresa cujo nome preferiu não revelar. Deste modo, pode-se mesmo dizer que os “maninhos” estão a seguir as peugadas do MPLA, “bem posicionado em termos de empresas”.

Do ponto de vista individual, algumas figuras ligadas ao galo negro vão bem lançadas no mundo empresarial. Por exemplo, o Angolense apurou que Paulo Lukamba “Gato” tem interesses numa empresa de segurança patrimonial e negócios no ramo da construção civil e comércio geral. Este general reformado não é a única figura ligada a UNITA que apostou no empresariado.


Membro do partido dirigido por Isaías Samakuva e vice-ministro da defesa, o general Demóstenes Amoes Chilingutila é apontado como gestor de uma das naves que servem de armazém da Macambira, localizadas na rua Senado da Câmara, em Luanda. As naves, que são propriedade do Ministério da Defesa estão em posse de alguns generais, dentre eles aquele antigo chefe militar das FALA, agora vice-ministro da Defesa Nacional. No espaço, segundo apuramos, Chilingutila pratica a actividade empresarial através do comércio geral.

O antigo ministro da hotelaria e turismo, George Alicerce Valentim, é apontado como proprietário de uma frota de autocarros que fazem serviços de transporte na rota Luanda–Benguela, sua província de origem.

O deputado e que foi expulso das fileiras do galo negro, no conhecido caso dos 16 deputados malditos, é ainda proprietário de estabelecimentos no ramo da hotelaria, assim como possui acções em algumas unidade hoteleiras.

Dinho Chingungi, como quem está a seguir as peugadas do seu antecessor no Ministério da Hotelaria e Turismo, já está bem lançado no mundo empresarial. O jovem ministro é proprietário de uma empresa de construção civil, comércio geral e possui unidade hoteleira, conforme apuramos de fonte próxima do político.

De acordo com a nossa fonte, Dinho está a se preparar-se para outros voos no ramo da hotelaria, mas tudo está a depender de uma eventual saída deste do Ministério, para depois assumir de forma mais aberta os seus negócios.

Portanto, este comportamento dos políticos demonstra bem que não só da política vivem os dirigentes angolanos. Várias figuras do aparelho do Estado e de partidos políticos são proprietárias de empresas, de forma associada e não só.

Sempre à frente dos outros
MPLA foi o primeiro a “contornar” a lei

O partido dos “camaradas” tem várias empresas espalhadas pelo país e a ele são atribuídas ainda algumas sociedades milionárias, como é o caso da Mitshubish.
A tipografia SOPOL, localizada na avenida Deolinda Rodrigues, é um dos muitos negócios do MPLA que para além de garantir emprego aos seus militantes e não só, também contribui para engordar cada vez mais a conta dos “camaradas”.

O Banco Sol é uma das empresas cuja propriedade é também atribuída ao partido dirigido por José Eduardo dos Santos, o também presidente da República de Angola.

Das empresas atribuídas ao maioritário no poder refira-se a Rádio 2000 (Huíla) e Rádio Morena (em Benguela), mas não as assume publicamente. Aliás, a lei dos partidos políticos não permite isso.

No entanto, a GEFFI é a principal gestora das referidas empresas, segundo fontes bem posicionadas e que prestaram estas informações ao Angolense


A voz do analista

Para Vítor Aleixo, o primeiro partido a passar por cima da lei foi o MPLA, com criação do Grupo César e filho, sobretudo a empresa Maboque, vocacionada a prestação de serviços no ramo hoteleiro. O mesmo grupo evoluiu depois para a construção civil, pesca e segurança patrimonial.

De acordo ainda Vítor, estas empresas seria m uma mais valia se servissem apenas para ajudar financeiramente o partido, mas estas depois atingem outros fins, pois, os meus mentores sentem-se também no direito de se servirem delas.


No âmbito dos acordos de Lusaka, assinados entre o Governo e a UNITA, que visava por fim ao conflito no país, ficou acordado que aquele partido reactivasse algumas empresas, como são os casos dos seus órgãos de comunicação social, concretamente a Rádio Despertar (uma emanação da VORGAN) e o Jornal Terra Angolana, segundo o nosso interlocutor.

Sublinha-se que do mesmo entendimento a UNITA passou a ter uma área de exploração diamantífera, na província da Lunda-Sul.

O analista não discorda desta prática, apesar da lei angolana a proibir, dando exemplos de casos do género ,bem sucedidos a nível de África. É o caso da África do Sul, onde o Congresso Nacional Africano (ANC) criou empresas para estabilização financeira do partido. “Estas empresas são geridas pelos seus militantes”, revelou


* Miguel Kitari
Fonte: Angolense

Posted by Julinho at 00:38:30
Comments

One Response to “Partidos políticos “transformados” em empresas”

  1. jose manuel says:

    Ele, o jornalista, tem razão. Agora, os partidos precisam sobreviver e serem mais fortes. O dinheiro do OGE não chega. A lei tem de ser revista, para que os partidos possam constituir empresas de forma berta. Deste modo, poderão dar emprego aos militantes e não, assim como contribuir para o crescimento economico dos partidos e do país

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